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Luiz Saldanha

Biólogo português

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Luiz Vieira Caldas Saldanha ComPA • OG • GOSE (Lisboa, 16 de Dezembro de 1937 — Cascais, 16 de Novembro de 1997) foi um biólogo marinho português, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que se distinguiu no estudo da fauna marinha do Atlântico Nordeste.

Luiz Saldanha introduziu em Portugal o ensino de diversas disciplinas no âmbito da Biologia Marinha, como a Ictiologia e a Oceanografia Biológica. Enquanto docente universitário, foi responsável pela formação científica de numerosos biólogos marinhos que mais tarde viriam a tornar-se investigadores e docentes de diferentes universidades e institutos portugueses e estrangeiros. Desempenhou diversos cargos de liderança institucional, quer estatais, quer associativos. Considerado por vários autores como o «reformador da oceanografia portuguesa», Saldanha contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento e coordenação das ciências e tecnologias do Mar em Portugal.

Luiz Saldanha nasceu a 16 de Dezembro de 1937, em Lisboa (São Sebastião da Pedreira). Estudou no Liceu Francês de Lisboa (Lycée français Charles Lepierre), onde concluiu os ensinos primário e liceal. Nesses anos, integrou o agrupamento de escuteiros da Igreja de São Luís dos Franceses, onde cultivou o gosto pela exploração da natureza. Sobrinho do arqueólogo Eduardo da Cunha Serrão, desde muito jovem acompanhou o tio em escavações e outros trabalhos arqueológicos. Estas experiências permitiram-lhe desenvolver a curiosidade científica. Contudo, o seu interesse específico pela vida animal, que mais tarde o leva à Biologia, foi exclusivamente genuíno, não tendo tido qualquer influência directa.

Muito jovem, Saldanha foi um dos pioneiros do mergulho em Portugal. Em 1956, aos 18 anos e já estudante universitário, fez o seu primeiro mergulho, com um escafandro emprestado e sem fato isotérmico, nas águas de Sesimbra. Meses mais tarde, participa na sua primeira campanha oceanográfica, a convite do Professor Mário Ruivo, do Instituto de Biologia Marinha. Aí, a bordo do NRP Faial, tem a oportunidade de conhecer investigadores estrangeiros, como Jean-Marie Pérès, da prestigiada Estação Marinha de Endoume, com quem passa a corresponder-se.

Percurso académico e profissional

Em 1961, Saldanha licenciou-se em Ciências Biológicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo concluído as últimas cadeiras durante o cumprimento de um longo serviço militar de sete anos, enquanto oficial do exército. No ano seguinte, já casado, é mobilizado para servir em África, permanecendo por dois anos e três meses (1962-1965) em Angola, na Zona de Intervenção Norte (ZIN). A par dos compromissos militares, Saldanha aproveitou a estada em Angola para fins científicos. Aí aperfeiçoou as suas técnicas de taxidermia e recolheu diversos exemplares de animais e plantas que mais tarde veio a depositar no Museu Bocage, actual Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

Terminado o serviço militar em 1965, Saldanha inicia a carreira profissional, aos 27 anos, como naturalista do Museu Bocage. Aí permanece até 1970, quando passa a investigador do Museu e Laboratório Zoológico e Antropológico da Faculdade de Ciências de Lisboa.

Em 1974, conclui o Doutoramento em Ciências, na especialidade de Ecologia Animal, pela FCUL, tendo sido aprovado com Distinção e Louvor. Inicia então um longo período de leccionação na mesma faculdade. Em 1975 como Professor Auxiliar, em 1978 como Professor Extraordinário e em 1979 como Professor Catedrático.

No ano em que se doutorou, 1974, Saldanha empreendeu a recuperação do Forte de Nossa Senhora da Guia, situado na estrada do Guincho, em Cascais, onde reactivou e dinamizou o Laboratório Marítimo da Guia. Requereu, a 9 de Abril de 1974, a classificação do Forte como Imóvel de Interesse Público, tendo a petição sido aprovada em 1977. Aí, desenvolveu trabalhos pioneiros de investigação nos campos da Biologia Marinha e da Oceanografia Biológica e orientou diversos estágios de licenciatura dos seus alunos. O laboratório funciona, desde então, como pólo de investigação e ensino da Faculdade de Ciências de Lisboa. Saldanha esteve responsável pelo laboratório entre 1974 e 1997, ano do seu falecimento.

Investigação e divulgação científica

As investigações e campanhas oceanográficas empreendidas por Luiz Saldanha não se cingiram aos mares de Portugal, tendo-se estendido um pouco por todos os continentes e oceanos. Trabalhou por longos períodos em laboratórios em França, Reino Unido, Estados Unidos e Mónaco, e empreendeu expedições no Mar Mediterrâneo, nos oceanos Atlântico, Ártico, Índico e Pacífico, e na Antárctida. Foi esta multiplicidade geográfica das suas expedições que o levou a ser denominado pela imprensa de «Homem dos Sete Mares». Nestas missões, desde 1969, mergulhou regularmente nos submersíveis franceses Archimède e Nautile e no americano Alvin em estudos de biologia abissal e fauna hidrotermal. A bordo deste último, em 1992, foi responsável pela descoberta da primeira fonte hidrotermal submarina dos Açores, o Campo Hidrotermal Lucky Strike.

Além dos trabalhos de mar, o interesse de naturalista de Luiz Saldanha levou-o a efectuar igualmente expedições terrestres em diferentes áreas desérticas, viajando muitas vezes em caravanas tradicionais. Nestas viagens, prestava especial atenção ao lado humano e etnográfico dos vários povos com que se cruzou.

Em Março de 1978, um incêndio lavrou o edifício da Faculdade de Ciências de Lisboa, então instalada na Escola Politécnica, destruindo completamente o laboratório de Luiz Saldanha. Ficaram completamente arrasados todos os seus equipamentos, materiais zoológicos de estudo, manuscritos de trabalho em curso, apontamentos, livros e separatas, bem como praticamente toda a colecção zoológica que recolhera nos nos anos que estivera em Angola. Tal infortúnio provocou o atraso de meses, ou até de anos, de trabalho científico.

Tendo como preocupação a divulgação científica, Luiz Saldanha deu grande enfoque à comunicação dos seus conhecimentos, quer à comunidade académica, quer ao público em geral. Realizou numerosas palestras e conferências, em Portugal e no estrangeiro, onde divulgou as suas investigações científicas e participações em campanhas oceanográficas. Fez parte de diversas comissões de leitura de revistas científicas nacionais e internacionais. Para o grande público, foi autor de séries de documentários na RTP, entre eles, Missão Açores (1984) e O Mar e a Terra (1985, 1987), tendo este último acompanhado as suas expedições em diferentes mares e continentes.

Desde cedo empenhado na conservação da natureza, em 1965, Luiz Saldanha apresentou, juntamente com os seus amigos do Centro Português de Actividades Subaquáticas (CPAS), um projecto que visava a criação de uma reserva marinha na costa da Arrábida, ao então Ministério da Marinha. Apesar de o Governo à época não ter acedido ao apelo, os seus esforços foram consagrados 33 anos depois, em 1998, com a criação do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, que engloba precisamente a área proposta por Saldanha.

Ao longo da sua carreira, Saldanha colaborou com diversas instituições e associações dedicadas ao conservacionismo. Entre estas, destaca-se a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), da qual foi Presidente da Direcção entre 1985 e 1987 e, posteriormente, Presidente da Assembleia Geral.

Cargos institucionais desempenhados

Luiz Saldanha desemprenhou diversos cargos de liderança institucional, a nível nacional e internacional. Em 1987, tomou posse como Presidente do Instituto Nacional de Investigação das Pescas (INIP), actual Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Como referido anteriormente, foi Presidente da Direcção (1985-1987) e da Assembleia Geral da Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Foi ainda Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais; Conselheiro do Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC); Membro do Conselho Superior de Ciência e Tecnologia; Membro de Mérito da Comissão para o Estudo e Aproveitamento do Leito do Mar (CEALM).

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