Luís Lázaro Sacramento de Araújo Ramos OMC (Salvador, 1 de novembro de 1978) é um ator, escritor, apresentador, ativista, autor e cineasta brasileiro. Amplamente reconhecido como uma das figuras mais influentes da dramaturgia e da cultura contemporânea no Brasil. Com uma carreira que abrange teatro, televisão, cinema e literatura, destacou-se por sua versatilidade e pelo engajamento em temas sociais, consolidando-se como um dos principais nomes de sua geração. Ramos ganhou vários prêmios, incluindo quatro Prêmios Arte Qualidade Brasil, dois Prêmios APCA, além de dois Kikitos do Festival de Gramado, sendo um pelo conjunto da obra.
Considerado um dos principais atores de sua geração, iniciou sua carreira em produções teatrais do Bando de Teatro Olodum na década de 1990. Em 2002, ganhou notoriedade ao interpretar João Francisco dos Santos no filme Madame Satã, pelo qual foi muito premiado e elogiado pela crítica. A partir daí, passou a destacar em produções de sucesso como O Homem que Copiava (2003), Meu Tio Matou um Cara (2004), Cidade Baixa (2005), Ó Paí, Ó (2007), O Vendedor de Passados (2015), Tudo Que Aprendemos Juntos (2015), Mundo Cão (2016), O Beijo no Asfalto (2018), O Silêncio da Chuva (2021), O Primeiro Natal do Mundo (2023) e Velhos Bandidos (2026).
Na televisão, foi, durante os anos de 2002 a 2003, um dos correspondentes do dominical Fantástico, até começar a se destacar como um dos protagonistas da série Sexo Frágil (2003–04). No entanto, foi em 2006, que Lázaro ganhou projeção nacional, ao interpretar o malandro Foguinho, um dos personagens principais da novela Cobras & Lagartos, trabalho que lhe rendeu vários prêmios e elogios, incluindo uma indicação ao Emmy Internacional de melhor ator no ano de 2007. A partir daí, destacou-se em outros trabalhos televisivos, como as novelas Duas Caras (2007), Lado a Lado (2012), Geração Brasil (2014) e A Nobreza do Amor (2026), as séries Ó Paí, Ó (2008–2009) e Mister Brau (2015-2018), e na apresentação de programas como Espelho (2006–2021) no Canal Brasil, Lazinho com Você (2017) e Os Melhores Anos das Nossas Vidas (2018), ambos na TV Globo.
Na parte técnica, dirigiu diversos episódios do Espelho e documentários como Zózimo Bulbul (2006) e Bando, um Filme De (2018), além do premiado longa-metragem Medida Provisória (2018), a qual também escreveu e pelo qual ganhou um prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. Ele também escreveu diversos livros, como os infantis A Velha Sentada (2010) e Caderno de rimas do João (2015), além do autobiográfico Na Minha Pele (2017).
Lázaro Ramos é torcedor do Vitória, um ativista dos direitos humanos e de conscientização contra o racismo. É embaixador do UNICEF no Brasil desde julho de 2009. Paralelamente à sua carreira artística, tornou-se uma voz ativa no debate público, destacando-se por sua atuação no enfrentamento ao racismo e na promoção da representatividade negra no audiovisual brasileiro. Seu engajamento em causas sociais e culturais contribuiu para ampliar discussões sobre diversidade e inclusão, consolidando sua relevância não apenas como artista, mas também como agente cultural.
Sua trajetória é frequentemente associada à inovação, à pluralidade de atuação e ao compromisso social, sendo considerado uma das figuras mais representativas do cenário artístico brasileiro contemporâneo.
Começou a estudar teatro na escola e logo aos 10 anos de idade já fazia pequenos trabalhos no teatro com o nome artístico: Lula Somar (Nome formado das duas primeiras letras do seu nome composto "Lu" de Luís,"La" de Lázaro e "Somar" do sobrenome "Ramos", só que ao contrário). Quem contou a curiosidade do nome Lula Somar foi o próprio ator, durante entrevista no Programa do Jô, exibida no dia 4 de agosto de 2016 pela TV Globo.
Aos 15 anos entrou para o Bando de Teatro Olodum, dirigido por Marcio Meirelles e formado por atores negros, em Salvador. Enquanto dava seus primeiros passos para iniciar sua carreira, Lázaro Ramos trabalhou como técnico de laboratório de análises clínicas. Ele estudou Patologia no colegial técnico em Salvador. Nessa época sua mãe foi acometida por uma doença degenerativa. Lázaro, sendo filho único, ajudava a pagar as contas de casa.
Fez uma participação na peça A Bruxinha Que Era Boa, de Maria Clara Machado, 1988, quando tinha uns 12 anos num teatro itinerante que estava em Salvador, substituindo seu primo. Lázaro não tinha noção o que era atuar. Até que aos 15, decidiu ser ator. Em 1994, entrou para o Bando de Teatro Olodum, atuando na peça Bai, Bai Pelô. No cinema, fez uma figuração com o bando em Jenipapo 1995), de Monique Gardenberg, em 1998, reza a lenda que sua participação no filme Cinderela Baiana, com Carla Perez, foi importantíssima para que Lázaro conseguisse dinheiro para se manter enquanto estudava e em Sabor da Paixão, em 2000, quando contracenou com Murilo Benício e Penélope Cruz, uma comédia da diretora venezuelana Fina Torres. Madame Satã foi seu primeiro filme como protagonista. Mas, antes da estreia deste filme, Lázaro já havia rodado O Homem que Copiava, em que também fazia o papel principal, o tímido desenhista e operador de fotocopiadora André. Em Cafundó, de Paulo Betti, Lázaro viveu seu terceiro protagonista, João de Camargo, um ex-escravo que vira líder religioso. Em Nina, filme de Heitor Dhalia, inspirado no clássico Crime e Castigo de Dostoiévski, fez uma rápida aparição como um pintor.
Em 2002, Lázaro Ramos marca sua estreia na TV Globo na microssérie “Pastores da Noite”, baseado na obra de Jorge Amado. No ano seguinte, ao lado de Lúcio Mauro Filho, Bruno Garcia, Wagner Moura e Zéu Britto forma o quinteto da série Sexo Frágil, onde todos os protagonistas interpretavam papéis masculinos e femininos. Lázaro Ramos deu vida aos irmãos Fred e Priscila. A personagem feminina foi trazida do espetáculo “Mamãe Não Pode Saber”. Em “Sexo Frágil”, além da sua risada peculiar, a personagem se destacava por acreditar ser “extremamente parecida” com a modelo Gisele Bundchen. Apresentou diversos quadros no dominical Fantástico, como “O Homem Objeto”, “Instinto Humano”, “Os Sete Pecados Capitais”, “O Curioso” e “R1”, este último, apenas como locutor sobre a rotina dos médicos residentes no Hospital das Clinicas em São Paulo. Em 2005 participou do filme A Máquina (baseado na peça de mesmo nome), de João Falcão, juntamente com o também baiano Wagner Moura, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão, e que fez muito sucesso no eixo Rio-São Paulo. Participou também da peça Mamãe Não Pode Saber, novamente sob direção de João Falcão. No mesmo ano, o ator troca Salvador pelo Rio de Janeiro. Em Madame Satã, seu primeiro trabalho como protagonista no cinema, Lázaro Ramos representou a personalidade transformista do bairro carioca da Lapa. O filme teve vários prêmios em festivais internacionais de cinema e com isso, Lázaro começou a ganhar fama por ter interpretado o papel principal.
O ano de 2006 marca a estreia de seu programa semanal “Espelho". Toda segunda-feira, Lázaro Ramos promove o encontro com diversas personalidades no Canal Brasil, discutindo temas pertinentes ao cotidiano brasileiro. Uma entrevista com o rapper Criolo em 2013, onde o cantor mostra-se indignado com o cenário político brasileiro, viralizou nas redes sociais, trazendo grande destaque ao programa. Em 2007, em Duas Caras, viveu Evilásio Caó, envolvido em um triângulo amoroso com Solange e Júlia, interpretadas respectivamente por Sheron Menezes e Débora Falabella. Ainda no mesmo ano, estrelou o filme Ó Paí, Ó, ao lado novamente de Wagner Moura, onde seu personagem Roque era um "herói popular" aspirante a cantor. No filme, ele canta as músicas: "Protesto do Olodum", "Canto do Mundo", "Sonho Aventureiro" e "Vem Meu Amor". No ano seguinte resultou em uma série homônima exibida na TV Globo, que também já tinha sido peça teatral. Foi considerado pela Revista IstoÉ um dos 100 brasileiros mais influentes de 2007.
Em julho de 2009, foi nomeado embaixador do UNICEF. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Ainda em 2009, Lázaro Ramos foi o apresentador da 5ª edição do prêmio BRAVO! Prime de Cultura. Em 2010, retorna a teledramaturgia com uma pequena participação especial como ele mesmo na novela “Passione”. Em 2011, interpretou André Gurgel em Insensato Coração. Tratava-se de um solteirão convicto que não escondia de ninguém a falta de interesse em se aprofundar em um relacionamento. Nesse ano, recebe o prêmio Camélia da Liberdade na categoria "Imprensa" em reconhecimento a personalidades que promovem ações de inclusão social de afrodescendentes. Em 2012 viveu o capoeirista Zé Maria, par romântico de Isabel, interpretada por Camila Pitanga, em Lado a Lado. O texto de João Ximenes Braga e Claudia Lage foi vencedor do Emmy 2013 em sua categoria. A novela marcou a estreia do ator em folhetins de época.