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Lorraine O'Grady

Artista conceitual norte-americana (1934–2024)

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Lorraine O'Grady (Boston, 21 de setembro de 1934 – Nova Iorque, 13 de dezembro de 2024) foi uma artista, escritora, tradutora e crítica de arte. Com uma carreira que expandiu mais de cinco décadas. O'Grady trabalhou com linguagens que vão da arte conceitual e arte performática e integra fotografia, instalação e vídeo. A artista explorou a construção cultural de identidade – particularmente a da subjetividade feminina negra – moldada pela experiência da diáspora. O'Grady estudou no Wellesley College e no Workshop para Escritores, da Universidade de Iowa. Ela alcançou o reconhecimento como artista aos 45 anos de idade.

Em relação ao propósito da arte, O'Grady disse em 2016: "Acho que o primeiro objetivo da arte é nos lembrar que somos humanos, seja lá o que for. Suponho que a política em minha arte poderia ser para nos lembrar que somos todos humanos."

O'Grady morreu em sua casa na cidade de Nova York, em 13 de dezembro de 2024, aos 90 anos.

O'Grady nasceu na cidade de Boston, Massachusetts, filha de pais jamaicanos, que ajudaram a estabelecer a Igreja de São Cipriano, a primeira igreja episcopal das Índias Ocidentais em Boston. A artista relembra se sentir visualmente atraída pela forma e estética da "igreja alta" da vizinha St. John's of Roxbury Crossing.

O'Grady se completou os estudos na Wellesley College, onde se formou em Economia e se especializou em Literatura Espanhola, no ano de 1955. Em 2017, O'Grady recebeu a homenagem Wellesley College Alumnae Achievement Award, pelo histórico de sua carreira.

A artista adquiriu o título de mestrado em Ficção na Universidade de Iowa, pelo Writers' Workshop antes de se dedicar a carreira de artista visual em 1980.

No início de sua carreira, O'Grady trabalhou como analista de inteligência para o Departamento de Trabalho e Estado em Washington D.C., tradutora profissional e crítica de rock. O'Grady vive e trabalha no Meatpacking District da cidade de Nova York.

No início dos anos 1980, O'Grady criou a persona de Mlle Bourgeoise Noire, que adentrava as aberturas de exposições de arte usando um longo vestido e uma capa feita de 180 pares de luvas brancas. Mlle Bougeoise Noire, distribuia flores, e depois se chicoteava, em um ato ao qual ela refere como "o chicote-que-fazia-as-plantações-mover".

No decorrer da acao, O'Grady gritava poemas de protesto que comentavam sobre as desigualdades e segregação racial no mundo da arte. Sua primeira apresentação como Mlle Bourgeoise Noire foi em 1980 na galeria Just Above Midtown de Linda Goode Bryant em Tribeca.

Em 1983, ela concebeu uma última performance participativa como Mlle Bourgeoise Noire chamada Art Is ..., que consistia em um carro alegórico, o qual ela inscreveu na Parada Anual Afro-Americana, no Harlem. O projeto se tornou "a peça de maior sucesso imediato de O'Grady". O carro alegórico foi conduzido por Adam Clayton Powell Boulevard, a própria artista (no personagem Mlle Bourgeoise Noire) e uma trupe de 15 artistas, pessoas negras e latinas, todas vestidas de branco, que andavam ao redor do carro alegórico e carregavam molduras douradas e vazias."

A performance não apenas encorajou os espectadores – principalmente pessoas de cor – a se considerarem arte, mas também chamou a atenção para o racismo no mundo da arte. Publicadas pela primeira vez mais de três décadas depois, as fotografias da performance de O'Grady continuam a celebrar a negritude e a reivindicar a arte de vanguarda como um meio negro.

Em setembro de 2022, O'Grady recebeu um perfil aos 88 anos em um artigo na The New Yorker Magazine.

O'Grady expôs pela primeira vez aos 45 anos, após anos de sucesso em diferentes carreiras como analista de inteligência do governo americano, tradutora literário e crítica de rock.

Seu trabalho, de cunho fortemente feminista, tem sido amplamente exibido, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. A performance inicial de O'Grady Mlle Bourgeoise Noire foi revisitada pela critica de arte internacional, ao ser colocada como trabalho de entrada na exposição histórica WACK! Art and the Feminist Revolution, no Los Angeles County Museum of Art ou LACMA, em 2007.

Em 2009, O'Grady estampou o artigo da capa da revista de Artforum, e sua apresentação individual na mais importante feira de arte contemporânea dos Estados Unidos, a Art Basel Miami Beach atraiu a atenção da mídia. Em 2010, O'Grady participou na Bienal do Museu Whitney, em Nova York.

Desde então, seu trabalho tem sido apresentado em exposições seminais, incluindo: This Will Have Been: Art, Love & Politics in the 1980s ; Presença Radical: Performance Negra na Arte Contemporânea, En Mas': Carnaval e Performance Art do Caribe, We Wanted a Revolution: Black Radical Women 1965-85, no Museu do Brooklyn e que viajou para o museu de arte na cidade de Buffalo, Nova York; Museu Afro-Americano da California, e para o Instituto de Arte Contemporânea, Boston.

A exposição investiga anos de arte feminista negra através de vários meios, incluindo vídeo, escultura, performance, fotografia e pintura, ela decidiu qual retrataria melhor sua expressão. A obra de cada artista é inserida no contexto histórico dos movimentos culturais durante 1965-85.

Uma exposição retrospectiva sobre o conjunto da artista, Lorraine O'Grady: Both/And, ficou em exibição no Museu do Brooklyn, Nova York, de 5 de março a 18 de julho de 2021. Para a exposição, a artista colaborou com a historiadora e crítica de arte, Aruna D'Souza em uma antologia de seus escritos.

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Lorraine O'Grady | World in Stories