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Luís da Cunha Moreira

Almirante e nobre brasileiro

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Luís da Cunha Moreira, 1.º barão e visconde com grandeza de Cabo Frio (Salvador, 1 de outubro de 1777 — Rio de Janeiro, 28 de agosto de 1865), foi um militar português nascido no Vice-Reino do Brasil. Foi ministro da Marinha de 1822 a 1823, durante o reinado de D. Pedro I.

Filho de Luís da Cunha Moreira, comandante português de navios mercantes que faziam a rota da Índia e do Brasil, e de Joaquina Maria de Santana, brasileira. Em 1784, aos sete anos de idade, mudou-se com a família para Lisboa. Casou-se em 1810 com Maria Rita.

Em 1795, ingressou na Academia Real de Marinha, em Lisboa. Concluído o curso, foi declarado Guarda-Marinha em 1798 e teve seu primeiro embarque no Brigue Gavião, seguido da Fragata Vênus. Em 1799, já como Segundo-Tenente, recebeu seu primeiro comando: a Charrua São João Magnânimo, que conduziu de Belém do Pará a Lisboa. Serviu posteriormente na Nau Medusa, no Cúter D. Rodrigo de Souza — com o qual capturou uma escuna dos Estados Unidos que praticava comércio ilícito no litoral paulista em 1802 — e na Fragata São João do Príncipe.

Transferência da Corte e Tomada de Caiena

Em 1807, embarcou como Ajudante de Ordens na Nau Príncipe Real, capitânia da esquadra que escoltou a Família Real Portuguesa em sua transferência para o Brasil, fugindo das tropas napoleônicas. A esquadra chegou à Bahia em janeiro de 1808 e à Rio de Janeiro em março do mesmo ano.

No contexto da retaliação portuguesa à invasão francesa, participou da expedição destinada a conquistar Caiena, capital da Guiana Francesa. Comandou o Brigue Infante D. Pedro e, durante o desembarque no Rio Aproak, liderou dezoito luso-brasileiros contra as defesas inimigas, sendo ferido na cabeça por um golpe de sabre, o que lhe deixou uma cicatriz permanente. A praça de Caiena rendeu-se em janeiro de 1809. Por sua atuação, foi promovido a Capitão de Fragata e agraciado Cavaleiro da Real Ordem da Torre e Espada.

Campanhas no Prata e em Pernambuco

Após passagem pelo Brigue Gaivota, integrou a expedição do General Lecor à Cisplatina, servindo na Nau Vasco da Gama. Destacou-se ao voluntariar-se por duas vezes para missões de reconhecimento das posições inimigas em Maldonado, informação que garantiu o efetivo bloqueio do porto.

Durante a Revolução Pernambucana de 1817, comandou a Fragata Thetis no bloqueio de Recife, sendo o primeiro oficial a desembarcar para organizar o guarnecimento dos fortes e sinalizar o desembarque seguro do restante da esquadra.

Independência do Brasil e Ministério da Marinha

Em 1822, já como Capitão de Mar e Guerra, comandou a Corveta Maria da Glória na divisão naval enviada para bloquear Salvador, então sob controle de tropas leais a Portugal. Durante a missão, sua tripulação foi alvo de conspiração, o que o levou a solicitar a abertura de inquérito ao retornar à Rio de Janeiro.

Após a proclamação da Independência, foi nomeado em 28 de outubro de 1822 como o primeiro brasileiro nato a ocupar o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha.

Em 10 de novembro de 1822, o Pavilhão Nacional tremulou pela primeira vez em um navio de guerra brasileiro, a Nau Martim de Freitas, rebatizada D. Pedro I, marcando o nascimento da Esquadra Imperial.

À frente do ministério, enfrentou a escassez de recursos e a precariedade dos arsenais, recorrendo a subscrições nacionais para reparar navios e aparelhar a força naval. Coordenou o apoio logístico essencial para o bloqueio de Salvador em 1823, que culminou na fuga das forças portuguesas. Em novembro de 1823, negou-se a subscrever o decreto de dissolução da Assembleia Constituinte, sendo demitido do cargo. Posteriormente, foi nomeado Vogal do Conselho Supremo Militar e de Justiça.

Cargos posteriores e últimas honrarias

Em 1827, como Chefe de Esquadra e Conselheiro de Estado, assumiu a Inspetoria do Arsenal de Marinha. No ano seguinte, tornou-se Comandante da Companhia de Guardas-Marinha e Diretor da Academia Nacional e Imperial de Guardas-Marinha. Em 1829, foi nomeado Intendente de Marinha. Em 1831, recusou a presidência da Província do Grão-Pará, preferindo manter-se nas funções militares.

Foi promovido a Vice-Almirante em 1839, agraciado Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa em 1844 e reformado como Almirante em 1849. Em 1854, recebeu a grã-cruz da Imperial Ordem de São Bento de Avis. Em reconhecimento às décadas de serviço prestados à Coroa, o imperador D. Pedro II concedeu-lhe, em junho de 1858, o título de Visconde com grandeza de Cabo Frio. Foi também agraciado com a grã-cruz da Imperial Ordem de Avis e grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa.

A participação de Luís da Cunha Moreira nas Guerras Napoleônicas deu-se em dois momentos principais: a escolta da Família Real Portuguesa na fuga para o Brasil em 1807-1808 e a conquista de Caiena em 1809. Nesta última, comandou o Brigue Infante D. Pedro e liderou o desembarque que resultou na tomada da capital da Guiana Francesa, ação pela qual foi ferido em combate e condecorado com a Real Ordem da Torre e Espada.

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Luís da Cunha Moreira | World in Stories