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Língua lituana

Língua báltica

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A língua lituana (em lituano: lietuvių kalba) é uma língua báltica oriental pertencente ao ramo báltico da família indo-europeia. É uma das duas línguas bálticas em uso.

Idioma oficial da Lituânia, o lituano também é falado por pequenas comunidades na Letônia, na Polônia e na Bielorrússia, com cerca de 3,5 milhões de falantes. Seus primeiros registros escritos datam do século XVI, sobretudo em traduções de textos religiosos cristãos, como a Ave-Maria. Na Lituânia, uma forma escrita padronizada da língua estabeleceu-se apenas no final do século XIX e início do século XX, utilizando o alfabeto latino.

Do ponto de vista tipológico, o lituano destaca-se por sua morfologia altamente flexional, com um sistema gramatical rico em casos e formas verbais. A língua tem uma combinação de acento tônico e acento dinâmico, além de uma ordem de palavras bastante variável, usada para expressar nuances discursivas e relações sintáticas.

O termo "lituano" deriva de "Lituânia", topônimo associado aos povos bálticos orientais da região. A forma nativa Lietuva é registrada em fontes históricas desde 1009dC nas Crônicas de Quedlinburgh. A etimologia do nome é discutida, com hipóteses que o relacionam a hidronímios locais ou a raízes bálticas ligadas a elementos naturais, sem consenso definitivo.

O endônimo lietuvių kalba significa “língua dos lituanos”, sendo formado por lietuvių, genitivo plural de lietuvis (“lituano”), e kalba (“língua”). Os exônimos usados em outras línguas, como Lithuanian e lituano derivam de formas latinas medievais como Lithuania, difundidas por meio da tradição escrita europeia.

O lituano é falado principalmente na Lituânia, onde é a língua oficial e a principal língua de uso cotidiano, educacional e administrativo. A maior parte da população do país tem o lituano como língua materna, totalizando cerca de 3,5 milhões de falantes. Fora da Lituânia, a língua ocorre em áreas próximas às fronteiras, especialmente no sudeste da Letônia, no nordeste da Polônia e no oeste da Bielorrússia, onde existem comunidades históricas de origem lituana.

A área de uso do lituano coincide em grande parte com o território atual da República da Lituânia. Suas fronteiras políticas modernas, com a Letônia, a Polônia, a Bielorrússia e o enclave de Kaliningrado, delimitam a principal área de uso contínuo da língua. Historicamente, contudo, as línguas bálticas foram severamente oprimidas.

Diásporas surgiram após a Segunda Guerra Mundial, e devido a dificuldades econômicas na Lituânia no século XX. Comunidades lituanas nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Irlanda e no Canadá mantêm a língua principalmente em contextos familiares, culturais e religiosos. O grau de preservação varia conforme o país, sendo em alguns casos transmitido entre gerações e, em outros, gradualmente substituído pela língua dominante local.

Na Lituânia, o índice de alfabetização é elevado, com cerca de 99,83% da população sendo alfabetizada.

A 1ª leva de imigração lituana no Brasil chegou em São Paulo, a maioria eram camponeses fugindo da Europa devastada pela Primeira Guerra Mundial. Muitos vieram para o Brasil pois eles não teriam que arcar com as despesas da viagem, já que os Barões do café que os empregassem arcariam com os custos e depois descontariam dos salários.

A 2ª leva ocorreu em 1947, para fugir da invasão russa, em 1940. Diferentemente da primeira leva de imigrantes, essa era composta por engenheiros, médicos, profissionais liberais de classe média e urbanos. A maioria dos imigrantes foi direto para os EUA e Canadá, e os que vieram para o Brasil, se mudaram para a América do Norte mais tarde. Os primeiros imigrantes a desembarcarem no Rio de Janeiro eram mais esclarecidos, e falavam de 2 a 3 línguas, indicando que eles mantinham o lituano, além de provavelmente o russo, já que estavam sob domínio do Império antes de migrarem.

A comunidade lituana de Vila Zelina, em São Paulo-SP organizou iniciativas educacionais voltadas à preservação da língua e cultura. A Igreja de São José dos Lituanos funcionou como centro religioso e educacional, oferecendo catequese e ensino do lituano.

Professores descendentes de imigrantes mantém cursos de idioma nas paróquias locais até hoje. Além disso, as Irmãs Franciscanas da Providência de Deus fundaram o Colégio São Miguel Arcanjo, posteriormente expandindo-se com a abertura do Colégio Pio XII. Essas instituições tiveram papel importante na formação das gerações descendentes e na manutenção da cultura lituana na cidade.

Entre as línguas vivas, a mais próxima do lituano é o letão, também integrante do ramo báltico oriental. Embora compartilhem origem comum e diversas semelhanças estruturais, não são mutuamente inteligíveis. Outras línguas bálticas, como o antigo prussiano, pertencente ao ramo báltico ocidental, encontram-se extintas.

Ao longo de sua história, o lituano recebeu influências lexicais do polonês, do russo e do alemão, especialmente durante períodos de dominação política estrangeira. Apesar disso, preserva numerosos traços arcaicos que o tornam bem relevante para os estudos comparativos das línguas indo-europeias.

Semelhanças entre o lituano e o letão

O lituano e o letão apresentam numerosas semelhanças estruturais decorrentes de sua origem comum no ramo báltico oriental. Ambas as línguas conservam um sistema nominal com 7 casos gramaticais e distinguem dois gêneros e dois números. Além disso, o lituano preservou fielmente algumas combinações sonoras antigas, diferentemente do letão.

No sistema verbal, compartilham três tempos principais, presente, passado e futuro, e empregam formas compostas construídas com o verbo ser/estar. As duas línguas apresentam um sistema desenvolvido de particípios ativos e passivos.

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