Lêdo Ivo OMM (Maceió, 18 de fevereiro de 1924 — Sevilha, 23 de dezembro de 2012) foi um poeta, escritor, tradutor e jornalista brasileiro. Despontou na década de 1940 como um dos principais expoentes da terceira geração do modernismo brasileiro, tendo também se consagrado, ao longo dos anos, como um dos principais tradutores do país.
Da sua vasta obra, destacam-se o seu primeiro livro As Imaginações e outros títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.
Era membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa. Foi casado com Maria Lêda Sarmento de Medeiros Ivo (1923-2004), com quem teve três filhos: Patrícia, Maria da Graça e Gonçalo.
Lêdo Ivo nasceu no dia 18 de fevereiro de 1924, na cidade de Maceió, estado de Alagoas, Brasil.
Fez os cursos primário e secundário em sua cidade natal. Em 1940, transferiu-se para o Recife. Embora curto, esse período de residência no Recife foi sempre referido pelo escritor como fundamental para sua trajetória literária, pois ali travou contato com o grupo reunido em torno do pintor e escritor Vicente do Rego Monteiro e do ensaísta Willy Levin, que instruíam os então jovens poetas − como Lêdo Ivo e João Cabral de Melo Neto − sobre as vanguardas europeias, com ênfase para o Surrealismo (cf. “Os jardins enfurecidos”, ensaio da obra “O ajudante de Mentiroso").
No ano de 1941, Lêdo Ivo participou do I Congresso de Poesia do Recife. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1943m onde se matriculou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, instituição pela qual se formou. Passou então a colaborar em suplementos literários e a trabalhar como jornalista.
Em 1944, fez sua estreia na literatura com a poesia "As Imaginações". No ano seguinte publicou "Ode e Elegia", que recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras. Nos anos subsequentes, publicou diversos livros de poesia, contos, crônicas, ensaios e romances.
Em um primeiro momento, é possível situar Lêdo Ivo no grupo conhecido como Geração de 45. A renovação de formas fixas e a revisão de alguns aspectos do Modernismo de 1922 estiveram no horizonte de ocupações dos então jovens poetas que, no Rio de Janeiro, publicaram a Revista Orfeu − grupo de que participou Lêdo Ivo – e, em São Paulo, a Revista Brasileira de Poesia. Contudo, se a crítica ao tempo de sua estreia já detectava pontos divergentes dos demais autores, como a prática do verso longo, outras diferenças se acentuariam com o passar do tempo, já que Lêdo Ivo compôs obra que ultrapassou em muito os paradigmas de sua geração, como vem situando a crítica mais atenta à trajetória do autor (cf., p. ex., o texto "Quem tem medo de Lêdo Ivo?", prefácio do poeta e tradutor Ivan Junqueira à "Poesia Completa").
Em 1945, Lêdo Ivo se casa com sua companheira de toda a vida, Maria Lêda, a quem dedicaria "Cântico", obra de 1949. Ainda em 1949, Lêdo Ivo profere, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a conferência "A geração de 45". Nesse ano, forma-se em Direito.
O livro "Acontecimento do Soneto", por vezes lido como um dos marcos da Geração de 45, é impresso em primeira edição pelo amigo João Cabral de Melo Neto, em sua prensa manual, na cidade de Barcelona, Espanha, no ano de 1948. Como se lê pelas cartas publicadas no volume “E agora adeus” (correspondência passiva, editado pelo Instituto Moreira Salles e com estudo introdutório e notas do escritor Gilberto Mendonça Teles), foi de João Cabral a sugestão do título, a partir do verso "um soneto não se faz, ele acontece", que se lê no "Soneto das Catorze Janelas".
Lêdo Ivo reside em Paris entre os anos de 1953 e 1954, experiência que marca sua escrita e que se percebe em obras como "O rei da Europa" e "Um brasileiro em Paris", publicadas em edição conjunta em 1955.
Em 1963, a convite do governo norte-americano, realizou uma viagem de dois meses (novembro e dezembro) pelos Estados Unidos, pronunciando palestras em universidades e conhecendo escritores e artistas. Essa outra experiência de viagem e residência no exterior se reflete em sua produção literária, sobretudo a partir do livro “Estação Central”, publicado em 1964, quando a grande sociedade de consumo americana se torna tema de toda uma seção, intitulada “América”.
Na década seguinte, a de 1970, Lêdo Ivo publica duas de suas mais importantes obras: o livro de poesia “Finisterra” e o romance “Ninho de cobras”, ambos fortemente marcados pelo imaginário da terra natal alagoana. Essa revisitação do lugar de origem incorpora tanto crítica social quanto indagação metafísica, beneficiando-se de toda a experiência já acumulada pelo escritor. “Finisterra” ganha o Prêmio Jabuti e “Ninho de cobras” é distinguido pelo maior prêmio literário da época, o Walmap, após ser rejeitado por duas editoras.
Em 13 de novembro de 1986, Lêdo Ivo elege-se para a Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Orígenes Lessa. Torna-se o quinto ocupante da Cadeira nº 10, sendo recebido em 7 de abril de 1987, pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Recebeu os acadêmicos Geraldo França de Lima, Nélida Piñon e Sábato Magaldi.
Em 1993, Ivo foi admitido pelo presidente Itamar Franco à Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial especial.
Também em homenagem a sua companheira Maria Lêda lançou "Poesia Completa", em 2004, pela Editora Topbooks, por ocasião dos 80 anos de vida do poeta. Em 2006, doou seu acervo pessoal ao Instituto Moreira Salles. Sob a inspiração da perda da companheira, Lêdo Ivo comporia o poema longo "Réquiem", distinguido com o Prêmio Casa de Las Américas, em 2009.
No dia 25 de dezembro de 2011, Lêdo Ivo recebeu ainda, na Espanha, na cidade de Léon, o Prêmio Leteo, pela primeira vez atribuído a um poeta e escritor de língua portuguesa. Este prêmio distingue "um escritor de relevância internacional, autor de uma obra de alta qualidade literária, dotada de invenção e originalidade, e que não se tenha rendido aos ditames do mercado". O Prêmio Leteo é concedido por um júri de jovens escritores, o que atesta o amplo interesse pela obra do escritor brasileiro na Espanha, país onde vem sendo sistematicamente traduzido e publicado.
Lêdo Ivo continuou publicando prolificamente tanto poesia quanto prosa até seus anos finais. Quando vem a falecer, em 2012, na cidade de Sevilha, deixa inédito no Brasil o volume de poemas “Mormaço”, publicado em primeira edição na Espanha. Fica também inédito o volume ensaístico “Afastem-se das hélices”, que sairia depois em conjunto com uma reedição de outra obra ensaística do escritor, “O aluno relapso”. E ainda o livro de poemas “Aurora”, que também sai inicialmente publicado na Espanha.