Luigi Pirandello (Agrigento, 28 de junho de 1867 — Roma, 10 de dezembro de 1936) foi um dramaturgo, poeta e romancista italiano.
Foi um grande renovador do teatro, com profundo sentido de humor e grande originalidade. Suas obras mais famosas são: Seis personagens à procura de um autor, Assim é, se lhe parece, Cada um a seu modo, O Marido de Minha Mulher e os romances O falecido Matias Pascal, "Um, Nenhum e Cem Mil", "Esta Noite Improvisa-se", etc.
Sua primeira peça de teatro foi O Torniquete escrita entre 1899 e 1900 e encenada pela primeira vez em 1910. Sua obra A Patente, uma comédia de um ato, teve boa repercussão.
A 23 de setembro de 1931, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de Portugal.
Recebeu o Nobel de Literatura de 1934.
Coloca-se que o cômico nasce de uma percepção do contrário (no livro Do teatro ao teatro, e tem um capítulo que se chama "O Humorismo"). Mas essa percepção pode se transformar- num sentimento do contrário: é quando aquele que ri procura entender as razões da piada. Portanto não existe mais o distanciamento. Pirandello separa o cômico do humorístico, para passar da atitude cômica para a atitude humorística, é preciso renunciar ao distanciamento e à superioridade.
Luigi Pirandello participou da campanha "coleta do ouro", organizada pelo ditador italiano Benito Mussolini, que visava levantar fundos para o país. A campanha era uma resposta à Liga Nações que impôs sanções econômicas à Itália após esta ter invadido e declarado guerra a Etiópia, na Segunda Guerra Ítalo-Etíope (1935-36), Pirandello doou sua medalha do Prêmio Nobel.
Pirandello nasceu em uma família de classe alta em Càvusu, um subúrbio pobre de Girgenti (Agrigento, uma cidade no sul da Sicília). Seu pai, Stefano, pertencia a uma rica família envolvida na extração do enxofre, e sua mãe, Caterina Ricci Gramitto, também tinha uma origem abastada, descendente de uma família da classe profissional burguesa de Agrigento. Ambas as famílias, Pirandello e Ricci Gramitto, eram ferozmente anti-Bourbon e participavam ativamente da luta pela unificação e pela democracia (Il Risorgimento). Stefano participou da famosa Expedição dos Mil, depois acompanhou Garibaldi até a Batalha de Aspromonte, e Caterina, que mal tinha completado treze anos, foi forçada a acompanhar o pai a Malta, onde foi mandado para o exílio pela monarquia Bourbon. Mas a participação aberta na causa garibaldiana e o forte senso de idealismo daqueles primeiros anos se transformaram rapidamente, principalmente em Caterina, em um desapontamento profundo e amargo com a nova realidade criada pela unificação. Pirandello acabaria por assimilar esse sentimento de traição e ressentimento, e o expressaria em vários de seus poemas e em seu romance I vecchi e i giovani. É provável também que esse clima de desilusão tenha incutido no jovem Luigi o sentimento de desproporção entre as ideais e a realidade, que é reconhecível em seu ensaio sobre o humorismo (L'Umorismo).
Pirandello recebeu sua educação primária em casa, mas ficou muito mais fascinado pelas fábulas e pelas lendas, algum lugar entre o popular e o mágico, que sua velha criada Maria Stella costumava lhe contar, do que por qualquer matéria escolar ou acadêmica. Aos doze anos, ele já havia escrito sua primeira tragédia. Por insistência do pai, matriculou-se em uma escola técnica, mas acabou mudando para o estudo das humanidades no ginásio, algo que sempre o atraíra.
Em 1880, a família Pirandello mudou-se para Palermo. Foi ali, na capital da Sicília, que Luigi concluiu o ensino médio. Ele também começou a ler de forma onívora, concentrando-se, sobretudo, em poetas italianos do século XIX, como Giosuè Carducci e Arturo Graf. Ele então começou a escrever seus primeiros poemas e apaixonou-se por sua prima Lina.
Durante esse período, os primeiros sinais de sério contraste entre Luigi e seu pai começaram a se desenvolver. Luigi descobriu algumas notas que revelavam a existência de relações extraconjugais de Stefano. Como uma reação à desconfiança e à desarmonia cada vez maiores que Luigi desenvolvia em relação ao pai, um homem de físico robusto e maneiras rudes, sua ligação com a mãe continuou a crescer a ponto de chegar a uma veneração profunda. Isso se expressou posteriormente, após sua morte, nas comoventes páginas do conto Colloqui con i personaggi, em 1915.
Seus sentimentos românticos por sua prima, inicialmente vistos com desagrado, foram repentinamente levados muito a sério pela família de Lina. Exigiram que Luigi abandonasse os estudos e se dedicasse aos negócios no ramo de enxofre para que pudesse casar-se imediatamente com ela. Em 1886, durante as férias escolares, Luigi foi visitar as minas de enxofre de Porto Empédocle e começou a trabalhar com o pai. Essa experiência foi essencial para ele e serviria como base para histórias como Il Fumo e Ciàula scopre la Luna, bem como para algumas descrições e história de fundo do romance I vecchi e i giovani. O casamento, que parecia iminente, foi adiado.
Pirandello então se matriculou na Universidade de Palermo, nos departamentos de Direito e de Letras. O campus de Palermo, e sobretudo o Departamento de Direito, fora, naqueles anos, o centro do vasto movimento que acabaria por evoluir para o Fasci Siciliani (Liga dos Trabalhadores Sicilianos). Embora Pirandello não fosse um membro ativo do movimento, ele tinha laços estreitos de amizade com seus principais idealistas: Rosario Garibaldi Bosco, Enrico La Loggia, Giuseppe De Felice Giuffrida e Francesco De Luca.
Em 1887, tendo escolhido definitivamente o Departamento de Letras, mudou-se para Roma para continuar os estudos. Porém, o encontro com a cidade, centro da luta pela unificação da qual as famílias de seus pais participaram com generoso entusiasmo, foi decepcionante e nada próximo do que ele esperava.
Pirandello, que era um moralista extremamente sensível, finalmente teve a chance de ver por si mesmo a decadência irredutível dos chamados heróis do Risorgimento na pessoa de seu tio Rocco, agora um grisalho e exausto funcionário da prefeitura que lhe fornecia alojamentos temporários em Roma. O “riso desesperado”, sua única manifestação de vingança pela decepção sofrida, inspirou os versos amargos da sua primeira colecção de poemas, Mal giocondo (1889). No entanto, nem tudo foi negativo; essa primeira visita a Roma proporcionou-lhe a oportunidade de frequentar assiduamente os muitos teatros da capital: Il Nazionale, Il Valle, il Manzoni.
Por causa de um conflito com um professor de latim, ele foi forçado a deixar a Universidade de Roma e foi para Bonn com uma carta de apresentação de um de seus outros professores. A estada em Bonn, que durou dois anos, foi fervorosa de vida cultural. Ele leu os românticos alemães, Jean Paul, Tieck, Chamisso, Heinrich Heine e Goethe. Começou a traduzir as Elegias Romanas de Goethe, compôs as Elegie Boreali imitando o estilo das Elegias Romanas e começou a meditar sobre o tema do humorismo por meio das obras de Cecco Angiolieri.
Em março de 1891, ele recebeu seu bacharel em Filologia Românica com uma dissertação sobre o dialeto de Agrigento: Sons e Desenvolvimentos de Sons na Fala de Craperallis.
Após uma breve estadia na Sicília, durante a qual o casamento planejado com sua prima fora finalmente cancelado, ele voltou a Roma, onde fez amizade com um grupo de escritores-jornalistas, incluindo Ugo Fleres, Tomaso Gnoli, Giustino Ferri e Luigi Capuana. Capuana incentivou Pirandello a se dedicar à escrita narrativa. Em 1893, ele escreveu sua primeira obra importante, Marta Ajala, que foi publicada em 1901 como L’Esclusa. Em 1894, publicou sua primeira coleção de contos, Amori senza Amori. E, ainda em 1894, desposou-se. Seguindo a sugestão de seu pai, casou-se com uma jovem tímida e retraída de boa família, de origem agrigentina, educada pelas freiras de San Vincenzo: Maria Antonietta Portulano.