Dom Frei Lucas Moreira Neves, O.P. GCIH (São João del-Rei, 16 de setembro de 1925 — Roma, 8 de setembro de 2002) foi um frei e cardeal brasileiro, que foi Primaz do Brasil e serviu em diversos dicastérios da Cúria Romana, além de imortal da Academia Brasileira de Letras, Cadeira 12, e da Cadeira 6 da Academia de Letras da Bahia.
Luis Moreira Neves (nome de batismo) era filho de Telêmaco Victor Neves e Margarida Alacoque Moreira Neves, seu pai era bibliotecário municipal em São João del-Rei, professor de música e regente. Sua mãe era professora primária.
Realizou seus estudos primários e ginasiais em São João del Rei no período de 1933 a 1938. Estudou no Seminário Menor de Mariana, Minas Gerais, até 1943.
Lucas Moreira Neves ingressou na Ordem dos Dominicanos no dia 6 de março de 1944, aos dezoito anos de idade, passando a se chamar Frei Lucas. Emitiu os primeiros votos no dia 7 de março de 1945 e professou solenemente no dia 7 de março de 1948, no convento de Saint-Maximin, em Fréjus, na França.
Frei Lucas cursou o triênio de Filosofia em São Paulo, no Convento Santo Alberto Magno, no período de 1945 a 1947. Em 1948 iniciou estudos teológicos na École Théologique Dominicaine de Saint-Maximin, na comuna francesa de Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, no departamento de Var.
Foi ordenado sacerdote no dia 9 de julho de 1950, pelas mãos de dom Alexandre Gonçalves do Amaral, bispo de Uberaba, em Fréjus.
Após sua ordenação, até 1953, atuou em São Paulo. Foi Vice-Mestre de Noviços; Assistente eclesiástico da Juventude Estudantil Católica Arquidiocesana. No período de 1957 a 1967, permaneceu no Convento de Santo Tomás de Aquino no Rio de Janeiro, durante este período de grande efervescência política no Brasil e no seio da Ordem Dominicana, foi Assistente Eclesiástico da Juventude Universitária Católica Arquidiocesana; Vice-Prior do Convento. Ensinou na Escola de Teatro da Ação Social Arquidiocesana (ASA), atuando ativamente no meio teatral, intelectual e artístico do Rio de Janeiro. No período de 1959 a 1965, foi Vice-Assistente Nacional do Movimento Familiar Cristão. Foi também responsável pelo Departamento de Formação Religiosa da Conferência dos Religiosos do Brasil (1966-1967).
No dia 9 de junho de 1967, o Papa Paulo VI o escolhe para ser bispo-auxiliar de São Paulo. Sua ordenação episcopal com o título de bispo-titular de Ferradi Maius deu a 26 de agosto de 1967, pelas mãos de Dom Agnelo Cardeal Rossi, Arcebispo de São Paulo, coadjuvado por Dom Delfim Ribeiro Guedes, Bispo de São João del Rei e Dom Alain du Noday, OP, Bispo de Porto Nacional. Escolheu como lema de vida episcopal parte do versículo do Salmo 63 (62): DE LUCE VIGILO (Deus Deus meus ad te de luce vigilo sivitit in te - Ó Deus, tu és o meu Deus, desde a aurora vos busco).
Na Arquidiocese de São Paulo, foi Vigário Episcopal para a Pastoral Familiar e Vigário Geral para a Pastoral dos Meios de Comunicação Social. Exerceu a função de consultor da Cúria Romana no período de 1972 a 1974.
Dom Lucas foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 7 de março de 1974, Vice-Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, órgão da Cúria Romana. Nesta função participou da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla de los Angeles, México, em 1979.
No dia 15 de outubro de 1979, o Papa João Paulo II o nomeia Secretário da Congregação para os Bispos e Secretário do Sacro Colégio dos Cardeais. Nesta data foi elevado à dignidade de arcebispo-titular de Ferradi Maius.
Durante sua permanência na Cúria Romana, foi também membro dos seguintes órgãos: Secretariado do Sínodo, Pontifícia Comissão "Justiça e Paz", Pontifícia Comissão para a Pastoral da Migração e do Turismo, Pontifícia Comissão para a América Latina e do Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais. Foi ainda consultor da Sagrada Congregação para os Bispos e da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.
A 2 de setembro de 1983, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.
No dia 3 de janeiro de 1987, o Papa João Paulo II lhe atribuiu a sé titular de Forum Novum (Vescovio) em lugar do título de Ferradi Maius, com o título de arcebispo.
No dia 9 de julho de 1987, foi nomeado pelo Papa João Paulo II, arcebispo metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, sucedendo a Dom Avelar Cardeal Brandão Vilela que falecera a 19 de dezembro de 1986. Recebeu o pálio arquiepiscopal das mãos do Sumo Pontífice, em Roma, no dia 5 de setembro de 1987. Sua posse solene deu-se em praça pública em Salvador, no dia 27 de setembro deste mesmo ano, em cerimônia presidida pelo Cardeal Bernardin Gantin, Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos, da Cúria Romana, com a presença de diversas autoridades religiosas e civis.
Os seus 11 anos como arcebispo em Salvador foram repletos de polêmicas. Alinhado com a ala conservadora da Igreja desde o início de seu ministério, ele se opôs ao sincretismo religioso, uma característica marcante da cultura baiana que une o catolicismo ao candomblé. Chegou a proibir a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, mas teve que recuar devido à forte reação dos fiéis. Além disso, ele frequentemente criticava a continuidade das festividades de carnaval na Quarta-Feira de Cinzas.
No Consistório do dia 28 de junho de 1988, presidido pelo Papa João Paulo II, Dom Lucas foi criado cardeal com o título dos Santos Bonifácio e Aleixo, do qual tomou posse solenemente no dia 9 de outubro do mesmo ano. Neste consistório foi também criado cardeal o brasileiro Dom José Freire Falcão.
No dia em que recebeu a notícia de sua ascensão ao cardinalato, Dom Lucas celebrou em uma comunidade da periferia de Salvador onde anunciou ao povo a recente criação.