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Louis Auguste Victor de Ghaisne de Bourmont

General francês (1773-1846)

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Louis Auguste Victor de Ghaisne (Freigné, 2 de Setembro de 1773 – Freigné, 27 de Outubro de 1846), conde de Bourmont, foi um militar e político francês, que atingiu o posto de marechal de França.

Monárquico e legitimista, foi um dos emigrados realistas que fez parte das forças do Exército do Reno que se opuseram à Revolução Francesa, tendo participado na guerra da Vendeia, chegando a liderar o movimento dos chouans. Apesar desse percurso, depois de se ter refugiado durante algum tempo em Portugal, acabou por ser incorporado nos exércitos napoleónicos, tendo participado na Guerra Peninsular e nas campanhas contra a Prússia e a Rússia. Durante os Cem Dias, desertou com o seu estado maior na véspera da batalha de Waterloo, juntando-se ao campo legitimista. Foi ministro da Guerra (1829) do rei Carlos X de França e o herói da conquista de Argel pelos franceses (1830). Após um percurso político e militar complexo, acabou por se refugiar novamente no Reino de Portugal, sendo então contratado por D. Miguel I de Portugal para comandar as tropas realistas durante a fase final da guerra civil portuguesa entre miguelistas e liberais. Tendo sido amnistiado, regressou à França em 1840, vindo a falecer no seu castelo natal.

Louis Auguste Victor de Ghaisne nasceu no castelo de Bourmont, em Freigné, a 2 de Setembro de 1773, primeiro filho de Louis-Marie-Eugène de Ghaisne, conde de Bourmont, e de sua esposa Joséphine Sophie de Coutances. Nascido de uma família de Anjou com uma tradição militar já secular, contando entre os seus antepassados alguns oficiais brilhantes, frequentou os estudos preparatórios para ingresso na carreira militar em Sorèze, de 1787 a 1790.

Aos 15 anos de idade, a 12 de Outubro de 1788, assentou praça no Regimento dos Guardas Franceses, com o posto de cadete. A 31 de Agosto de 1789, quando aquele corpo militar foi licenciado, voltou ao castelo natal de Bourmont, em Freigné, Maine-et-Loire, de onde, em finais de 1790, partiu na companhia de seu pai, então ajudante-de-campo do príncipe de Condé, para Turim, fugindo às perseguições desencadeadas pela Revolução Francesa.

A Revolução Francesa e a emigração realista

Pai e filho juntam-se em 1791 aos emigrados realistas, servindo neste período no Exército do Reno sob o comando directo do príncipe de Condé.

A 21 de Janeiro de 1791, o seu pai faleceu em Turim e ele regressa durante alguns meses a França, de visita a sua mãe. Procurando novamente refúgio no estrangeiro, juntou-se ao conde de Artois em Koblenz. Tendo-se formado naquela cidade um regimento de infantaria ligeira francesa, Bourmont foi nele nomeado como sous-lieutenant, então um posto equivalente ao de capitão.

Quando as unidades de emigrados foram dissolvidas, retirou-se para Bruxelas e, depois da batalha de Jemappes (1892), para Den Bosch, na província neerlandesa de Brabante.

Em 1795, obteve do príncipe de Condé permissão de partir para a Vendeia onde foi nomeado segundo-comandante das tropas do visconde de Scépeaux, sendo seu ajudante-general e recebendo o título de major-general. Fez a campanha, com resultados díspares, mantendo-se activo até à capitulação ocorrida a 21 de Janeiro de 1800.

Encarregado pelo visconde de Scépeaux de se encontrar com o príncipe de Condé para lhe solicitar a presença no oeste francês de um príncipe da família dos Bourbons, ele cumpre a sua missão, e durante a viagem de regresso recebe a notícia da desembarque dos emigrados realista e da batalha de Quiberon.

No mês de Janeiro de 1796, o visconde de Scépeaux encarrega o conde de Bourmont de ir a Inglaterra expor à liderança emigrada a situação que se vivia nas províncias sob domínio realista. Nessa viagem, Bourmont encontra o conde de Artois em Edimburgo e recebe das suas mãos a grã-cruz da Ordem de São Luís, ao mesmo tempo que o duque de Angoulême. Tinha então 22 anos de idade.

A partir da Inglaterra ele participa activamente na organização da campanha pró-monárquica para as eleições de 21 de Março de 1797, encarregando-se de organizar a propaganda monárquica nos departamentos franceses de Eure, Orne e das Côtes du Nord.

Foi-lhe confiado o comando das tropas realistas do Condado do Maine. Nestas funções, ele demonstrou uma actividade infatigável, organizando uma campanha de propaganda, preparando os planos de uma ofensiva militar na região, agrupando os seus homens em divisões, todas organizadas sob um mesmo modelo, o qual era seguido até ao mínimo detalhe. Esta capacidade organizativa seria uma constante da sua vida, sendo sua característica pessoal o cuidado e a minúcia com que organizava as forças sob o seu comando, que se reflectirão, depois, na conquista de Argel, que liderou em 1830.

Bourmont regressa à Vendeia, mas quando a paz foi restabelecida naquele região, por um acordo de cessar-fogo assinado pelos chefes monárquicos locais, ele pede ao general Louis Lazare Hoche permissão para regressar a Inglaterra, permissão que aparentemente lhe foi negada. Foi então deportado para a Suíça, sob escolta de um general republicano.

No ano seguinte, Bourmont adere novamente às movimentações militares contra a França revolucionária, indo secretamente a Paris, sob disfarce, com o objectivo de se juntar a um grupo que preparava uma conspiração, da qual Jean-Charles Pichegru era o inspirador. A prisão dos chefes militares inviabilizou a sublevação e Bourmont foi obrigado a fugir para Londres, onde permanece até 1799, ano em que a guerra civil se reacende em França.

Juntando-se a Georges Cadoudal, um dos chefes da insurreição na Vendeia, Bourmont desembarca em França no mês de Setembro de 1799, conseguindo recrutar um exército de 15 legiões no Condado de Maine, no Condado de Perche e na região de Chartrain, assumindo pessoalmente o comando das províncias de Maine e Perche.

Desta vez os soldados na sua maioria já não eram os veteranos da Guerra da Vendeia, mas sim chouans que em caso de necessidade pilhavam os cofres públicos e assaltavam as diligências. Ele próprio assume o pseudónimo chouan de Renardin.

Um mês depois do seu desembarque em França, iniciou a sua campanha militar e, a 14 de Outubro de 1799, as tropas realistas ocupam pela segunda vez Le Mans.

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