Neste Dia

Linn da Quebrada

Cantora e atriz brasileira

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Lina Pereira dos Santos (São Paulo, 18 de julho de 1990), mais conhecida como Linn da Quebrada, é uma cantora, compositora, atriz, trans e brasileira.

Nascida na periferia da cidade de São Paulo em uma área pobre da Zona Leste, foi criada no interior do estado, vivendo a infância e a adolescência nas cidades de Votuporanga e São José do Rio Preto. Criada pela tia dentro da religião Testemunhas de Jeová, inicialmente considerava errada sua identidade LGBT. Depois, reconhecendo-a como sua verdade, enfrentou intensos preconceitos por parte da família e da comunidade religiosa ao assumir sua homossexualidade. Posteriormente, passou a se identificar como travesti.

Com o tempo, abandonou a religião, deixou a casa da mãe e retornou à capital paulista. Nessa fase, começou a se dedicar a diferentes expressões artísticas, incluindo apresentações em boates e shows performáticos. Além disso, iniciou uma carreira musical, cantando em bares da região. Frequentemente, descreve-se como "bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Performer e terrorista de gênero."

É adepta do candomblé na vertente ketu. Em 2014, foi diagnosticada com câncer nos testículos, o que a levou a realizar a retirada de um deles e a enfrentar um tratamento de quimioterapia que durou três anos. Alcançou a cura em 2017.

2015-2018: Início e álbum de estreia

Linn iniciou sua carreira como performer. Sua primeira música autoral, intitulada "Enviadescer", foi lançada em março de 2016 através do YouTube. Com o sucesso da canção, a artista lançou-se na carreira musical através do nome artístico Mc Linn da Quebrada (o prefixo "MC" foi removido algum tempo depois) e, durante o ano de 2016, lançou as canções "Talento", "Bixa Preta" e "Mulher". As canções foram ovacionadas pela crítica e pelo público, levando a artista a embarcar na turnê nacional "Bixarya" durante 2016 e 2017. Embora Linn contasse com apenas quatro músicas de estúdio lançadas, o repertório da turnê trazia cerca de 12 músicas completamente autorais. No mesmo ano, foi homenageada pela cantora Liniker através da faixa "Lina X". Liniker e Linn estudavam na mesma escola em Santo André e moraram juntas.

No ano de 2017, a artista lançou um crowdfunding para seu álbum audiovisual de estreia, intitulado "Pajubá", e a campanha acabou superando a meta desejada. Em março, foi convidada especial do programa Amor & Sexo. No mês de junho, participou da faixa "Close Certo", da DJ Boss in Drama. Além disso, no mesmo mês, fora anunciado que Linn estaria no elenco do filme "Corpo Elétrico", que traz em pauta temáticas LGBT. A cantora, além disso, foi uma das protagonistas da coleção "Melissa Meio-Fio", da marca Melissa. O primeiro single do álbum de estreia de Linn, intitulado "Bomba pra Caralho", foi lançado em setembro de 2017.

Em 30 de novembro de 2017, estreou nos cinemas o filme documentário Meu Corpo é Politico dirigido por Alice Riff, que acompanha a vida de quatro militantes LGBT, sendo que uma deles é Linn.

No dia 8 de Dezembro de 2017 o artista Hugo Adescenco, aluno, na época, da ETEC de Artes, apresentou a montagem "Incômodo" baseado na obra de Linn da Quebrada como seu TCC para arte dramática. Esta apresentação abordava experiências de abuso e assédio sofridas pelo artista. Baseado na audição e interpretação do álbum Pajubá, "Incômodo" é um monólogo apresentado por uma pessoa colocada em situação de constrangimento e julgamento jogando com o público, e com si mesmo, pensamentos sobre abuso sexual, abuso moral, discussões de gênero, preconceito e família. Esta montagem mistura teatro, cinema, dança e performance improvisada em cima das faixas do disco. A apresentação teve bastante repercussão nas redes sociais, chegando a ser divulgada pela Mídia Ninja em seu perfil oficial no Facebook.

Seu legado artístico e pensamentos contemporâneos, seja através de citações em canções compostas por ela, ou por apontamentos levantados por ela durante apresentações ou postagens, foram alvos de diversos artigos acadêmicos e científicos. E trabalhos dela que continuam a ser pesquisados e publicados, inspirando mais pessoas envolvidas na área de ciências sociais.

Em agosto de 2018, Quebrada foi destaque em um filme da revista Dazed, dirigido por Valter Carvalho. Mykki Blanco, então editora convidada da revista, a descreveu como “honesta e assertiva” e observou que ela abordou questões como “raça, sexualidade, trabalho sexual e a política de sua identidade transgênero”.

2019-2021: Estreia como atriz e segundo álbum

Em 2019, Linn estreou como atriz na série da TV Globo, Segunda Chamada, interpretando a travesti Natasha, aluna do colégio Carolina Maria de Jesus. Nos cinemas, protagoniza o documentário premiado Bixa Travesty, que acompanha a trajetória de Linn, enfrentando o machismo e as diversas formas de transfobia. É dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Linn também assina o roteiro de produção. O documentário estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 18 de fevereiro e venceu o Teddy Award de melhor documentário LGBT. Ainda em 2019 estreou como apresentadora no programa TransMissão do Canal Brasil, juntamente com sua companheira Jup do Bairro, sendo o primeiro talk show comandado por uma pessoa trans no Brasil. O programa tem o foco e objetivo de falar, de forma mais descontraída, sobre questões de gênero, sexo e raça.

Em 2021, Linn lançou seu segundo álbum, "Trava Línguas". Em junho de 2021, foi destaque ao estampar a capa digital da Vogue com Liniker numa edição que celebra o mês do orgulho LGBTQIA+. No mesmo ano estreou a série Manhãs de Setembro, lançada no dia 25 de junho, no Prime Video, em mais de 240 países.

2022-presente: Big Brother Brasil 22 e novos projetos

Em 14 de janeiro de 2022, Linn foi confirmada como participante da vigésima segunda temporada do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo. Ela terminou a competição em 9º lugar.

Em 2023 foi confirmada como participante da vigésima temporada do Dança dos Famosos, sendo a segunda eliminada da competição.

Foi uma das atrações musicais da cerimônia de entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023, ao lado de BK', Owerá, MC Soffia, Kaê Guajajara, Liniker e Jonathan Ferr.

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