Neste Dia

Lucélia Santos

Atriz e diretora de cinema brasileira

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Maria Lucélia dos Santos (Santo André, 20 de maio de 1957) é uma atriz, diretora de teatro e produtora brasileira. Conhecida por protagonizar novelas de repercussão mundial, Santos é uma das atrizes mais renomadas do país. Ela já ganhou vários prêmios, incluindo dois prêmios de Melhor Atriz pelo Festival de Brasília e um pelo Festival de Gramado, além de ter recebido indicações para um Prêmio Mambembe e dois Troféus Imprensa.

Lucélia iniciou sua carreira ainda na adolescência estreando nos palcos aos catorze anos de idade em Dom Chicote Mula Manca e seu Fiel Companheiro Zé Chupança (1971). Sua descoberta, no entanto, se deu ao protagonizar a novela Escrava Isaura (1976) no papel da protagonista-título. Esse trabalho a levou ao estrelato internacional, sendo uma das telenovelas brasileiras mais exportadas no mundo. A atuação lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Estrangeira no Golden Eagle Awards, com mais de 300 milhões de votos, na China.

Na televisão, após o sucesso de Escrava Isaura, Santos passou a ser requisitada para protagonizar inúmeros outros sucessos na TV Globo, tornando-se uma das atrizes mais populares no Brasil na década de 1970 e 1980. Ela alcançou ainda mais sucesso nos anos seguintes com as novelas Locomotivas (1977), Feijão Maravilha (1979), Água Viva (1980), Ciranda de Pedra (1981), Guerra dos Sexos (1983) e Vereda Tropical (1984), sendo nomeada ao Troféu Imprensa de Melhor Atriz por essa última. Em 1986, voltou a ser prestigiada por protagonizar mais uma novela de época, em Sinhá Moça. Em 1987, protagonizou a polêmica novela Carmem, na Rede Manchete, no papel da ambiciosa Carmem. Por esse trabalho, recebeu sua segunda indicação ao Troféu Imprensa de Melhor Atriz.

No cinema, Lucélia tornou-se a principal artista da obra de Nelson Rodrigues, arrastando e lotando os cinemas a cada lançamento. Alcançou reconhecimento da crítica nos filmes Engraçadinha (1981), pelo qual recebeu seu primeiro Troféu Candango de Melhor Atriz no Festival de Brasília; Luz del Fuego (1982), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no prestigiado Festival de Gramado; As Sete Vampiras (1986); Baixo Gávea (1986); e, Vagas para Moças de Fino Trato (1993), saindo-se vencedora do Troféu Candango de Melhor Atriz no Festival de Brasília pela segunda vez por esse. Utilizando sua influência e sucesso internacional, Lucélia Santos se torna também uma das principais vozes brasileiras da causa ambiental, onde se dedica de forma conjunta com seu processo artístico há mais de três décadas. Suas recentes atuações profissionais apontam para um universo social, ecológico, interfronteiras, conectando povos e culturas excluídas do mundo globalizado. Em 2022, a atriz comemora 50 anos de carreira profissional. No mesmo ano, concorreu a deputada federal no Rio de Janeiro pelo PSB, mas não foi eleita.

Maria Lucélia dos Santos nasceu e se criou em Santo André, São Paulo. Filha do operário Maurílio Simões dos Santos e de Maria Moura dos Santos, a atriz tem dois irmãos: Maurílio Wagner e Cristina Santos, esta também atriz.

Aos 9 anos, Lucélia ouviu no rádio a atriz Cacilda Becker chamando crianças para fazer um teste para um papel em uma de suas peças, mas sua mãe não permitiu que ela atuasse. Ela desenvolveu o gosto pelas artes cênicas desde que viu a peça A Moreninha, protagonizada por Marília Pêra, em um passeio escolar. Lucélia ficou completamente fascinada com o espetáculo e decidiu que seria atriz pelo resto de seus dias.

1971—76: Início e ascensão internacional em Escrava Isaura

Estreou nos palcos aos 14 anos, na peça infantil Dom Chicote Mula Manca e seu Fiel Companheiro Zé Chupança, substituindo a atriz Débora Duarte, que havia se mudado para o Rio de Janeiro para estrelar a novela Bicho do Mato, da TV Globo. Ela foi então convidada por Eugênio Kusnet para participar de seu curso intensivo de artes cênicas de dois anos, decidindo se dedicar ao estudo de atuação.[carece de fontes?] Após o curso, Lucélia atuou em uma produção de Godspell, que foi apresentada em uma lona de circo no bairro carioca de Botafogo. Terminou o ensino médio no Rio, onde prestou vestibular para Medicina por imposição do pai. Ela não conseguiu entrar na universidade, pois já estava profundamente envolvida com sua carreira de atriz.

Lucélia trabalhava como recepcionista em uma clínica de emagrecimento antes de estrelar as produções das peças The Rocky Horror Show e Transe no 18. Lucélia foi convidada para estrelar o filme Paranóia em 1976, aos 19 anos. A estreia do filme nos cinemas ocorreu apenas em 1977. Depois de três outros pequenos papéis em filmes malsucedidos, foi então convidada para protagonizar a telenovela Escrava Isaura, que conta a história da luta de uma escrava de pele branca para encontrar a felicidade durante o Império do Brasil. A novela, baseada no romance homônimo do escritor abolicionista do século XIX Bernardo Guimarães, é o programa mais dublado da história da televisão mundial, segundo pesquisa do Good Morning America. Antes de ser convidada para o papel principal pelo escritor Gilberto Braga e pelo diretor Herval Rossano, Lucélia havia sido recusada várias vezes pela Globo. Ela até conseguiu um papel no Estúpido Cupido, mas acabou por motivos financeiros.

Inicialmente, a produção seria estrelada por Débora Duarte, que não pôde fazê-la por estar grávida. Gilberto Braga queria a atriz Louise Cardoso para o papel, mas Lucélia foi a escolhida por fim. A telenovela, que estreou em 11 de outubro de 1976, foi o primeiro trabalho da atriz na televisão e foi um sucesso gigantesco, projetando a carreira de Lucélia Santos internacionalmente de forma definitiva. A interpretação dela foi tão intensa e emocionante que conquistou o público e a crítica especializada, tornando-se um marco na televisão brasileira. A atriz trouxe à vida uma personagem forte e determinada, que enfrentava as injustiças e os preconceitos de sua época com coragem e perseverança.

Além da atuação marcante de Lucélia, Escrava Isaura também foi um sucesso devido ao seu enredo emocionante e bem construído, que retratava de forma realista a vida das pessoas escravizadas no Brasil do século XIX. A novela levantou importantes questões sociais e raciais, mostrando a luta dos escravos por sua liberdade e dignidade. Com a novela viajou para vários países como Rússia, Polônia e China. Em 1985 ganhou o Golden Eagle Awards, oferecido pela primeira vez a uma artista estrangeira pela população chinesa através do voto direto, conquistando 300 milhões de votos.

Com a fama internacional conquistada com a novela Escrava Isaura, visitou, como convidada, vários países e inclusive integrou comitiva de Presidentes da República. Com Fernando Henrique Cardoso esteve na China, onde foi efusivamente recepcionada pelo primeiro-ministro Deng Xiao Ping. Santos passou a ser considerada embaixadora cultural do Brasil na China, com visitas frequentes ao país e rodando em 2008 um filme gravado em ambos os países, Um Amor do Outro Lado do Mundo (Destino). Depois da Independência de Timor-Leste, em 2001, Lucélia Santos realizou um documentário sobre este novo país, Timor Lorosae - O Massacre Que o Mundo não Viu, que foi censurado no 8º Festival Internacional de Cinema de Jacarta.

1977—83: Locomotivas, Feijão Maravilha, Água Viva e Guerra dos Sexos

Após o sucesso em Escrava Isaura, Lucélia passou a ser requisitada para personagens de destaque em várias produções na televisão e no cinema. Em 1977, fez participação em Caso Especial no episódio "A Ordem Natural das Coisas" e desempenhou seu segundo papel em telenovelas em Locomotivas , outro grande sucesso da teledramaturgia brasileira, como "Fernanda", uma jovem rebelde que foi dada para adoção ainda na infância por sua mãe "Milena" (Aracy Balabanian) e anos depois se apaixona pelo namorado dela, "Fábio" (Walmor Chagas), sem saber que este era o amado de sua mãe. Esse era o seu segundo trabalho em novelas e, inicialmente, ele havia sido escalada para viver a mocinha da novela, a rica e infeliz "Patrícia". No entanto, ela pediu para que seu papel fosse trocado para o da jovem rebelde e espivitada, diferente do que havia feito em Escrava Isaura. A mocinha acabou sendo interpretada por Elizângela.

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