Louis Charles Joseph Blériot (Cambrai, 1 de julho de 1872 — Paris, 1 de agosto de 1936) foi um aviador, engenheiro e inventor francês. Ele desenvolveu o primeiro farol de automóvel de uso prático e estabeleceu um negócio rentável fabricando-os. Usou boa parte do dinheiro para financiar suas tentativas de construir um avião. Em 1909, ele adquiriu fama mundial fazendo a primeira travessia em aeronave mais pesada que o ar do Canal da Mancha. Blériot foi também o primeiro a construir um monoplano de uso prático (autônomo, motorizado e controlável). e fundador de uma bem-sucedida empresa de fabricação de aviões.
Como aviador francês, foi talvez o mais popular de todos, pois, graças a ele e sua travessia do canal, ficou demonstrada a utilidade do avião como instrumento militar (e mesmo de transporte de passageiros). Após seu pouso bem-sucedido na Inglaterra com o Blériot XI, o avião ganharia o status de uma máquina com o potencial para transformar as relações entre as nações.
Nascido no No. 17 da Rua l'Arbre à Poires (hoje em dia Rua Sadi-Carnot) em Cambrai, Louis foi o primeiro de cinco irmãos nascidos na família de Clémence e Charles Blériot. Aos 10 anos, Blériot foi enviado ao internato do Institut Notre Dame de Cambrai, onde ganhou vários prêmios, inclusive de desenho. Aos 15 anos, ele foi fazer a segunda parte do ensino médio em Amiens, onde viveu com uma tia. Após passar nos exames de bacharelato em Ciências e em Alemão, ele decidiu tentar entrar na École Centrale Paris. Após um ano de preparação no Collège Sainte-Barbe em Paris, ele conseguiu seu intento, obtendo o 74.° lugar entre os 243 candidatos que tiveram sucesso, se destacando nas provas de desenho. Após três anos de árduos estudos na École Centrale, Blériot graduou-se em 113° dos 203 de sua turma.
Depois disso, ele entrou no serviço militar obrigatório, servindo durante um ano como subtenente no 24.° Regimento de Artilharia, estacionado em Tarbes nos Pireneus. De volta à vida civil, ele obteve um emprego na Baguès, uma empresa de engenharia elétrica em Paris. Ele deixou a companhia após desenvolver o primeiro farol de automóvel prático, usando um pequeno gerador de acetileno. Em 1897, uma loja para exibir esse produto no No 41 da Rua de Richlieu em Paris. O negócio foi bem-sucedido e logo ele estava fornecendo seus faróis tanto para a Renault quanto para a Panhard-Levassor, duas das maiores fabricantes de automóveis da época.
Em Outubro de 1900, Blériot estava almoçando no seu restaurante habitual perto de sua loja, quando seus olhos vislumbraram uma jovem almoçando com seus pais. Naquela tarde, ele disse à sua mãe: "Eu vi uma jovem hoje. Eu vou me casar com ela, ou não vou me casar com nenhuma outra". Uma gorjeta para um garçom deu a ele os detalhes da identidade da jovem: ela era Alice Védères, filha de um oficial reformado do Exército. Blériot partiu para o namoro com a mesma determinação que o levou mais tarde aos experimentos na aviação, e em 21 de Fevereiro de 1901 os dois se casaram.
Experimentos iniciais na aviação
Blériot se interessou por aviação ainda na Ecole Centrale, mas os seus experimentos sérios, foram provavelmente incentivados vendo o Avion III de Clément Ader na Exposition Universelle de 1900. Naquela época, o negócio dos faróis estava indo tão bem que permitiu a Blériot dedicar tempo e dinheiro aos seus testes. Seus primeiros experimentos foram com uma série de ornitópteros que não foram bem-sucedidos. Em Abril de 1905, Blériot conheceu Gabriel Voisin, então empregado por Ernest Archdeacon para ajudar com seus planadores experimentais.
Em 8 de Junho de 1905, Blériot foi espectador das primeiras tentativas de Voisin com o seu planador anfíbio. Cinematografia era um dos interesses de Blériot, e o registro filmográfico desse voo foi feito por ele. O sucesso dessas tentativas o levou a encomendar uma máquina similar à Voisin, o planador Blériot II. Uma tentativa de voo nesse planador em 18 de Julho, terminou em queda, na qual Voisin quase se afogou, mas isso não deteve Blériot. Na verdade, ele sugeriu que Voisin deveria deixar o trabalho para Archdeacon e estabelecer uma parceria com ele (Blériot). Voisin aceitou a proposta, e os dois criaram a Ateliers d' Aviation Edouard Surcouf, Blériot et Voisin. Ativa entre 1905 e 1906, a companhia construiu duas aeronaves motorizadas que não obtiveram sucesso, o Blériot III e o Blériot IV, este último praticamente uma reconstrução do anterior. Ambos utilizavam motores leves da Antoinette, desenvolvidos por Léon Levavasseur. Blériot tornou-se acionista da empresa e, em Maio de 1906, passou a fazer parte da diretoria.
O Blériot IV sofreu danos enquanto taxiava em Bagatelle em 12 de Novembro de 1906. O desapontamento com a falha do seu avião foi acentuado pelo sucesso de Santos Dumont, que mais tarde naquele dia voou no seu 14-bis por 220 m, ganhando o prêmio do Aéro Club de France para o primeiro voo de mais de 100 metros, fato esse testemunhado por Blériot. A parceria com Voisin foi desfeita e Blériot criou sua própria empresa, a Recherches Aéronautiques Louis Blériot, onde ele começou a criar suas próprias aeronaves, fazer experiências com várias configurações e eventualmente criar o primeiro monoplano motorizado bem-sucedido.
O primeiro desses aviões, o Blériot V em configuração canard, fez seu primeiro voo em 21 de Março de 1907, quando Blériot limitou seus testes a corridas no solo, que resultaram em danos no trem de aterrissagem. Dois testes posteriores, também no solo, causaram mais danos. Eles foram seguidos por uma nova tentativa em 5 de Abril quando voou por cerca de 6 metros, cortou o motor e pousou, causando pequenos danos ao trem de pouso. Mais tentativas foram feitas, sendo a última em 19 de Abril, atingindo cerca de 50 km/h. A aeronave decolou, mas Blériot usou os controles de forma exagerada quando o nariz começou a se erguer, e a máquina caiu de nariz e capotou. A aeronave foi praticamente destruída, mas Blériot não se machucou.
Ele foi seguido pelo Blériot VI, um modelo com asas em tandem, testado pela primeira vez em 7 de Julho, quando não conseguiu decolar. Blériot aumentou um pouco a largura das asas e, em 11 de Julho conseguiu um voo curto de 25 a 30 metros e 2 m de altura. Esse foi o primeiro voo realmente bem-sucedido de Blériot. Outros voos bem-sucedidos foram obtidos naquele mês, e em 25 de Julho ele conseguiu um voo de 150 m. Em 6 de Agosto, ele conseguiu atingir uma altitude de 12 m, mas uma das lâminas da hélice se soltou, resultando num pouso forçado que danificou a aeronave. Depois disso, ele colocou um motor V-16 de 50 hp da Antoinette. Testes em 17 de Setembro mostraram melhoria na performance: a aeronave chegou rapidamente a uma altitude de 15 m, quando o motor cortou repentinamente e o avião entrou em parafuso de nariz. Desesperado, Blériot pulou de seu assento e se jogou em direção à cauda. A aeronave saiu parcialmente do mergulho e veio ao chão numa posição quase horizontal. Os ferimentos em Blériot limitaram-se a alguns cortes no rosto causados por fragmentos de vidro dos seus óculos de proteção quebrados. Depois dessa queda, Blériot abandonou o modelo e se concentrou no seu sucessor.
Este, o Blériot VII, era um monoplano com todas as superfícies distribuídas no que viria a se tornar, exceto o uso de movimentos do profundor para controle lateral, o layout moderno de aviões convencionais. Esse avião, cujo primeiro voo ocorreu em 16 de Novembro de 1907, foi reconhecido como o primeiro monoplano bem sucedido. Em 6 de Dezembro, Blériot conseguiu dois voos de mais de 500 m, incluindo uma curva em "U". Essa foi a conquista mais impressionante, até aquela data, de qualquer dos pioneiros franceses da aviação, levando Patrick Alexander a escrever ao major Baden Baden-Powell, presidente da Royal Aeronautical Society, relatando: "Eu retornei de Paris noite passada. Eu penso que Blériot com sua nova máquina está abrindo o caminho". Mais dois voos bem-sucedidos foram efetuados em 18 de Dezembro, mas o trem de pouso se despedaçou depois do segundo voo, o avião capotou e foi destruído. O próximo avião de Blériot, o Blériot VIII foi exibido à imprensa em Fevereiro de 1908. A primeira tentativa de voo resultou em falha, mas após algumas modificações, o sucesso foi obtido, e em 31 de Outubro de 1908, ele foi bem-sucedido num voo cruzando o país entre Toury e Arteny e de volta a Toury, com a distância total de 28 km. Este não foi o primeiro voo cruzando o país, por uma pequena margem, pois no dia anterior, Henri Farman voou entre Bouy e Rheims. Quatro dias depois, o avião de Blériot foi destruído num acidente enquanto taxiava.