Luís II (Munique, 25 de agosto de 1845 – Lago de Starnberg, 13 de junho de 1886), apelidado de "Rei Cisne" ou "Rei de Conto de Fadas", foi o Rei da Baviera de 1864 até ser deposto três dias antes de sua morte. Era o filho mais velho do rei Maximiliano II e sua esposa, a princesa Maria da Prússia.
Ele ascendeu ao trono aos dezoito anos de idade. Dois anos depois a Baviera foi subjugada pela Prússia e posteriormente absorvida dentro do Império Alemão. Luís permaneceu como rei, porém praticamente ignorou tais assuntos de estado e concentrou-se em projetos artísticos e arquitetônicos. Ele encomendou a construção de dois palácios luxuosos e o Castelo de Neuschwanstein, sendo um grande patrono do compositor Richard Wagner.
Luís gastou todas as rendas reais nesses projetos, realizando grandes empréstimos e ignorando todas as tentativas de seus ministros para impedi-lo. Isso depois foi usado contra ele para declará-lo insano, uma acusação que desde então foi refutada.
Luís é geralmente bem considerado e até reverenciado na Baviera atualmente. Seu legado artístico e arquitetural inclui muitos dos principais pontos turísticos da região.
Nascido no Palácio Nymphenburg, hoje localizado nos subúrbios de Munique, Luís era o filho mais velho de Maximiliano II da Baviera, (então príncipe herdeiro) e da sua esposa Princesa Maria da Prússia. Os seus pais pretendiam batizá-lo como Otto, mas o seu avô, Luís I da Baviera, insistiu que o neto recebesse o seu nome, uma vez que ambos haviam nascido no dia 25 de agosto, dia de São Luís, padroeiro da Baviera. O seu irmão mais novo, nascido três anos depois, foi batizado como Otto.
Como jovem herdeiro numa época em que quase toda a Europa era composta por monarquias, Luís era continuamente lembrado do seu estatuto de realeza. Maximiliano II quis instruir ambos os filhos sobre os encargos e responsabilidades reais desde muito cedo. Luís era extremamente mimado e severamente controlado pelos seus tutores que o submetiam a um regime rigoroso de estudo e exercício. Há quem aponte estas tensões derivadas do crescimento no seio de uma família real como causas para o seu comportamento bizarro na idade adulta. Luís não teve afinidade com os seus pais. Os conselheiros do Rei Maximiliano sugeriam-lhe que, nos seus passeios diários, poderia eventualmente fazer-se acompanhar pelo seu sucessor. O rei respondeu: "Mas que vou eu dizer-lhe? Afinal, meu filho não tem qualquer interesse no que as outras pessoas lhe dizem". Anos mais tarde, Luís passou a referir-se à mãe como "a consorte do meu antecessor". Luís terá sido muito mais próximo do seu avô, o rei Luís I, que provinha de uma família de excêntricos.
Na sua infância houve momentos de felicidade. Passava a maior parte do tempo no Castelo de Hohenschwangau, um castelo fantasista construído pelo pai perto do Schwansee (Lago dos Cisnes), perto de Füssen. A decoração apresentava motivos góticos com inúmeros frescos que retratavam as sagas germânicas. A família também viajava frequentemente para o Lago de Starnberg. Na adolescência, Luís tornou-se grande amigo de seu ajudante de ordens, o príncipe Paulo, da abastada família Thurn und Taxis. Ambos cavalgavam juntos, liam poesia em voz alta e encenavam cenas das óperas românticas de Wagner. A amizade chegou ao fim quando Paulo ficou noivo, em 1866. Nessa época, Luís também iniciou uma amizade duradoura com uma prima distante, a duquesa Isabel da Baviera, apelidada de Sissi, que viria a tornar-se Imperatriz da Áustria e Rainha da Hungria através do seu casamento com Francisco José I.
Início do reinado e as guerras
Luís havia acabado de completar 18 anos quando o pai morreu subitamente, deixando-lhe o trono da Baviera. Embora não estivesse totalmente preparado para o cargo, sua juventude e boa aparência o tornaram popular na Baviera. Um dos seus primeiros atos como rei foi convocar o compositor Richard Wagner para a sua corte em Munique poucas semanas depois da sua ascensão ao trono. Wagner tinha uma notória reputação de revolucionário e namorador e estava constantemente em fuga dos credores. Luís admirava Wagner desde a adolescência, depois de ter assistido às óperas Lohengrin e Tannhäuser aos 15 anos. As composições de Wagner apelavam à imaginação e fantasia do rei e preenchiam um vazio emocional. Em 4 de maio de 1864, Wagner, aos 51 anos de idade, foi recebido em audiência com Luís II no Palácio Real de Munique. Após sua primeira reunião com o rei, Wagner escreveu: "Ah, é tão elegante e inteligente, emotivo e encantador, que temo que sua vida derreta neste mundo vulgar como um sonho fugaz dos deuses." O rei foi provavelmente quem salvou a carreira de Wagner. Acredita-se que as composições posteriores de Wagner, bem como sua estreia no prestigiado Teatro Real de Munique (atual Ópera do Estado Bávaro), jamais teriam acontecido sem o patronato de Luís.
Um ano após a audiência com o rei, Wagner apresentou a aclamada ópera Tristan und Isolde em Munique. Mas o comportamento extravagante e escandaloso do compositor desagradou o povo conservador da Baviera e Luís foi forçado a pedir a Wagner que deixasse a capital seis meses depois, em dezembro de 1865.
O interesse cénico de Luís não se limitava a Wagner. Em 1864, promoveu a construção de um novo teatro real, conhecido hoje com Staatstheater am Gärtnerplatz, confiando a sua direção a Karl von Perfall em 1867. Luís desejava levar a Munique o melhor do teatro europeu e, com o auxílio de Perfall, apresentou ao público bávaro obras de Shakespeare, Calderón, Mozart, Gluck, Ibsen, Weber e muitos outros. Também contribuiu para melhorar substancialmente o padrão de interpretação de obras de Schiller, Molière e Corneille.
Entre 1872 e 1885, o rei assistiu a 209 apresentações privadas (Separatvorstellungen) como único espectador, ou com um convidado, em dois teatros da corte, perfazendo um total de 44 óperas, sendo 28 de Wagner incluindo oito apresentações de Parsifal, 11 balés e 154 peças, num custo total de 97 300 marcos alemães.
O factor de maior tensão durante o início do reinado foi a pressão para conceber um herdeiro, e as relações com a Prússia militarista. Ambos os assuntos se tornaram proeminentes em 1867.
Luís ficou noivo da duquesa Sofia Carlota da Baviera, sua prima e irmã mais nova de sua grande amiga, a imperatriz Isabel da Áustria. O noivado foi divulgado em 22 de janeiro de 1867, mas depois de adiar várias vezes a data do casamento, Luís acabou por cancelar o compromisso em outubro. Poucos dias antes do anúncio, Sofia recebera uma carta do rei dizendo-lhe o que já sabia: "O que sustentou a nossa relação foi sempre … o destino notável e profundamente comovente de Richard Wagner". Após o término do noivado, Luís escreveu para sua ex-noiva: "Minha amada Elsa! Seu pai cruel nos separou. Eternamente seu, Heinrich" (os nomes Elsa e Heinrich referiam-se a personagens das óperas de Wagner). Luís nunca se casaria, mas Sofia casou-se mais tarde com Fernando de Orléans, duque d'Alençon.
Ao longo do seu reinado, Luís teve uma sucessão de amizades íntimas com outros homens, incluindo seu escudeiro e mestre do cavalo, Richard Hornig (1843-1911), o ator de teatro húngaro Josef Kainz e o cortesão Alfons Weber. Começou a anotar num diário os seus pensamentos íntimos e as suas tentativas de reprimir o desejo sexual e permanecer fiel à sua fé católica romana. Os diários originais de 1869 perderam-se durante a Segunda Guerra Mundial e o que resta hoje são cópias das anotações feitas durante a conspiração para a sua deposição em 1886. A transcrição destes diários, juntamente com cartas e outros documentos pessoais sobreviventes, sugerem que Luís II era homossexual e que lutou contra seus sentimentos ao longo da vida. A homossexualidade não era punível na Baviera desde 1813. Alguns diários anteriores sobreviveram na Geheimes Hausarchiv de Munique e trechos registrados a partir de 1858 foram publicados por Evers em 1986.
As relações com a Prússia tornaram-se o centro das atenções a partir de 1866. Durante a Guerra das Sete Semanas que começou em julho, Luís concordou, assim como vários outros principados alemães, em tomar posição pelo lado da Áustria contra a Prússia. Quando os dois lados negociaram o fim da guerra, os termos requeriam que Luís aceitasse um tratado de defesa mútua com a Prússia.