A literatura brasileira, considerando seu desenvolvimento baseada na língua portuguesa, faz parte do espectro cultural lusófono, sendo um desdobramento da literatura em língua portuguesa. Faz parte também da Literatura latino-americana, a única em língua portuguesa. Ela surgiu a partir da atividade literária incentivada pelos jesuítas após o descobrimento do Brasil durante o século XVI. Bastante ligada, de princípio, à literatura metropolitana, ela foi ganhando independência com o tempo, iniciando o processo durante o século XIX com os movimentos romântico e realista e atingido o ápice com a Semana de Arte Moderna em 1922, caracterizando-se pelo rompimento definitivo com as literaturas de outros países, formando-se, portanto, a partir do Modernismo e suas gerações as primeiras escolas de escritores verdadeiramente independentes. São dessa época grandes nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Cecília Meireles.
A literatura produzida no Brasil tem papel de destaque na esfera cultural do país: todos os principais jornais do país dedicam grande parte de seus cadernos culturais à análise e crítica literária e o ensino da disciplina é obrigatório no Ensino Médio.
O primeiro documento existente que possa ser considerado literatura brasileira é a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita por Pero Vaz de Caminha a Manuel I de Portugal e que continha uma descrição de como o território brasileiro parecia em 1500. Revistas de viajantes e tratados descritivos sobre a "América Portuguesa" dominaram a produção literária nos dois primeiros séculos do Brasil, incluindo contos conhecidos de Jean de Léry e de Hans Staden — cuja história de seus encontros com povos tupis nas costas de Pernambuco e São Paulo foi extraordinariamente influente para as concepções europeias do chamado "Novo Mundo".
O primeiro poema da literatura do Brasil é Prosopopeia, de Bento Teixeira, publicado em 1601 e que conta em estilo épico, inspirado em Camões, as façanhas da família Albuquerque, tendo sido dedicado ao então governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Décadas depois de Prosopopeia, no ano de 1648, é publicado o livro Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil, de autoria do médico e naturalista holandês Guilherme Piso, que o concebeu através da observação do jardim zoobotânico do Palácio de Friburgo, residência de Maurício de Nassau durante o domínio holandês em Pernambuco. Alguns exemplos literários a partir deste período são o poema épico de Basílio da Gama comemorando a conquista das Missões pelos portugueses e a obra de Gregório de Matos, um advogado do século XVII de Salvador que produziu uma quantidade considerável de poesia satírica, religiosa e secular. A obra de Matos tem fortes influências barrocas, como os poetas espanhóis Luis de Góngora e Francisco de Quevedo, sendo distribuído em sua época através de manuscritos e oralmente, só sendo publicado a partir de 1882.
O neoclassicismo foi difundido no Brasil durante a metade do século XVIII, seguindo o estilo italiano. A literatura era muitas vezes produzida por membros de academias temporárias ou semipermanentes e a maior parte do conteúdo era do gênero pastoral. O mais importante centro literário no Brasil colonial era a próspera região de Minas Gerais, conhecida por suas minas de ouro, onde o movimento protonacionalista da Inconfidência Mineira tinha começado. Os poetas mais importantes desta época eram Cláudio Manuel da Costa, Tomás António Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Manuel Inácio da Silva Alvarenga, todos eles envolvidos em uma revolta contra o poder colonial. Gonzaga e Costa foram exilados para a África como consequência de seus respectivos trabalhos.
Neoclassicismo durou por um tempo anormalmente longo e acabou por sufocar a inovação e restringir a criação literária. Foi só em 1836 que o romantismo começou ao influenciar a poesia brasileira em larga escala, principalmente por meio dos esforços do poeta expatriado Gonçalves de Magalhães. Vários jovens poetas, como Casimiro de Abreu, começaram a fazer experiências com o novo estilo logo depois. Este período produziu algumas das primeiras obras-primas da literatura brasileira.
As principais características da literatura do então recém-nascido país era o exagero, o nacionalismo, a celebração da natureza e a introdução inicial da linguagem coloquial. A literatura romântica logo se tornou muito popular. Romancistas como Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e José de Alencar publicaram suas obras em forma de série em jornais e se tornaram celebridades nacionais.
Por volta de 1850, uma transição começou centrada em torno de Álvares de Azevedo. O romance Noite na Taverna de Azevedo e sua poesia, recolhida postumamente em Lira dos Vinte Anos, tornaram-se influentes e o escritor foi largamente influenciado pela obra de Lord Byron. Esta segunda geração romântica era obcecada com a morbidade e a morte.
Ao mesmo tempo, poetas como Castro Alves, que escreveu sobre os horrores da escravidão (O Navio Negreiro), começaram a escrever obras com uma agenda social progressista específica. As duas tendências coincidiram em uma das realizações mais importantes da era romântica: o estabelecimento de uma identidade nacional brasileira a partir de ascendência indígena e da rica natureza do país. Estes traços apareceram pela primeira vez no poema épico I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias , mas logo tornaram-se generalizados. A consolidação deste sub-gênero (indianismo) é encontrada em dois romances famosos de José de Alencar: O Guarani, sobre uma família de colonos portugueses que tomaram índios como servos, mas depois foram mortos por uma tribo inimiga, e Iracema, que conta a história de um náufrago português que vive entre os índios e se casa com uma linda mulher nativa. A obra Iracema é especialmente lírica, abrindo com cinco parágrafos de pura poesia em prosa de estilo livre descrevendo a personagem-título.
O declínio do romantismo, juntamente com uma série de transformações sociais, ocorreu no país em meados do século XIX. Uma nova forma de prosa surge, incluindo a análise dos povos indígenas e a descrição do ambiente, nos autores regionalistas (como Franklin Távora e João Simões Lopes Neto) . Sob a influência do naturalismo e de escritores como Émile Zola, Aluísio Azevedo escreveu O Cortiço, com personagens que representam todas as classes e categorias sociais da época. O realismo brasileiro não foi muito original em um primeiro momento, mas assumiu uma importância extraordinária por causa de escritores como Machado de Assis e Euclides da Cunha.
Talvez o mais importante escritor do realismo brasileiro tenha sido Machado de Assis (1839-1908), filho de um pintor de paredes mulato e de uma mulher portuguesa, cuja única de educação, além de aulas de alfabetização, era a extensa leitura de livros emprestados. Ao trabalhar como tipógrafo em uma editora, Assis logo conheceu mais da literatura mundial e ainda conseguiu aprender um pouco de inglês e francês. No início da carreira, ele escreveu vários romances famosos, como A Mão e a Luva e Ressurreição, que, apesar de seu romantismo exagerado, já mostram seu humor vivaz e seu pessimismo para com as convenções da sociedade. Depois de ser apresentado ao realismo, Machado de Assis mudou seu estilo e seus temas, produzindo algumas das mais notáveis prosas já escritas em língua portuguesa. O estilo serviu como meio para seu humor corrosivo e seu intenso pessimismo, que estava distante das concepções de seus contemporâneos. Assis também era poeta.
Entre as principais obras de Machado de Assis estão:
Memórias póstumas de Brás Cubas, a autobiografia fictícia de um homem recentemente falecido, escrito pelo próprio "do além". É totalmente antirromântica e ridiculariza a sociedade do Rio de Janeiro da época.
Dom Casmurro, pretende ser a autobiografia de um homem solitário que deixa sua esposa e seu único filho depois de desfrutar de anos de vida conjugal feliz. O romance é famoso no mundo lusófono pela análise de um caso (possível, mas nunca provado ou admitido) de adultério.