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Lorenzo Valla

Lorenzo Valla (em latim: Laurentius Vallensis) (1407 – 1 de agosto de 1457) foi um escritor, filólogo, filósofo e profe

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Lorenzo Valla (em latim: Laurentius Vallensis) (1407 – 1 de agosto de 1457) foi um escritor, filólogo, filósofo e professor especialista em retórica e oratória. Valla foi um dos mais importantes humanistas italianos de sua época e célebre por sua aplicação dos novos padrões humanistas de crítica às tradições medievais e a documentos usados pelo Papado em apoio de seu poder temporal. Em 1439 publicou a obra De Falso Credita et Ementita Constantini Donatione Declamatio contra a Doação de Constantino, que provou efetivamente que o famoso documento, pelo qual a autoridade imperial romana teria sido transmitida ao Papado, era espúrio.

Valla foi também um filósofo de prestígio e com seus conhecimentos sobre linguística, sendo grande conhecedor do latim e do grego, expôs erros decorrentes de traduções defeituosas de Aristóteles e da Bíblia. Se tornou um grande crítico da lógica escolástica aristotélica e do estoicismo, além de defensor de uma moral inspirada no epicurismo.

Lorenzo Valla nasceu em Roma no ano 1407 (não se sabe o mês e o dia exato) em uma família de origem Piacenza. As fontes que se tem acesso no que se refere especificamente à infância de Valla são muito escassas, pouco se sabe sobre o humanista italiano nesse momento de sua vida. Até os 24 anos, Valla passava a maior parte do tempo em Roma estudando gramática e retórica latina. Além disso, a julgar pela quantidade de estudos que teve acesso, como a língua grega e o latim, e seu rápido aprendizado, é muito provável que Valla fosse um autodidata desde a juventude. Seu pai, Lucca, faleceu quando Valla ainda era jovem, tendo dessa forma uma atenção especial de sua mãe, Caterina, em relação a sua educação e também de seus irmãos, já que após o falecimento de seu marido, ela não se casou mais. Em sua educação, Lorenzo Valla teve uma forte influência através de um círculo florentino composto por ilustres humanistas e por conta deles, Valla teve durante sua infância bastante contato com estudos do Oriente e continuou a ter uma forte admiração pelos mesmos assuntos, posteriormente.

Na realidade seu sobrenome era "Della Valle", mas ele costumava assinar as cartas com "Vallensis". Contudo foi pela forma de Valla que ficou conhecido. O pai de Lorenzo Valla era doutor em direito civil e advogado consistorial e sua mãe era filha do jurisconsulto Giovanni Scrivani, empregado na cúria pontifícia, sendo eles de origem ''popular'', ou seja, Valla não nasceu na nobreza. O humanista tinha orgulho de ser romano. Nasceu em Roma porque seu pai exercia um cargo na cidade. Lorenzo Valla viveu 50 anos marcados pelo "nomadismo" — Pavia, Milão, Florença e Nápoles são exemplos de cidades por onde passou — e por diversas inimizades e amizades também. A juventude dele foi vivida em Roma, onde estudou sob a tutela de grandes humanistas, como por exemplo Giovanni Aurispa (João Aurispa no português) e Leonardo Bruni. Seus estudos também foram guiados pelo seu tio materno, Melchiore Scrivani, que também era um humanista e secretário apostólico. Valla desejava suceder o tio desde o início.

Lorenzo Valla teve uma vida marcada por muitas polêmicas e perseguições por parte de seus inimigos. Porém, seu vasto conhecimento nos textos clássicos e seu estilo de escrita latina atraíram protetores e admiradores. Em suas palavras, se considerava como um gramático, orador e um retórico e ainda, um experto em música, astronomia, leis civis, grego e uma infinidade de outras coisas. Lorenzo Valla vivia em uma época em que a doutrina filosófica e mística do período medieval encontrava-se em conflito com as ideias da nova geração. A ciência erudita se sobrepunha à literatura popular. Havia um grande interesse por parte dos humanistas, como Leonardo Bruni, em tornar o latim a língua universal entre os eruditos, tal qual em outro momento entre os povos sujeitos ao Império Romano. Eles pretendiam, com auxílio e aprovação da Igreja, garantir e preservar o uso da língua latina clássica em todas as instâncias oficiais. Assim, os defensores dessa nova literatura viram em Valla, uma figura de destaque para promover esse restauro.

Ao apaixonar-se pela obra de Quintiliano: Institutio Oratoria, descoberta por Poggio Bracciolini em 1416 durante o Concílio de Constança, Lorenzo Valla, com cerca de 20 anos, tem o interesse de se tornar um orador mas não no sentido atribuído pelos antigos, cuja competência de se expressar seguia uma tradição oral ricamente construída a partir da experiência nos fóruns públicos. Os eruditos do século XIV, diferentemente, quase não encontravam ocasiões para mostrarem sua habilidade da oratória, pois os juristas argumentavam menos oralmente que por escrito. Por conseguinte, chamavam de “oradores” àqueles “literatos” que expunham com “estilo elevado ideias vantajosas aos homens”.No tempo em que o Papa Martinho V (de 1417 até sua morte, em 1431) reinava em Roma, surge a vontade em Valla de se tornar um participante da cúria pontifícia após se posicionar contra a Igreja, apesar de suas medidas para embelezar a cidade e do apoio na cúria a alguns humanistas como Poggio, Bruni, Aurispa e outros em luta contra os canônicos, seu desejo de fortalecer a Igreja sobre o poder temporal, acumular riquezas e dispersar as obras do Concílio. A oportunidade aparece em 1429 quando Valla tinha 24 anos. Persuadido de possuir suficiente engenho e aptidão, Valla reivindica sua eleição na sucessão ao cargo de secretário papal. Seu pedido foi negado visto que Poggio Bracciolini e Antonio Loschi foram contrários, alegando ao Papa que um secretário tão jovem desprezaria os mais velhos. Porém, segundo o próprio Valla, tal recusa deveu-se sobretudo à artimanha de uma vingança literária, incitada pela inveja daqueles em relação à sua obra De Comparatione.

Como alternativa, Panormita indica o jovem a Antonio Cremona para o preenchimento de um cargo na Universidade de Pavia. Depois de um período lecionando como professor privado, Valla é obrigado a transferir-se para Piacenza em 1430, provavelmente em razão da peste que assolava a cidade. Ali, ele conclui o que seria a primeira versão do diálogo De Voluptate (Sobre o Prazer), publicado só no ano seguinte quando retorna a Pavia e passa a ocupar o cargo de leitor público. Valla passa dois anos lecionando na Universidade de Pavia (1430-32) e em 1433 muda-se para Milão.

Em Milão, Valla reedita a sua obra De Voluptate alterando o título para De vero falsoque Bono (Sobre o verdadeiro e o falso bem), mudando personagens e cenário. Também se torna mestre em retórica. Dado o caráter inédito do epicurismo, muitas de suas ideias sofreram sérios ataques. Exemplos de críticas desse tipo são as cinco Invective in Lorenzo Valla (1446) de Bartolomeu Facio e algumas epístolas de Poggio, Loschi e outros humanistas. Em resposta, Valla escreve o Recriminationes in Facium (1447) e Antidotum in Poggio (1452).

Em 1435, Valla se muda novamente, mas desta vez para a corte de Nápoles, a serviço do Afonso V de Aragão, onde mora por 13 anos (1435-48). Lá ele termina o livro De Libero Arbitrio (Diálogo sobre o Livre-Arbítrio) em 1439. Também no mesmo período, conclui a Dialecticae Disputationes (1439) e depois a obra Elegância da Língua Latina (1444). E ainda no mesmo período, Valla traduz do grego Esopo, Xenofonte e Homero.

Em uma tensão política entre o Afonso V de Aragão e o Papa Eugênio IV, redige a De Falso Credita et Ementita Constantini Donatione Declamatio, a qual questiona a autenticidade do documento que concedia ao Papa e à Igreja direitos sobre o poder temporal, e o diálogo De professione religiosorum. Valla frequentemente refutava a Igreja e depois da paz de 1443 entre o Papa e o rei Afonso V, foi chamado para responder por muitas de suas ideias em um julgamento inquisitorial, especialmente aquelas ditas em seu Diálogo sobre o Prazer e Dialectica. Foi condenando a negar suas ideias em público, porém sendo orgulhoso de si, negou-se, sendo salvo graças à intervenção do rei. Em 1444, o final desse episódio o induziu a escrever a Apologia a Eugênio IV. Ainda nesse período, Valla faz uma terceira versão de Diálogo sobre o Prazer com o título de De vero Bono (1444/49). Sobre a quarta versão, não se sabe se ela corresponde a uma revisão realizada pelo próprio Valla na última década de sua vida, ou se é resultado de um antígrafo com erros de copista.

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