Luigi Lucheni ou Luccheni (Paris, 22 de abril de 1873 - Genebra, 19 de outubro de 1910) foi um anarquista italiano que em 10 de setembro de 1898 assassinou em Genebra a Imperatriz Isabel da Baviera - conhecida como Sissi.
Sua mãe, Luigia Lacchini (ou Lucchini), fora uma serviçal na casa da rica família de Albareto di Borgotaro, em Parma. Luigia engravidou depois de se relacionar com o filho de seu patrão e, desesperada, viajou para Paris, onde viria a nascer seu filho.
Sem perspectivas e prevendo as pressões sociais que pesariam sobre ela na condição de mãe solteira, Luigia abandonou seu bebê no Hospice des Enfants Assistés e pegou um navio para a América e nunca mais teve nenhum tipo de contato com seu filho. Por um erro de transcrição o sobrenome da criança foi registrado de uma forma "afrancesada": Lucchéni.
Lucheni passou a infância no orfanato Enfants Trouvés de Paris e depois na Itália em outro orfanato de famílias pobres onde era malnutrido e maltratado, o que o levou à mendicância. Para fugir de sua vida amarga, com catorze anos ele escapou de Albareto e começou a vagar pela Europa.
Prestou o serviço militar no regimento de cavalaria "Monferrato", em Nápoles. Participou como cavaleiro na guerra na África oriental onde prestou serviços sob as ordens do príncipe Raniero de Vera d'Aragona com quem continuou a trabalhar até o fim da guerra, frequentando indiretamente a alta sociedade local. Ambicionava o posto de diretor de cárcere, que não lhe foi dado, e por essa razão deixou Nápoles tornando a vagar errante pela Europa em busca de trabalho para sobreviver.
Depois de passar por toda a Europa e ter pensado em emigrar para a América, transferiu-se para Lausanne (Suíça), onde começou a frequentar grupos de anarquistas, politicamente ativos e favoráveis às táticas terroristas dos mais fervorosos. Foi lá que teve contato com as histórias de Ravachol, Auguste Vaillant e de outros adeptos da Propaganda pelo Ato. Especula-se que neste período Luigi Lucheni se dispôs a cometer regicídio, não importando a ele quem seria sua vítima.
Sem dinheiro suficiente para comprar uma arma de fogo ou um simples punhal, em um local indeterminado comprou uma lima triangular muito grossa que afiou até que ficasse parecida com um estilete. Lucheni adaptou ainda a lima um cabo grosseiro feito com um pedaço rústico de madeira.
Pegou um barco e foi até Évian-les-Bainsn onde se hospedava a alta aristocracia européia e adquiriu um catálogo dos hóspedes ilustres, o Evian Programme, encontrado com ele no momento de sua prisão e hoje conservado nos arquivos de Estado de Genebra.
Quando chegou a Genebra em 5 de setembro de 1898 Lucheni pretendia executar o pretendente ao trono da França, príncipe Henrique d'Orleães, alguém havia lhe dito que o príncipe estaria em Genebra na ocasião. No entanto, em pouco tempo na cidade Lucheni ficou sabendo que o príncipe não apenas não estava na cidade, mas já estava morto havia quase um ano, por conta de um infarto fulminante, na primavera de 1897.
Sem um alvo para o magnicídio, perambulou pelas ruas de Genebra onde encontrou Giuseppe Abis della Clara, um italiano como ele, com quem havia servido na cavalaria de Nápoles. Tratador dos cavalos de uma empresa de transportes em Genebra, Giuseppe vinha de uma família que havia servido fielmente ao Império Austro-Húngaro por várias gerações. A despeito disso, foi Giuseppe quem informou a Lucheni da chegada a Genebra da Imperatriz Isabel da Áustria e que sugeriu: "aí está uma que você pode assassinar". Ela estava hospedada no Hotel Beau-Rivage acompanhada apenas pela condessa Irma Sztáray.
A notícia da presença da Imperatriz em Genebra foi publicada na Tribune de Genève apenas no dia seguinte porque ela viajava incógnita e havia recusado a proteção da polícia da cidade. Ela desembarcou às 13 horas do dia 9 de setembro de 1898 e partiu numa carruagem que a levou até ao Castelo de Pregny onde foi recebida por sua amiga, a Baronesa Rothschild, e só retornou ao hotel por volta das 18 horas. Depois do jantar ela saiu para passear a pé pelas ruas de Genebra acompanhada da condessa Sztaráy que lhe servia de dama de companhia, até à doceria Désarnod, próxima do Grand Théâtre.
Na manhã seguinte, saiu novamente para fazer compras. Vaidosa e a fim de esconder o declínio de sua beleza a Imperatriz, sempre vestida de preto depois do suposto suicídio do seu filho e herdeiro do trono Rudolfo de Habsburgo, costumava usar um véu ou sombrinha o que dificultava o seu reconhecimento. Ela deveria embarcar para Terrilet naquela tarde de 10 de setembro e Luigi Lucheni, que já havia visto de relance a imperatriz em Budapeste, se posicionou no cais Mont-Blanc armado com sua lima transformada em estilete escondida num ramo de flores.
Quando a Imperatriz passou pelo cais, Lucheni a reconheceu imediatamente, estava a espreita há um dia, sem encontrar ocasião para realizar seu plano.
Lucheni caminhou rapidamente entre os pedestres que passavam entre o cais de Mont-blanc e o monumento de Brunswick na direção da imperatriz e de sua dama de companhia. Ao chegar perto de Sissi, Lucheni rapidamente cravou a lima afiada do lado esquerdo de seu peito, com um único e preciso golpe e com tamanha força que passou pelo meio de duas de suas costelas, trespassou o pulmão esquerdo e perfurou um dos ventrículos de seu coração. Deixando Elisabeth caída no chão, Lucheni desapareceu em meio a multidão.
Aparentemente ilesa e ajudada por sua dama de companhia, a imperatriz é colocada de pé e decide seguir caminho para não perder o navio que estava para sair. Quando questionada sobre os motivos do atacante, Elisabeth concluiu que ele aparentemente lhe deu um soco para tentar lhe roubar o relógio de bolso.
A imperatriz conseguiu percorrer 150 metros até o navio, onde suas forças finalmente se esgotaram. Inconsciente ela desmaiou nos braços da dama de companhia. Assim que o navio partiu, a imperatriz despertou de novo, afirmando não estar sentindo dor. Perguntou então "o que aconteceu"? e estas seriam suas últimas palavras. Perdeu a consciência. Para facilitar sua respiração seus espartilhos foram rapidamente cortados e retirados, e por fim os presentes puderam ver uma pequena ferida com duas gotas de sangue ficou visível em seu peito. Então a dama de companhia informou a verdadeira identidade de Elizabeth ao comandante do navio. Não havendo nenhum médico a bordo, o navio retornou ao porto para que a Imperatriz fosse levada ao seu quarto de hotel em uma maca improvisada com remos. Uma hora depois, no quarto de hotel, após muitas tentativas de reanimação, a imperatriz estava morta.
A autópsia, realizada pelo Dr. Mégevand, mostrou que a lima havia atravessado 2,5 milímetros o ventrículo esquerdo, sendo que a ferida possuía ao todo 8,5 centímetros de profundidade. A imperatriz morreu vítima de hemorragia interna ocultada pela grande quantidade de roupas que vestia o que impediu o diagnóstico no momento do atentado.
Luigi Lucheni jamais soube que estava atendendo aos últimos desejos de sua vítima. Ele deu a Sissi a chance de morrer como havia desejado: uma morte imediata, sem dor, longe da sua família para não amedrontá-la, e cercada pela cidade que tanto apreciava.