Liechtenstein (pronúncia em alemão: [ˈlɪçtn̩ʃtaɪn]], sendo usual a pronúncia aportuguesada: [liʃtẽnsˈtain]) ou Listenstaine (pronúncia em português europeu: [liʃtẽʃˈtain(ɨ)]), oficialmente Principado de Liechtenstein (português brasileiro) ou do Liechtenstein (português europeu) (em alemão: Fürstentum Liechtenstein), é um microestado principado localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes entre a Áustria, a leste, e a Suíça a oeste. Pouco mais de 39 000 habitantes moram nos seus 160,477 km² segundo algumas estimativas.
Desde o século XV, faz divisa praticamente do mesmo território comandado pela mesma família, a Casa de Liechtenstein. Tornou-se independente do Sacro Império Romano-Germânico (976–1806) quando este foi desmembrado, em 1806. Desde tempos imemoriais, a língua falada no país é o alemão.
Liechtenstein diferencia-se da Alemanha, Áustria e Suíça por ser um microestado, sendo tido como um dos mais ricos do mundo. O país possui um forte centro financeiro em sua capital, Vaduz. Outrora citado como um paraíso fiscal, atualmente não consta em listas oficiais de países não cooperantes com o sistema financeiro mundial.
O nome "Liechtenstein" provém da fusão das palavras liechten (forma variante do termo lichten, "clara" em alemão) e stein ("pedra" em alemão), portanto significando literalmente, na língua local, "pedra clara". A sua associação com o principado deve-se a ter sido a família Liechtenstein a comprar e unir os condados de Schellenberg e Vaduz, dando origem ao atual território do país. O Imperador Romano-Germânico permitiu à dinastia renomear sua nova propriedade com o próprio apelido de família. Tal sobrenome, por sua vez, vem do castelo de Liechtenstein, na Áustria, habitado pela família séculos antes.
A grafia alemã é a mais comumente utilizada sendo que o Dicionário Houaiss e Dicionário Aurélio (brasileiros), bem como o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado (português) a usam. Também, os órgãos de imprensa brasileiros como Rede Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, e os portugueses Público e Rádio e Televisão de Portugal, preferem a grafia germânica. Também, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal concordam, ambos, com esta primeira grafia.
Em português existe, no entanto, a opção "Listenstaina", com pouco uso, mas que pode ser utilizada, já que se encontra citada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves e no Prontuário da Língua Portuguesa, bem como no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora.
Em crescendo de uso ocorre a grafia Listenstaine, oficialmente adotada pelo Código de Redação Interinstitucional da União Europeia, e preconizada no Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, no VOLP da Porto Editora, no Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Portal da Língua Portuguesa do ILTEC, no Vocabulário da Priberam e, de forma oficial para todos os países lusófonos, no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
O sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na pessoa do linguista A. Tavares Louro, preconiza ainda a alternativa "Listensteine", que parece recolher pouca aceitação.
Como gentílicos existem as opções (em ordem alfabética): liechtensteinense, liechtensteiniano, liechtensteiniense, listenstainês, listenstainiano, ou simplesmente de Liechtenstein. A forma reduzida para feitos de justaposição é listenstaino-.
Achados arqueológicos apontam que o território hoje conhecido como Liechtenstein é habitado desde o Neolítico (quinto milênio a.C.). Enquanto o fluxo livre do rio Reno dificultava o assentamento, os primeiros assentamentos se formaram nas elevações do vale, como pode ser visto na colina do castelo de Gutenberg, em Balzers, ou em Eschnerberg. No ano 15 a.C., os romanos, sob comando de Augusto, conquistaram o território da Récia e estabeleceram a província romana de Récia. No século I d.C., foi construída a estrada militar Milão-Bregenz, que corria ao longo da margem direita do Reno através da passagem de Luzisteig e, por isso, propriedades e fortes na área do atual Principado de Liechtenstein foram construídos.
Com o colapso do Império Romano, a imigração dos alamanos começou e, finalmente, Récia foi integrada ao Reino Franco no século VIII e ao ducado alemão no século X. Na época, a área que hoje corresponde a Liechtenstein era governada pelos condes de Bregenz. Em 1180, o imperador Frederico I deu a área aos lordes de Schellenberg. Em 1317, os lordes venderam sua propriedade aos condes de Weidenberg. Em 3 de maio de 1342, o então domínio dos condes de Weidenberg-Sargans foi dividido entre os filhos do imperador romano-germânico Rodolfo II, criando o Condado de Vaduz. O rei alemão Venceslau IV declarou, em 22 de julho de 1396, as posses de Weidenberg como áreas imediatas do Império Alemão. Schellenberg e Vaduz tornaram-se parte do Reich. Nas décadas e séculos que se seguiram, os condados foram repetidamente palco de guerras e saques como, por exemplo, a Antiga Guerra de Zurique (1444–1446) e a Guerra dos Suabos (1499–1500). Os condes suabos de Sulz adquiriram os condados de Vaduz e Schellenberg por meio de casamento em 1507. Em 1613, o conde Karl Ludwig de Sulz os vendeu ao conde Kaspar de Hohenems por 200 000 florins.
No condado de Vaduz e no senhorio de Schellenberg, ocorreu no final do século XVI e meados do século XVII a caça às bruxas. O ponto alto foi entre 1648 e 1651, quando cerca de 100 pessoas foram executadas. Em seguida, houve julgamentos de bruxas novamente, o que resultou em pelo menos nove pessoas sendo queimadas como "bruxas" e "feiticeiros". Outros julgamentos ocorreram na década de 1660 e entre 1675 e 1676. Os julgamentos das bruxas de Vaduz chegaram ao fim em 1681, quando o imperador proibiu o conde Ferdinand Karl de Hohenems de continuar as inquisições e julgamentos. Em 1684, o imperador retirou a jurisdição criminal do conde por ter enriquecido com os bens dos condenados. Ferdinand Karl de Hohenems foi preso, acusado, sentenciado e banido para Kaufbeuren, na Suábia.
Com os governantes de Hohenems cada vez mais endividados, estes foram forçados a vender o condado de Vaduz e a propriedade Schellenberg. Em 1699, o príncipe João Adão I adquiriu Schellenberg e, em 1712, adquiriu Vaduz de Jakob Hannibal III, irmão de Ferdinand Karl. Os príncipes ricos e influentes de Liechtenstein há muito queriam adquirir território diretamente sob o domínio imperial. Em 23 de janeiro de 1719, Carlos VI autorizou a união de Vaduz e Schellenberg e os elevou a um principado imperial chamado Liechtenstein. Como o novo país consistia apenas de pequenas aldeias agrícolas, sua administração foi inicialmente instalada na cidade mais próxima, Feldkirch, onde o príncipe ordenou a construção do Castelo de Liechtenstein.
Durante as guerras de coligação, Liechtenstein sofreu com repetidas ocupações de tropas estrangeiras, de modo que sua população empobreceu cada vez mais. Durante a Primeira Coligação (1792–1797), as tropas francesas invadiram o principado e, após conflitos entre a Áustria (com apoio russo) e a França, Liechtenstein foi ocupado por tropas napoleônicas durante a Segunda Coligação (1799–1802). Em 1806, Napoleão Bonaparte fundou a Confederação do Reno e incluiu o Principado de Liechtenstein como um dos 16 membros fundadores sem perguntar ao príncipe, de modo que Liechtenstein só se tornou independente sob o príncipe João I. Poucos dias depois, o imperador Francisco I declarou extinto o Sacro Império Romano-Germânico, possibilitando a independência de todas as áreas anteriormente pertencentes a ele. No Congresso de Viena, em 1814/1815, a independência de Liechtenstein foi confirmada e o país foi admitido na Confederação Germânica.
Liechtenstein desenvolveu-se lentamente ao longo dos anos e décadas, permanecendo atrasado por muito tempo. Mesmo com uma revolução em 1848, nenhuma mudança significativa ocorreu a curto prazo. Somente o tratado alfandegário concluído com o Império Austríaco em 1852 trouxe um boom econômico. Além disso, constituição de 1862 levou a mudanças políticas que fizeram com que o príncipe não pudesse mais governar sem restrições.