Neste Dia

Luiza Erundina

Deputada federal, ex-prefeita de São Paulo (1989-1992)

Anúncio

Luiza Erundina de Sousa (Uiraúna, 30 de novembro de 1934) é uma assistente social e política brasileira, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), atualmente é deputada federal pelo estado de São Paulo. Ganhou notoriedade nacional quando foi eleita a primeira prefeita de São Paulo e representando um partido de esquerda, o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1988.

Também foi filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi Coordenadora-Geral da coligação Unidos pelo Brasil, que lançou Marina Silva como candidata à Presidência da República, em 2014. Em 2016 se candidatou pela quinta vez para a prefeitura de São Paulo pela Coligação "Os Sonhos Podem Governar". Nas eleições de 2018, foi reeleita deputada federal por São Paulo. Deputada Federal há seis mandatos, reeleita em 2018 com mais de 176 mil votos, ficando entre os 15 mais votados de São Paulo. Na 55ª legislatura (2015-2018) foi terceira suplente da Mesa Diretora, Erundina foi candidata à presidência da Câmara dos Deputados em 2016 em substituição a Eduardo Cunha, que havia renunciado ao cargo. Na eleição, Erundina defendeu uma maior participação feminina na representatividade e mostrou-se favorável à reforma política. Ela já havia presidido uma sessão da Casa simbolicamente.

Erundina foi eleita uma das "Cabeças mais influentes" do Congresso Nacional pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, por 19 anos consecutivos, e é a única mulher premiada em todas as edições do Prêmio Congresso em Foco como "melhor parlamentar do Congresso".

Nasceu no dia 30 de novembro de 1934 na cidade de Uiraúna, Paraíba. É a sétima de dez filhos do artesão de selas e arreios de couro Antônio Evangelista de Sousa e de Enedina de Sousa Carvalho. Começou a trabalhar ainda na infância, vendendo bolos feitos pela mãe.

Repete a 5ª série duas vezes para não parar de estudar, uma vez que a cidade não tinha curso ginasial. Vai morar em Patos, com uma tia, em 1948, para cursar o ginásio. Forma-se em Serviço Social na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, em 1967, e segue para São Paulo em 1971 para fazer mestrado em ciências sociais na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Sonhava ser médica, contudo, por dificuldades de ordens diversas, viu-se obrigada a suspender os seus estudos durante nove anos. Mesmo assim, ajudaria a fundar, em Campina Grande, a Faculdade de Serviço Social.

Por vias da militância católica, ela assumiria, em 1958, o seu primeiro cargo público: aos 24 anos de idade, tornar-se-ia diretora de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Campina Grande. E, em 1964, seria nomeada secretária de Educação e Cultura dessa cidade.

Em Campina Grande, na década de 1970, iniciava a sua atuação na esfera política, participando das ligas camponesas do Partido Comunista e fazendo oposição ao regime militar vigente. Naquela cidade e período histórico, a participação de mulheres nordestinas, na política, praticamente inexistia. Por essa razão, ela passaria a sofrer perseguições. Foi em 1971 que Erundina decidiu se transferir para São Paulo em definitivo; e, ainda nesse ano, foi aprovada em um concurso público para assistente social da prefeitura, indo trabalhar com os nordestinos migrantes nas favelas da periferia da cidade.

É aprovada em concurso para a Secretaria do Bem-Estar Social da prefeitura paulistana e logo depois passa a colaborar com movimentos de periferia que reivindicam moradia e ocupam terrenos públicos abandonados, muitas das vezes em associação com as Comunidades Eclesiais de Base.

Filiação ao Partido dos Trabalhadores

Em 1980, é convidada pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva a ser uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual se elege vereadora em 1982 e deputada estadual constituinte em 1986. Em 1985, é escolhida pelo partido para ser a vice-prefeita na chapa do candidato Eduardo Suplicy por ocasião das eleições municipais daquele ano. Suplicy fica em terceiro no pleito, vencido por Jânio Quadros (PTB), mas a expressiva votação recebida pelo PT (A chapa Eduardo-Erundina obteve 20,70% dos votos, o que dá 827 452 votos) impulsionou o crescimento do partido na cidade. Em 1987, já como deputada estadual, é agredida pela Polícia Militar durante uma manifestação de funcionários públicos contra o governo do Estado, à época comandado por Orestes Quércia, promovida pelo PT.

Candidatura à prefeitura de São Paulo

Integrante da ala considerada mais radical do PT, ligada ao trotskismo, Luiza Erundina candidata-se em 1988 às prévias do partido para a decisão do candidato à prefeitura de São Paulo nas eleições daquele ano. O outro candidato das prévias é o deputado federal constituinte Plínio de Arruda Sampaio, oriundo do setor majoritário e moderado da legenda e apoiado por suas maiores lideranças: Lula, José Genoíno e José Dirceu. Erundina vence Plínio na disputa interna e se lança, com efeito, à corrida municipal, tendo como principais concorrentes o ex-prefeito e ex-governador Paulo Maluf (PDS), e o ex-secretário estadual de Obras João Oswaldo Leiva (PMDB), apoiado pelo então governador Quércia e pelo prefeito Jânio Quadros. Também disputaram com Erundina o deputado federal José Serra (PSDB), o jornalista e secretário municipal de Jânio, João Mellão Neto (PL), e o ex-secretário municipal e genro de Jânio Quadros, Marco Antônio Mastrobuono (PTB).

De início em terceiro nas pesquisas eleitorais (atrás de Maluf e Leiva), com uma campanha caracterizada pelos baixos recursos, pela militância pesada do partido nos bairros (sobretudo periféricos, que se converteriam nos grandes redutos eleitorais de Erundina naquele ano) e pelos eloquentes ataques, durante o Horário Eleitoral Gratuito, à administração de Jânio Quadros e aos demais candidatos, vistos todos como representantes dos setores mais conservadores e elitistas da sociedade, Luiza Erundina foi crescendo aos poucos na eleição, beneficiada pela insatisfação generalizada da sociedade com o poder público, pela, à época, diferenciada proposta representada pelo PT, pela alta rejeição a Maluf e pelo baixo cacife eleitoral de Leiva, tido por muitos como um candidato-fantoche. Durante o processo, Erundina ainda agregou o apoio de demais siglas de esquerda, como o PDT e o PCdoB, chegando, na penúltima semana do pleito (na época não havia segundo turno), em situação de empate técnico com Leiva e atrás de Maluf.

A greve na Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda, ocorrida nas proximidades da eleição e que terminou com a morte de três operários devido à truculenta ação do Exército, ajudou a opinião pública a se sensibilizar acerca das reivindicações do movimento sindicalista e a rejeitar ainda mais o poder constituído de então. Alguns analistas políticos consideram que a repercussão da greve ajudou na vitória de Erundina em 15 de novembro de 1988, com 33% dos votos válidos, ante 24% de Maluf e 14% de Leiva, desmentindo as pesquisas dos dias anteriores, que davam vitória a Maluf. O próprio candidato do PDS, quando informado da vitória da petista por um jornalista da Rádio Jovem Pan, chegou a declarar que contestaria o resultado da eleição junto ao TRE. Contudo, tal intenção não foi concretizada. Após a totalização dos votos, descobriu-se que a Rede Globo não divulgou uma pesquisa do Ibope, concluída na véspera do dia da votação, que já indicava a vitória de Erundina.

As circunstâncias da eleição de Erundina para a prefeitura da maior cidade do país causaram grande impacto, sobretudo pelo alto grau de surpresa ou seja, candidatos peculiares que atraem o voto de protesto, pelo próprio perfil pessoal da nova prefeita (solteira, migrante nordestina e ativa militante de esquerda) e pela significativa mudança em relação ao sistema administrativo outrora constituído.

Luiza Erundina foi prefeita do município de São Paulo entre 1989 e 1992, eleita pelo PT. Sua gestão iniciou-se com os seguintes secretários: Paulo Freire (Educação), Marilena Chauí (Cultura), Hélio Bicudo (Negócios Jurídicos), Eduardo Jorge (Saúde), Tereza Lajolo (Transportes), Paulo Azevedo (Vias Públicas), Lúcio Gregori (Serviços e Obras), Luiz Eduardo Greenhalgh (Negócios Extraordinários), Paul Singer (Planejamento), Erminia Maricato (Habitação), Juarez Soares (Esportes e Recreação), Aldaíza Sposati (Administrações Regionais), Marta Campos (Bem-Estar Social), José Eduardo Cardozo (Governo), Fermino Fecchio (Administração), Adhemar Gianini (Abastecimento), Amin Khair (Finanças) e Perseu Abramo (Comunicação).

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Luiza Erundina | World in Stories