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Luise Rainer

Luise Rainer (Düsseldorf, 12 de janeiro de 1910 — Londres, 30 de dezembro de 2014) foi uma atriz teuto-américo-britânica

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Luise Rainer (Düsseldorf, 12 de janeiro de 1910 — Londres, 30 de dezembro de 2014) foi uma atriz teuto-américo-britânica, vencedora de dois prêmios Oscar, na categoria Melhor atriz, por suas performances em Ziegfeld, o criador de estrelas ("The Great Ziegfeld", 1936) e Terra dos deuses ("The Good Earth", 1937). Em 1999 ela foi nomeada uma das 500 grandes lendas do cinema pelo American Film Institute.

Nascida na Alemanha, passou parte de sua infância e juventude em Viena, na Áustria, o que justifica o fato de, quando nos anos de seu apogeu, ter ficado conhecida como "The Viennese Teardrop" (A lágrima vienense), especialmente em razão de sua intensa habilidade dramática. Prevista a virar uma "nova Greta Garbo", Rainer tornou-se a primeira atriz a vencer dois Oscars e a primeira também a tê-los ganho em anos consecutivos, além de ter sido a atriz que mais viveu após ter sido premiada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com um Oscar, e também a única alemã a vencer o prêmio.

Ela, no entanto, abandonou Hollywood em pleno auge devido a sua relutância em manter-se numa carreira dominada pelos chefes dos grandes estúdios. Rainer chegou a ser considerada para o papel principal em A dama das camélias ("Camille", 1936), que acabou sendo interpretado por Garbo - de quem logo ela arrebataria o Oscar, tendo sido considerada também para o papel de Scarlett O'Hara em E o vento levou ("Gone with the Wind", 1939), que coube à Vivien Leigh; além disso, Federico Fellini, que nos anos 1960 esteve interessado em promover um retorno da atriz às telas, escrevera para ela uma cena em A doce vida ("La dolce vita", 1960) que acabou nunca sendo filmada.

Embora naturalizada cidadã dos Estados Unidos, Rainer passou a viver entre o Reino Unido e a Suíça a partir de meados dos anos 1940. Em 1989 fixou-se definitivamente na Inglaterra, na cidade de Londres, capital do Reino Unido, lá permanecendo até o dia de sua morte, em 30 de dezembro de 2014, aos 104 anos, em decorrência de uma pneumonia. Por sua contribuição à indústria do cinema, ela recebeu uma estrela na Calçada da Fama, que encontra-se localizada no número 6 300 da Hollywood Boulevard.

Luise Rainer nasceu em Düsseldorf, Alemanha, e foi criada em Hamburg, ainda na Alemanha, e depois em Viena, na Áustria. Várias fontes afirmavam que ela nascera em Viena, talvez pelo fato de ter sido o lugar onde Luise passara boa parte de sua infância e juventude. Certa vez, ela comentou com um repórter: "Nasci num mundo de destruição. A Viena de minha infância era uma Viena de fome, pobreza e revolução".

Seus pais eram Heinrich e Emilie (nascida Königsberger) Rainer, familiarmente conhecidos como "Heinz" e "Emmy" (ambos, respectivamente, falecidos em 1956 e 1961). Heinz era um negociante bem-sucedido estabelecido na Europa que havia passado boa parte da infância no Texas, EUA, para onde fora enviado aos seis anos como órfão (Luise uma vez afirmou que, graças ao seu pai, ela é uma cidadã americana "de nascimento"). A família Rainer pertencia à alta sociedade e era judia. Nos anos 40, Rainer chegou a perder parte de seus familiares no holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

A biógrafa Margaret Brenman-Gibson escreveu que Luise Rainer nascera quando sua mãe ainda estava no sétimo mês de gestação. Rainer, que teve dois irmãos, afirmou que seu pai era "possessivo" e "tempestuoso", mas com o afeto e a atenção nela sempre centrados. Para ele, a filha era uma "eterna distraída", por parecer estar sempre distante do mundo real, e "muito diferente". Segundo ela, seu pai era "tiranicamente possessivo", o que a deixava entristecida por ver a sua mãe, a quem descrevera como "uma bela pianista" e como "uma cordial e inteligente mulher profundamente apaixonada pelo marido", em constante sofrimento.

Embora geralmente tímida em casa, Rainer era intensamente atlética na escola, tornando-se campeã de corrida e uma intrépida escaladora de montanhas. Ela afirmaria mais tarde que só se tornou atriz porque sentia que precisava encontrar algo que a permitisse sentir a emoção de estar se mantendo ininterruptamente ativa - emoção essa que, nos tempos do colégio, era por ela obtida enquanto gastava as suas energias com o atletismo. Seu pai desejava que ela terminasse os estudos numa boa escola e encontrasse o "homem certo". No entanto, a sua natureza "rebelde" a fazia parecer mais com uma "moleca", o que, de qualquer forma, a deixava feliz por ser independente, embora ela temesse desenvolver algum complexo por se sentir inferior à sua mãe.

Foi na idade de seis anos que ela passou a desejar tomar parte no mundo das artes, enquanto assistia a um espetáculo de circo: "Achei o equilibrista maravilhoso, com suas lantejoulas e collants. Eu quis fugir e casar-me com ele, mas não tive a oportunidade. Mas estou certa de que essa foi a primeira experiência que me revelou o mundo do entretenimento" - relembraria Luise, mais tarde. "Durante anos eu desejei poder caminhar sobre um fio, também" - bricou a atriz, na ocasião.

Aos 16 anos, Rainer passou a seguir o grande sonho de se tornar atriz. Com o pretexto de visitar sua mãe, ela regressou à sua cidade-natal, Düsseldorf, e se registrou no Dumont Theater, tendo conseguido um teste para o mesmo dia. Rainer, mais tarde, começou a ter aulas de interpretação com Max Reinhardt, e, aos 18 anos, já possuía uma legião de críticos que achavam que ela tinha um talento extraordinário para uma jovem atriz - talento esse que a permitiu se tornar uma distinta intérprete dos palcos de Berlim, na Companhia Teatral de Max Reinhardt. Sua estreia nos palcos se deu no Dumont Theater em 1928, aparecendo mais tarde em vários teatros como estrela das peças "Mademoiselle", de Jacques Deval, "Men in White", de Sidney Kingsley, "Saint Joan", de George Bernard Shaw, "Measure for Measure", de William Shakespeare, e "Six Characters in Search of an Author", de Luigi Pirandello.

De volta à Áustria, Rainer apareceria em alguns filmes de língua alemã, o que eventualmente levou a crítica ao delírio. Enquanto atuava na peça "Six Characters in Search of an Author", ela foi vista pelo caça-talentos da MGM Phil Berg, que sentiu que Rainer poderia se tornar uma outra Greta Garbo, que era uma das maiores estrelas da produtora. A princípio Rainer não tinha o interesse de construir uma carreira cinematográfica, como explicaria, anos mais tarde, numa entrevista em 1995: "Eu nunca quis fazer filmes. Só teatro. Então eu assisti Adeus às armas ('A Farewell to Arms', 1932), e quis entrar para o cinema. Foi lindo!".

Ela, então, foi passar o verão nos EUA, no Pine Brook Country Club, localizado na zona rural de Nichols, Connecticut, juntamente com Clifford Odets (dramaturgo, com quem viria a se casar), Elia Kazan e Harold Clurman, entre outros. Lá encontrava-se a sede para os ensaios de verão do Group Theatre de Nova York, durante as décadas de 30 e 40.

Ao chegar aos Estados Unidos, a MGM propôs a Rainer um contrato de três anos, o que a fez se mudar para Hollywood, passando a ser vista como uma promissora estrela mediante às grandes da produtora, como Greta Garbo, Norma Shearer e Joan Crawford. Segundo o biógrafo Charles Higham, tanto o chefe da MGM, Louis B. Mayer, quanto o produtor Samuel Marx tinham visto fotografias de Rainer antes de sua chegada à Hollywood, e ambos sentiam que ela tinha o charme e especialmente a delicadeza que Mayer admirava em suas estrelas. O inglês de Rainer precisava ser melhorado, e, para tanto, Mayer contratou a atriz Constance Collier para treiná-la e ensiná-la modulação dramática; Rainer rapidamente apresentou bons resultados.

Ao chegar em Hollywood, Rainer passou oito semanas no estúdio sem que propostas para filmes lhe fossem feitas. Seu primeiro filme lá foi Flerte ("Escapade", 1935), que era o remake de um dos filmes austríacos por ela estrelados, num papel para o qual Myrna Loy fora cotada. Quando Rainer foi escalada, metade do filme já havia sido filmada. Durante a pré-estreia do filme, Rainer, que saíra correndo do cinema, comentou, posteriormente, sobre o ocorrido: "Na tela, eu parecia enorme e com uma cara tão cheia... foi horrível!". Após o lançamento do filme, Rainer teve enorme publicidade, sendo aclamada pela imprensa como "a Elisabeth Bergner da light comedy". Ela foi saudada como "a nova sensação de Hollywood", passando a conceder várias entrevistas.

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