Lobão, nome artístico de João Luiz Woerdenbag Filho (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1957), é um cantor, compositor, músico e escritor brasileiro.
Um dos grandes nomes da cena do rock nacional, compôs sucessos como "Me Chama" (canção muito famosa na voz de vários intérpretes, que ficou na 47.ª posição das maiores músicas brasileiras, segundo a Rolling stone), "Vida Louca Vida" (regravada por Cazuza), "Corações Psicodélicos", "Rádio Blá" e "Essa Noite, Não!".
Apesar de ter surgido e conseguido sucesso no ambiente marginal e underground do rock brasileiro nos anos 1980, Lobão dialogou com diversos gêneros, como o samba e a MPB, ao longo de sua carreira. Em 1988, por exemplo, o disco Cuidado! contou com a participação da percussão da Estação Primeira de Mangueira.
Em 2018 lançou o disco Guia Politicamente Incorreto Dos Anos 80 Pelo Rock, em paralelo ao livro, com músicas de bandas que marcaram a década de 1980.
João Luiz Woerdenbag Filho nasceu no hospital Casa de Saúde São José, filho de João Luiz Woerdenbag, um mecânico de automóveis que trabalhava para a Rede Globo, e de Ruth Araújo de Mattos, uma professora de inglês do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Pelo lado paterno Lobão é descendente de holandeses. Também tem uma irmã caçula que mora na Holanda.
O seu interesse pela música surgiu cedo e aos três anos de idade Lobão começou a tocar bateria. Aos seis anos ganhou dos pais uma bateria de brinquedo e aos treze sua primeira bateria profissional. Aos quinze começou a tocar violão clássico.
Lobão cresceu na Zona Sul do Rio de Janeiro e estudou no Colégio São Vicente de Paulo. Recebeu o apelido "Lobão" na escola, pelo fato de se vestir com um macacão de jardineiro preso por um alça só, que lembrava o Lobão, personagem da Disney.
Conforme relata em sua autobiografia 50 Anos a Mil, aos dezenove anos de idade foi expulso de casa pelo pai. Levou um cruzado na cara e rebateu com o violão, despedaçando-o inteiro em cima do pai ("Só sosseguei quando não havia mais violão para continuar batendo.").
No mesmo livro, revelou também que, na semana de seu casamento com a então companheira Carla, submeteu-se a uma cirurgia para retirar um cisto, que após o procedimento descobriu ser embrionário e, possivelmente, resquício de um irmão gêmeo que sua mãe chegou a gerar, mas que não vingou.
Sua carreira começou aos dezessete anos, depois de sair de casa para se tornar músico profissional. Em seguida, entrou para a banda Vímana, da qual também faziam parte Lulu Santos e Ritchie. Sua primeira apresentação pública com a banda foi realizada em um teatro em São Paulo, no qual acompanharam Marília Pêra. Após outras apresentações, Lobão gravou com o Vímana, em 1975, duas músicas. Em 1977, essas duas composições foram lançadas no compacto simples "Zebra / Masquerade". No mesmo ano, gravaram um LP, que foi não foi lançado pela gravadora.
Três anos depois, com o fim do grupo, Lobão seguiu sua carreira de baterista, tocando com Luiz Melodia, Walter Franco, Gang 90 e as Absurdettes e Marina Lima.
Fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita e Fernanda Abreu e outros, mas por diferenças artísticas, saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial. Foi Lobão quem deu o nome à banda, às vésperas de um show, após uma indecisão do grupo. "A Blitz vem um pouquinho depois da Gang 90 (grupo de seu amigo Júlio Barroso), e se tornou uma banda infanto-juvenil quando não era. Era pervertida. Foi higienizada quando assinaram contrato com a EMI", afirmou em 2011.
Lobão já havia decidido sair da Blitz. Porém, precisava, de algum modo, abrir caminho pra sua carreira solo. Ficou sabendo que a banda seria entrevistada pela revista IstoÉ. Então fingiu que continuaria como baterista da Blitz só para sair na capa. A entrevista já estava agendada, ele falou pelos cotovelos, chamou a maior atenção. Em seguida, com a revista debaixo do braço e a fita de Cena de Cinema nas mãos, foi bater à porta da gravadora. Vinte minutos depois, já tinha assinado contrato com a RCA Victor para a carreira solo. Saiu chamuscado da Blitz — e riscado da capa do disco da banda. Em retaliação, desenharam, no lugar dele, a cara do Lobo Mau.
Lobão começa então sua carreira solo com o lançamento de Cena de Cinema, em 1982, menos de um mês após a estreia da Blitz. Para seu primeiro disco solo, conseguiu reunir uma banda de apoio que incluía Marina Lima, seus ex-colegas de Vímana Lulu Santos e Ritchie, e os colegas de Blitz Ricardo Barreto, Antônio Pedro e Billy Forghieri. Lobão deixou a bateria por último e só lembrou dela faltando 40 minutos para ele e o produtor terem de devolver o estúdio. Lobão gravou a bateria de todas as faixas numa tomada só. Em sua autobiografia, relatou que na verdade faltavam 2 horas e as dez faixas foram gravadas em 1:40. O disco foi um fracasso de vendas, porém ainda teve bom custo-benefício para a gravadora, que não havia investido nada nele.
Em seguida forma a banda Lobão e os Ronaldos (que tinha na sua formação a cantora e tecladista holandesa Alice Pink Pank, ex-Gang 90 e as Absurdettes, além de Guto Barros, guitarrista e um dos fundadores da Blitz), que lança Ronaldo Foi Pra Guerra.
Lobão apareceu no cinema atuando e cantando com a banda em Areias Escaldantes (1985), mas o filme foi lançado apenas em alguns poucos cinemas no Rio de Janeiro. Apesar do sucesso de "Me Chama", a banda tem uma vida curta, e após o lançamento do single "Decadence Avec Elegance" (1985) Lobão segue carreira solo mantendo alta rotatividade na mídia e lança o álbum O Rock Errou (1986), do qual "Revanche" se torna o carro-chefe. Logo após seu lançamento, Lobão é preso por porte de drogas em 1987, passando três meses na cadeia. Uma manifestação na Lagoa Rodrigo de Freitas foi feita em prol da sua libertação. Ali desenvolve o disco Vida Bandida, voltando aos holofotes.
Ainda em 87, gravou junto com Nélson Gonçalves a canção "A Deusa do Amor", que está presente no álbum de Nélson Nós.
Depois de um flerte com o samba-rock e participações no Hollywood Rock (1990) e no Rock in Rio II (1991; quando recebeu uma vaia histórica dos fãs de heavy metal e abandonou o palco), Lobão passa um período fora da mídia. Retorna ao Hollywood Rock em 1996, como convidado de Gilberto Gil, que anos mais tarde seria um dos seus alvos de crítica.