Liniker de Barros Ferreira Campos OMC (Araraquara, 3 de julho de 1995) é uma cantora, compositora, atriz e artista visual brasileira. Fez parte da banda Liniker e os Caramelows entre 2015 e 2020, compõe e canta canções dos gênero soul e black music. Em 2022 tornou-se a primeira travesti a ganhar o Grammy Latino, tendo vencido a categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira com o álbum Indigo Borboleta Anil e na divisão Melhor Canção em Língua Portuguesa com a canção "Baby 95". Atualmente, a artista acumula quatro estatuetas da premiação. No ano seguinte, assumiu a 51ª Cadeira da Academia Brasileira de Cultura, tornando-se a primeira artista transgênero a ocupar a posição.
Nascida em uma família de músicos, Liniker tem, pelo nome de batismo, uma homenagem ao futebolista inglês Gary Lineker, artilheiro da Copa do Mundo de 1986 e cresceu ouvindo samba, samba-rock e soul. Embora tenha mostrado talento vocal desde cedo, possuía certa timidez justamente por viver entre profissionais, e só começou a se arriscar a cantar depois de iniciar a carreira teatral, na adolescência. Seu pai não foi presente e foi criada por sua mãe e acompanhada de seu irmão Vitor, sete anos mais novo que ela.
2015–2020: Liniker e os Caramelows
Em 2015, formou a banda Liniker e os Caramelows, com quem lançou o EP Cru em 15 de outubro daquele ano, por meio do primeiro single, "Zero". Os vídeos com a interpretação das canções do projeto ganharam milhões de visualizações rapidamente. Em 16 de setembro de 2016, a banda lança seu álbum de estreia, intitulado Remonta, gravado com ajuda dos fãs por meio do financiamento coletivo no Catarse. O disco reverberou internacionalmente e ganhou atenção da imprensa estrangeira.
Depois de dois anos, no dia 22 de março de 2019, Goela Abaixo, o segundo álbum da banda é lançado, tendo as músicas Calmô e Intimidade. Conta com a participação de Mahmundi em Bem Bom. Lava foi o primeiro single, lançado em março de 2018.
No início de 2020 em uma entrevista à Rolling Stone, Liniker e Barone, baixista e produtor do grupo, anunciam a separação de Liniker e os Caramelows após cinco anos juntos para "iniciarem projetos paralelos".
2021–2023: Carreira solo e Indigo Borboleta Anil
Em 9 de Setembro de 2021, Liniker lança seu primeiro álbum solo, Indigo Borboleta Anil, que conta com as colaborações de Milton Nascimento e Tassia Reis. A canção Presente surgiu com uma versão diferente da lançada anteriormente pelo Studio COLORS em 16 de dezembro de 2019. Baby 95 e Psiu também são singles que vieram a público em momento anterior, mas hoje completam o seu novo álbum.
Foi uma das atrações musicais da cerimônia de entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023, ao lado de BK', Owerá, MC Soffia, Linn da Quebrada, Kaê Guajajara e Jonathan Ferr.
Em 2023 entrou para a confraria de imortais Academia Brasileira de Cultura, sendo a primeira artista trans a entrar na Academia. Liniker ocupa a cadeira de número 51, vaga após a morte da cantora Elza Soares (1930-2022).
Em 11 de julho de 2024, lançou a música "TUDO", como o primeiro single de seu segundo álbum de estúdio. A música também ganhou um videoclipe. Em 13 de agosto, a cantora anunciou o lançamento do álbum, chamado Caju, junto com a capa e a lista de músicas. O álbum foi lançado em 19 de agosto de 2024. O disco foi aclamado por boa parte da crítica e do público. Dias depois do lançamento oficial do álbum, Liniker afirmou que estava produzindo um documentário sobre seu novo disco. Segundo ela, a ideia era mostrar todo o processo de criação do trabalho. A informação foi revelada por Liniker durante uma participação no programa Foquinha Entrevista, da DiaTV. Em 5 de setembro de 2024, Liniker anunciou as primeiras datas da Turnê "Caju Tour" em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Datas extras foram adicionadas devido à alta demanda e, logo mais, shows foram anunciados em outras capitais do Brasil.
Em maio de 2025, Liniker recebeu do Ministério da Cultura as concessões da Ordem do Mérito Cultural (OMC), ordem honorífica dada a personalidades que contribuíram com a cultura brasileira.
Com o álbum Caju, Liniker foi indicada a sete categorias do Grammy Latino de 2025, incluindo três das categorias principais: Album do Ano, Canção do Ano e Gravação do Ano. Ela foi a brasileira mais indicada do ano e uma das maiores indicadas em uma única edição. Ela venceu três categorias e se apresentou na premiação com a canção "Negona dos Olhos Terríveis".
Em 2014, ingressou na Escola Livre de Teatro, em Santo André e começou a investir em uma identidade visual andrógina. Como artista, seu visual passou a misturar turbante, saia, batom e bigode em suas performances musicais, que incorporam elementos cênicos à sua voz "ora rouca e grave, ora limpa e aguda, que formata uma black music brasileira, mas recheada de elementos pop", segundo o jornal mineiro "O Tempo". Já a Rolling Stone Brasil destacou que o visual de Liniker desconstrói de forma enfática os códigos imputados ao sexo masculino, sendo que, como intérprete e pessoa, Liniker não se definia como homem ou mulher, sendo um exemplo de pessoa não-binária; enquanto seu "vozeirão à Tim Maia imprime autenticidade e poder" às canções que interpreta. Na publicação da revista, recebeu um questionamento acerca do pronome de tratamento pelo qual prefere que lhe refiram. Liniker respondeu que prefere o pronome feminino: "Acho mais amplo. Dizer ‘ele’ me deixa muito na caixinha do masculino". Tempos depois, declarou ser uma mulher trans, e que usa pronomes no feminino (ela/dela).
Imortal da Academia Brasileira de Cultura, cadeira número 51.
Ordem do Mérito Cultural (OMC) no grau de Cavaleira
Basílio, Luiz Gustavo Barros (2019). Vozes LGBTI+ na música popular brasileira. um estudo sobre o comportamento vocal de cantoras LGBTI+ a partir do lançamento dos eps de Pabllo Vittar, Liniker e Gloria Groove (Trabalho de Conclusão de Curso). Foz do Iguaçu: Universidade Federal da Integração Latino-Americana. 72 páginas
Liniker (em inglês) no AllMusic