Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M. (Forquilhinha, 6 de novembro de 1950) é um frade franciscano e cardeal brasileiro, arcebispo de Manaus.
É descendente de alemães, vindos da Renânia-Palatinado. No ano de 1863, Max Joseph Steiner emigrou para o Brasil, acompanhado de seu pai, Peter Joseph Steiner, então viúvo de Gertrud Kraus. Em território brasileiro, Max contraiu matrimônio com Emma Rödius, imigrante proveniente da cidade de Hilden, na Alemanha. Dessa união nasceu Georg Steiner, avô paterno de Dom Leonardo.
Seus pais, Leonardo Steiner e Carlota Arns, residentes em Forquilhinha, constituíram uma família numerosa, composta por dezesseis filhos ao todo. As crianças nascidas antes da Segunda Guerra Mundial tinham o alemão como língua materna. Contudo, com a entrada do Brasil no conflito ao lado dos Aliados, o uso do idioma alemão passou a ser severamente reprimido, sobretudo em comunidades formadas por imigrantes oriundos de países do Eixo. Forquilhinha, situada em Santa Catarina, foi uma dessas localidades afetadas, uma vez que era colônia alemã, tendo registrando inclusive a prisão de três moradores em decorrência do uso da língua e de manifestações culturais associadas à Alemanha.
Sua infância foi calma e pacata. Ele e os demais irmãos desempenhavam diversas responsabilidades na propriedade rural onde residiam. Cabia a eles atividades como a ordenha das vacas, os cuidados com as galinhas e a colheita de frutas frescas, que a mãe utilizava na preparação do tradicional schmier, uma espécie de geleia artesanal típica da cultura germânica.
Era após concluírem as tarefas domésticas e os estudos, que podiam jogar bola e brincar com os primos, correndo livremente pelos quintais e campos da colônia. No entanto, quando os sinos da igreja soavam às 18 horas, sabiam que era hora de encerrar as brincadeiras. Ele e seus outros irmãos tinham de ir ao pasto buscar os bezerros e retornar para casa.
A família de Leonardo e Carlota sempre cultivou profundamente a fé católica: a oração do terço todas as noites constituía uma prática constante, marcada por uma espiritualidade intensa. Eles desenvolviam uma forma de piedade denominada Andacht, uma devoção de caráter contemplativo. Desde muito jovem, Dom Leonardo demonstrava admiração pelos sacerdotes que celebravam na igreja frequentada pela família, iniciando sua participação ativa na comunidade como coroinha. Ele costumava acompanhar o Frei Everaldo Allkemper em viagens de charrete por comunidades rurais, colaborando na evangelização de pessoas residentes em áreas mais afastadas.
Além de Dom Leonardo, outros dois irmãos também seguiram a vocação religiosa: Frei Wilson Steiner, que ingressou na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), e Irmã Esther Steiner, consagrada na Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora.
Inclusive, na primeira missa de seu irmão, Frei Wilson Steiner, Dom Leonardo, ainda um menino, saiu da casa paterna como coroinha, acompanhado do irmão Otmar, também como coroinha, e da irmã Edeltraut em procissão.
Ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de janeiro de 1972, quando foi admitido no Noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Sua formação, contudo, começou bem antes nos seminários da Província. Fez o ensino fundamental de 1963 a 1971 e o ensino médio de 1969 a 1971 no Seminário Santo Antônio de Agudos.
Ele cursou Filosofia e Teologia em Petrópolis, de 1973 a 1978, quando os dois cursos eram integrados. Foi ordenado padre pelas mãos de Dom Paulo Evaristo Arns, seu primo, no dia 21 de janeiro de 1978.
Com uma sólida formação pedagógica, assumiu trabalhos na área da educação, compondo os quadros de professores das suas casas de formação. De 1981 a 1982, concluiu o curso de Pedagogia e de 1987 a 1994 tornou-se "mestre de noviços", um cargo muito importante na formação religiosa.
A partir de 1995, Frei Ulrich se transferiu para o Pontifício Ateneu Antoniano, em Roma, onde fez os estudos de especialização (mestrado) em Filosofia (1995-1998) e Doutorado também em Filosofia (1999-2001), quando defendeu a tese doutoral “A Aseidade – O Conceito de Deus em Bernhard Welte”. De 1999 a 2003 exerceu a função de secretário geral do Pontifício Ateneu Antoniano.
De volta ao Brasil, de 2003 até sua nomeação episcopal, Frei Ulrich foi vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus, Curitiba, onde também passou a lecionar na Faculdade de Filosofia São Boaventura.
É declarado torcedor do Criciúma Esporte Clube, time de futebol da cidade ao lado da cidade de seu nascimento.
Foi professor de 1973 a 1977 e orientador educacional no Colégio dos Meninos Cantores de Petrópolis; mestre dos postulantes em 1978 em Guaratinguetá; professor de 1979 a 1982 e orientador educacional no Seminário Santo Antônio em Agudos; mestre dos postulantes de 1983 a 1986 em Guaratinguetá; mestre dos noviços e mestre dos irmãos de profissão temporária em Rodeio de 1987 a 1995.
Vigário nas paróquias de São Benedito, Guaratinguetá; São Paulo Apóstolo, Agudos; São Francisco de Assis, Rodeio; secretário para a Formação e Estudos da Província da Imaculada Conceição de 1985 a 1987; assistente das Equipes de Nossa Senhora de 1983 a 1986; assistente do Mosteiro de Nazaré das Clarissas, Lages de 1985 a 1995; membro da primeira Comissão pró Ratio Studiorum da Ordem dos Frades Menores em 1990; visitador-geral para a Província de São Francisco de Assis no Rio Grande do Sul, em 1995; secretário-geral do Pontifício Ateneo Antonianum de 1999 a 2003; professor de Filosofia da Religião do pontifício Ateneo Antonianum na qualidade de professor visitante de 2001 a 2003, ministrando também as disciplinas: Leitura dos clássicos e Metodologia Filosófica.
Aos 2 de fevereiro de 2005, foi nomeado bispo pelo Papa João Paulo II para a Prelazia de São Félix, situada no estado de Mato Grosso. Foi ordenado bispo no dia 16 de abril do mesmo ano na Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau, pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, OFM, arcebispo emérito de São Paulo, coadjuvado por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo de Blumenau, e Dom Heinrich Timmerevers, bispo auxiliar de Münster.
De 2007 a 2011, foi membro da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e vice-presidente do regional Oeste-2.