Neste Dia

Louise Brooks

Atriz norte-americana

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Mary Louise Brooks (Cherryvale, 14 de novembro de 1906 - Rochester, 8 de agosto de 1985), era uma atriz, modelo e dançarina norte-americana conhecida como um símbolo flapper e por popularizar o corte de cabelo liso e curto que lançou moda e se tornou um ícone dos anos 20.

Brooks é mais conhecida como a protagonista de três filmes realizados na Europa: A Caixa de Pandora (1929), Diário de Uma Garota Perdida (1929) e Miss Europe (1930); os dois primeiros feitos por G. W. Pabst. Ela estrelou dezessete filmes mudos e oito filmes falados antes de se aposentar em 1938. Brooks publicou sua autobiografia, Lulu em Hollywood, em 1982; Três anos depois, ela morreu de ataque cardíaco aos 78 anos de idade.

Louise Brooks, nascida em 14 de novembro de 1906 em Cherryvale, Kansas, era filha de Leonard Porter Brooks, um advogado, que costumava estar muito ocupado com seu trabalho para disciplinar seus filhos, e Myra Rude, uma mãe artista que determinou que qualquer um dos "pirralhos que ela produziu poderiam cuidar de si mesmos". Rude era uma talentosa pianista que interpretava as mais recentes canções de Debussy e Ravel para seus filhos, inspirando-os com o amor pelos livros e música. Foi assim que ela influenciou Brooks a se tornar uma dançarina, que com apenas 4 anos de idade já estava nos palcos de sua cidade.

Quando tinha nove anos de idade, um vizinho abusou sexualmente de Louise. Este acontecimento teve uma grande influência na vida e carreira de Brooks, fazendo com que ela dissesse nos seus últimos anos que ela era incapaz de sentir amor verdadeiro e que esse homem "deveria ter tido muito a ver com a formação da minha atitude em relação ao prazer sexual. Para mim, homens agradáveis, suaves e fáceis nunca foram suficientes - tinha que haver um elemento de dominação". Quando Brooks finalmente contou a sua mãe do incidente, muitos anos depois, sua mãe sugeriu que deveria ter sido culpa de Louise por "provocá-lo".

Brooks começou sua carreira de entretenimento como dançarina, juntando-se à primeira companhia de dança moderna dos Estados Unidos, a Denishawn Dance Company, em Los Angeles (cujos membros incluíram os fundadores Ruth St. Denis e Ted Shawn, bem como a jovem Martha Graham) em 1922, com 15 anos de idade. Em 1923, faz diversas apresentações nos Estados Unidos e Canadá, sempre com muito sucesso. Um longo conflito pessoal entre Brooks e St. Denis acabou acontecendo, o que fez St. Denis despedir abruptamente Brooks da trupe em 1924, dizendo-lhe na frente dos outros membros: "Eu estou dispensando você da companhia, porque você quer vida entregue a você em uma bandeja de prata". As palavras deixaram uma forte impressão em Brooks; quando elaborou um esboço para um livro autobiográfico planejado em 1949, "A Bandeja de Prata" foi o título que ela deu ao décimo e último capítulo.

Graças a sua amiga Barbara Bennett (irmã de Constance e Joan), Brooks quase que imediatamente encontrou outro emprego como menina de coro nos "Scandals" de George White, seguida de uma aparição como dançarina em destaque na edição de 1925 do Ziegfeld Follies na Broadway. Como resultado de seu trabalho no Follies, ela chamou a atenção do produtor da Paramount Pictures, Walter Wanger, que a faz assinar um contrato de cinco anos com o estúdio em 1925. Ela também foi notada por Charlie Chaplin, que estava na cidade para a estreia de seu filme Em Busca do Ouro. Os dois tiveram um caso de dois meses naquele verão.

Foi, sem dúvida, uma atriz à frente de seu tempo. Dona de uma beleza incomum, também era dotada de uma personalidade fortíssima e uma determinação sem igual. Numa época em que a maioria dos atores e atrizes, para ter trabalho, tornavam-se submissos e eram explorados ao máximo, mal pagos, e frequentemente nem tinham seus nomes exibidos nos créditos dos filmes, o temperamento de Louise era por demais explosivo, e ela, ao não aceitar as normas vigentes na ainda jovem Hollywood, incomodou muito aos donos de estúdios.

Brooks estreou nas telas no filme mudo The Street of Forgotten Men (1925), em um papel não acreditado. Nessa mesma época se muda para Hollywood. Em pouco tempo, ela já estava atuando como protagonista em uma série de comédias leves, estrelando filmes com nomes de peso como Adolphe Menjou e W. C. Fields, entre outros.

Em um drama inicialmente sonoro, Mendigos da Vida (1928), de William A. Wellman, Brooks interpreta Nancy, uma menina abusada por seu pai adotivo, que o mata em um momento de desespero. Jim (Richard Arlen), um sem-teto, vê o assassinato e convence Nancy a se disfarçar de homem e escapar da lei "pegando carona" em trens com ele. Em um acampamento de sem-teto, ou "selva", eles conhecem outro sem-teto, Oklahoma Red (Wallace Beery). O disfarce de Nancy logo é descoberto e ela se encontra a única mulher em um mundo de homens brutais e carentes de sexo. Grande parte deste filme foi filmado em locação real, também teria tido uma das primeiras cenas de fala experimental dos filmes.

A essa altura em sua vida, ela estava se misturando com os ricos e famosos, e era uma convidada regular de William Randolph Hearst e sua amante, Marion Davies, em San Simeon, sendo amiga íntima da sobrinha de Davies, Pepi Lederer. Seu chamativo corte de cabelo ajudou a iniciar uma tendência: muitas mulheres modelaram seus cabelos imitando-a e também a sua colega estrela de cinema Colleen Moore. Nessa mesma época, ela foi notada na Europa por seu papel de vamp na filme mudo A Girl in Every Port (1928), de Howard Hawks, chamando a atenção de G. W. Pabst. Pabst estava há meses procurando por uma atriz para o papel de protagonista em seu novo filme. Quando descobre Brooks, Pabst quase que imediatamente entra em contato com a Paramount para pedi-la "emprestada", mas o estúdio nega, e nem sequer comunica a proposta a Louise.

Também em 1928, logo após o filme Beggars Of Life, Brooks discute com o produtor B. P. Schulberg, após o mesmo lhe negar um aumento prometido, e acaba deixando a Paramount, mesmo com o estúdio tentando amedrontá-la com a chegada do cinema sonoro. Apenas 30 anos depois, este movimento rebelde viria a ser considerado como o mais experiente de sua carreira, garantindo sua imortalidade como uma lenda de cinema mudo e de espírito independente. Louise acaba descobrindo a proposta de Pabst e embarca rumo à Alemanha para gravar o filme que viria a ser o seu maior sucesso: A Caixa de Pandora.

Durante esse tempo em que passou na Europa, a Paramount tentou contatá-la desesperadamente. O motivo? Antes de Brooks deixar o estúdio, havia acabado de gravar The Canary Murder Case (1929). O filme, que era inicialmente mudo, estava passando por um processo de edição para se tornar sonoro. e precisavam de Brooks para dublar sua personagem. Louise ignorou todas as formas de contato que o estúdio tentou fazer com ela, mas no final de 1929, quando retornou a Hollywood, o estúdio conseguiu fazer sua proposta. O cachê era bem alto para a época, U$ 10.000 dólares, mas Brooks, ainda aborrecida, recusou. Os produtores, então, fizeram um ultimato: Ou Louise aceitava, ou nunca mais trabalharia em Hollywood, no que Louise respondeu: "Quem quer trabalhar em Hollywood?", virou as costas e saiu. A atriz Margaret Livingston foi contratada para interpretar a voz de Brooks para o filme.

A Paramount cumpriu o que prometeu, e o fez muito bem, espalhando para cada estúdio que a voz de Brooks era inadequada e horrível quando gravada, e por isso não poderia dublar o filme. Num momento em que o cinema deixava de ser mudo e produções sonoras tomavam conta do mercado, a mentira teve um efeito fulminante na carreira de Louise, e fez com que ela fosse encostada em definitivo pelos produtores e esquecida pelo público.

Uma vez na Alemanha, estrelou o filme A Caixa de Pandora (1929), filme dirigido por Georg Wilhelm Pabst em seu período de Nova Objetividade, baseado em duas peças de Frank Wedekind (Erdgeist e Die Büchse der Pandora). No filme ela interpreta Lulu, uma mulher sedutora, que hipnotiza e destrói todos os homens que se aproximam dela. Há quem diga que sua tumultuada vida amorosa teria lhe servido de inspiração para a personagem. Este filme é notável por seu tratamento verdadeiro sobre os costumes sexuais modernos da época, incluindo uma das primeiras retratações lésbicas do cinema, com a Condessa Anna Geschwitz que era apaixonada por Lulu.

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