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Linha 1 do Metropolitano de São Paulo

Linha do metrô da cidade de São Paulo

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Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo, denominada originalmente Linha Norte-Sul, é uma linha metroviária compreendida pelo trecho definido pelas estações Tucuruvi e Jabaquara, em São Paulo, no Brasil. Esta foi a primeira linha construída pelo Metrô, iniciada no final da década de 1960 e inaugurada no começo dos anos 1970. Foi também a primeira linha de metropolitano a ser construída no Brasil.

O primeiro projeto para uma linha de metrô ligando o centro à região norte da cidade de São Paulo foi apresentado pelo engenheiro Antônio Carlos Cardoso em 1928. Partindo da Praça da Sé, aproveitando parte da rede da Light e convertendo o Tramway da Cantareira em metropolitano, a linha alcançaria Santana e Guarulhos. No ano seguinte, o prefeito Pires do Rio encampou a ideia e incorporou o projeto de Cardoso ao plano oficial da rede do metropolitano. A Grande Depressão fez com que o projeto fosse arquivado.

Em 1945, o engenheiro Mário Lopes Leão retomou o projeto do metropolitano em São Paulo, projetando uma rede radial de metropolitano incluindo uma linha da Praça da Sé ao Jabaquara. O projeto de Leão não foi aprovado pela prefeitura de São Paulo, que preferiu contratar a empresa francesa RATP em 1947 para projetar uma rede de metrô oficial para a cidade, que incluía uma linha Santana-Moema, passando pela Praça da Sé. No ano seguinte, a prefeitura contratou o escritório brasileiro Companhia Geral de Engenharia, que alterou novamente o projeto da rede, com uma linha Ponte Pequena-Santo Amaro, passando pela Praça da Sé e pelo Paraíso.

Esses planos acabaram arquivados devido à turbulência política e social da época. Entre 1945 e 1949, São Paulo teve cinco prefeitos, numa época em que o cargo era de nomeação pelo governador do estado. A Revolta da Tarifa de 1947, quando a prefeitura reajustou a passagem dos bondes após 75 anos, causou revolta na população, que destruiu bondes e ônibus, deixou um grande prejuízo financeiro para a prefeitura e levou o prefeito Cristiano Stockler das Neves a pedir demissão do cargo.

Em 1956, a prefeitura encarregou a CMTC de elaborar um novo plano de metrô para São Paulo. Uma das linhas propostas ligaria Santana e Guarulhos a Santo Amaro, passando pela Praça da Sé. Posteriormente, foi lançada uma concorrência internacional para a construção de uma rede de metrô. Três grupos apresentaram propostas:

Pacific Consultants (Japão), com uma rede de metrô subterrâneo com alimentação de 600 VCC;

Societè Generale de Traction et Explotations (França), com uma rede de metrô sobre pneus;

Alweg Corporation (Alemanha Ocidental), com uma rede de monotrilhos sobre vigas de concreto.

Apesar da vitória na concorrência, a Alweg Corporation não pôde assinar o contrato, devido a uma ação judicial proposta pelo governo do estado de São Paulo (que questionava a legalidade e a viabilidade da obra), e o projeto acabou engavetado.

Em 1966, o prefeito Faria Lima criou o Grupo Executivo do Metropolitano (GEM), comissão responsável pela elaboração do projeto da rede do metrô. Analisando as propostas anteriores, o GEM determinou que a primeira linha a ser construída seria uma ligando o norte e o sul da cidade e lançou no ano seguinte a concorrência internacional para a elaboração dos estudos da rede do metrô, prevendo-se inicialmente duas linhas: Santana-Santo Amaro e Penha-Lapa. Apresentaram-se para a concorrência dez empresas de origens americana, japonesa, alemã e inglesa, que deveriam se associar a empresas nacionais. A proposta inglesa foi desclassificada, por ter sido apresentada fora do prazo. Em janeiro de 1967, foi escolhida a proposta alemã, das empresas Hochtief Aktiengeselischaft e Deutsche Eisenbahn-Consulting (Deconsult), e da pequena construtora brasileira Montreal Empreendimentos S.A. (entre cujos acionistas figurava o brigadeiro Eduardo Gomes, colega de Faria Lima na Aeronáutica).

As empresas formaram o consórcio HMD (Hochtief - Montreal - Deconsult) e iniciaram o projeto da rede de metrô, com o trabalho orçado em quinhentos milhões de cruzeiros. Apesar de grande publicidade inicial, o projeto do consórcio HMD acabou questionado pelo vereador e jornalista Odon Pereira (MDB), presidente da comissão de trânsito da Câmara Municipal de São Paulo, que questionava o valor do contrato e defendia a atualização gratuita dos projetos anteriores pela Universidade de São Paulo.

Com o projeto em desenvolvimento, vazaram informações sobre a priorização da implantação inicial da Linha Norte-Sul em detrimento da Leste-Oeste. Pereira defendia a construção da segunda. O consórcio contratou centenas de estudantes para realizar a pesquisa de origem e destino. Apesar de o trabalho ter sido entregue, os estudantes tiveram seus pagamentos atrasados. Todos esses fatores levaram o vereador Pereira a classificar o projeto como “imoral”.

Posteriormente, Pereira denunciou os custos do projeto, que eram de dez bilhões de cruzeiros antigos e haviam passado para cerca de dezesseis bilhões após alterações promovidas pela recém-formada Companhia do Metropolitano de São Paulo. Além disso, segundo Pereira, o custo de construção por milha havia subido de vinte milhões de dólares (em 1963, após estudos da gestão anterior, de Prestes Maia) para 23 milhões, sem que nenhuma justificativa tivesse sido apresentada.

Pereira convocou o presidente da Companhia do Metropolitano, Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, a prestar esclarecimentos sobre o projeto em uma audiência pública. Ribeiro recusou-se a comparecer como "convocado", defendendo que deveria ser "convidado", e acabou entrando em um breve conflito com a Câmara. Ao fim de 1968, Ribeiro enfim compareceu ao plenário da Câmara e apresentou, em uma sessão fechada, o relatório de dois volumes sobre o projeto do metrô.

Como previsto inicialmente por Pereira, o relatório defendeu a prioridade de construção da Linha Norte-Sul (Jabaquara-Santana e ramal Moema). A justificativa do Consórcio HMD era atender regiões menos atendidas pelo transporte público. No fim de 1968, o deputado federal da Guanabara Emílio Nina Ribeiro denunciou o consórcio HMD por não entregar o contrato completo, mesmo tendo recebido todo o valor acertado.

O consórcio HMD idealizou a implantação da Linha Norte-Sul por meio da divisão do projeto em onze lotes. Cada lote teria um consórcio de empresas responsável pela construção da linha, sendo todas elas supervisionadas pelo próprio consórcio HMD. O custo estimado das obras da Linha Norte-Sul era de duzentos milhões de dólares.

Denominada originalmente Linha Norte-Sul, a Linha 1 do Metrô de São Paulo começou a ser construída às 10 horas de 14 de dezembro de 1968, em uma cerimônia presidida pelo prefeito Faria Lima. No entanto, dos onze lotes, apenas os de números 7 e 8 tiveram suas obras iniciadas naquele momento. Faria Lima deixou o cargo em abril de 1969, tendo falecido em setembro daquele ano, sem assistir à inauguração da primeira linha.

Problemas jurídicos e técnicos atrasaram a contratação dos demais lotes na gestão Maluf. O lote 4 acabou vencido inicialmente pelo Consórcio Metronors, porém uma de suas empresas era a alemã Hochtief, que também era responsável pelo projeto e pela supervisão de toda a Linha Norte-Sul. Constatada a irregularidade de a Hochtief ser construtora e (ao mesmo tempo) supervisora da mesma obra, o consórcio foi desclassificado. Depois de duas tentativas de contratação acabarem de forma infrutífera, por causa dos altos custos propostos pelas construtoras, a solução adotada pela Companhia do Metropolitano foi subdividir o lote 4 em 4-Norte e 4-Sul. O lote 4-Norte foi vencido pela Mendes Júnior, enquanto o 4-Sul foi vencido pelo consórcio Hidroservice-Camargo Corrêa.

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Linha 1 do Metropolitano de São Paulo | World in Stories