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Karl Dönitz

Ex-presidente da Alemanha Nazista

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Karl Dönitz (Berlim, 16 de setembro de 1891 – Aumühle, 24 de dezembro de 1980) foi um militar e político alemão, comandante da Kriegsmarine, a marinha alemã, membro do partido nazista e presidente do seu país durante 23 dias após a morte de Adolf Hitler, conhecido principalmente por ter assinado a rendição incondicional da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial.

Dönitz começou sua carreira militar na Marinha Imperial Alemã antes da Primeira Guerra Mundial. Em 1918, ele comandava o submarino UB-68 até que este foi afundado pela marinha britânica, com Dönitz sendo feito prisioneiro. Enquanto estava no campo de prisioneiros de guerra, ele começou a formular a tática que viria a ser conhecida como Rudeltaktik (popularmente chamada de "alcateia").

No período entre guerras, serviu na Reichsmarine, onde continuou a advogar a guerra submarina como alternativa para enfrentar as potências ocidentais e suas poderosas marinhas de superfície. No começo da Segunda Guerra Mundial, ele era um dos principais comandantes da Kriegsmarine e sua frota de submarinos, a Befehlshaber der U-Boote (BdU). Em janeiro de 1943, Dönitz foi promovido a patente de Großadmiral e substituiu o almirante Erich Raeder como comandante em chefe da marinha alemã. Dönitz foi talvez o principal comandante nazista combatendo os Aliados na Batalha do Atlântico. De 1939 a 1943, os U-boats alemães lutaram de forma efetiva e eficiente, travando a chamada guerra submarina irrestrita, mas a iniciativa foi perdida durante o chamado "Maio Negro" (1943). Dönitz continuou a ordenar seus submarinos em combate até o começo de 1945 para tentar aliviar a pressão sobre os outros ramos da Wehrmacht. Cerca de 648 U-boats foram perdidos durante a guerra – 429 não tiveram sobreviventes. Outros 215 foram perdidos em suas primeiras patrulhas. Entre 30 000 e 40 000 homens que serviram nos U-boats morreram.

Em 30 de abril de 1945, após o suicídio de Adolf Hitler e de acordo com o testamento político do Führer, Karl Dönitz foi nomeado o sucessor de Hitler como Chefe de Estado, com o título de Presidente do Reich Alemão e Comandante Supremo das Forças Armadas. Ele formou o chamado Governo Flensburg e passou os poucos dias seus como presidente tentando ganhar tempo para que o máximo de tropas alemãs se movessem do leste para o oeste, a fim de se render aos Aliados Ocidentais e não à União Soviética. Em 7 de maio de 1945, ele ordenou que o general Alfred Jodl, Chefe de Operações do OKW, assinasse o instrumento da Rendição Alemã em Reims, França. Dönitz permaneceu como chefe do governo alemão até 23 de maio, quando ele foi preso pelos britânicos em Flensburg e então seu gabinete foi oficialmente dissolvido pelas autoridades Aliadas.

De acordo com suas próprias palavras, Dönitz era um nazista dedicado e um apoiador de Adolf Hitler; ele não escondia suas visões antissemitas e afirmou que a guerra foi justificada. Após o conflito, Dönitz foi indiciado como um dos principais criminosos de guerra nazistas nos Julgamentos de Nuremberg, sendo acusado de conspiração para cometer crimes contra a paz e crimes de guerra e contra a humanidade; planejamento, iniciação e perpetuação de uma guerra de agressão; e crimes contra as leis da guerra. Ele foi inocentado das acusações de crimes contra a humanidade, mas foi considerado culpado por crimes de guerra e contra a paz. Sentenciado a dez anos de prisão, se mudou para Hamburgo quando foi libertado e viveu lá até sua morte, em 1980, aos 89 anos de idade.

Pertencia a uma família prussiana de classe média alta. No início da Primeira Guerra Mundial fez parte da tripulação do cruzador Breslau, quando navegou pelo mar Mediterrâneo e Negro. Quando começaram a surgir as primeiras flotilhas de submarinos, solicitou voluntariamente sua transferência. Em 1916, comandou o U-68 e depois o U-25. Durante uma batalha um dos seus submarinos foi afundado, ele e sua tripulação foram capturados pelos Britânicos e feitos prisioneiros até 1919.

Durante o período entre guerras comandou vários navios e por seus méritos foi subindo na hierarquia que se formava na nova Kriegsmarine. Homem de grande visão sempre viu nos submarinos uma grande arma. Ainda neste período percorreu o mundo como comandante do cruzador rápido Emden, onde conheceu a aprimorou várias técnicas que seriam utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Duas destas seriam mundialmente conhecidas e serviriam de referência em combates navais com U-Boats:

Rudeltaktik (tática da matilha)

Tonnageschlacht (batalha de tonelagem)

A primeira tática consistia em agrupar os submarinos para atacarem em bandos como lobos. Já a segunda orientava os submarinos a concentrar-se no afundamento da marinha mercante do adversário, fazendo com que a tonelagem dos navios afundados superasse a do total dos novos navios construídos para substituir as lacunas na frota. Isto fazia com que o adversário diminuísse o seu nível de reposição ao teatro de combate.

O grande almirante, como era chamado, alcançou alta cotação na Alemanha Nazista. Ele serviu como comandante-em-chefe de submarinos durante a Segunda Guerra Mundial, de 19 de setembro de 1939 até seu fim. Sob sua administração, a frota dos U-Boot combateu na Batalha do Atlântico, tentando cortar os fornecimentos vitais dos Estados Unidos e de outros para o Reino Unido.

Antes da guerra, Dönitz fez pressão pela conversão da frota de superfície alemã numa frota composta quase por completo por submarinos. Defendia uma estratégia de ataque apenas dirigido contra a marinha mercante britânica, cujos navios eram alvos relativamente seguros de atacar. Fazia notar que a destruição da frota britânica de petroleiros iria levar à falta dos fornecimentos de combustível necessários para que a Marinha Real Britânica mantivesse os seus navios em funcionamento, o que seria tão eficaz como afundá-los. Dizia que com uma frota de trezentos dos mais recentes U-Boot tipo VII, a Alemanha conseguiria pôr a Grã-Bretanha fora de combate. A fim de lidar com os sempre presentes navios de escolta, propôs o agrupamento de vários submarinos numa "alcateia", que iria subjugar a defesa.

À época, muitos sentiram que tal conversa significava um enfraquecimento, e isso foi verdade do comandante de Dönitz, o almirante Erich Raeder. Os dois constantemente lutavam por prioridades de verba na Marinha, ao mesmo tempo em que lutavam pela simpatia de amigos de Adolf Hitler, como Hermann Göring, que recebia muita atenção. Raeder possuía uma atitude confusa: notavelmente, ele aparentemente não acreditava que as forças alemãs de grandes navios eram de muito uso, comentando à época que tudo o que podiam esperar era morrer valentemente. Dönitz, por outro lado, não mostrava-se tão fatalista.

Dönitz alistou-se na marinha imperial como cadete em 1º de abril de 1910. No início da Primeira Guerra Mundial Dönitz participou de combates contra unidades russas no mar Negro, a bordo do cruzador leve Breslau, que tinha sido vendido ao Império Otomano. Em 1916, foi promovido a Oberleutnant zur See (tenente). Quando o Breslau teve que ir para o estaleiro para reparos, Dönitz foi transferido para a frente de Dardanelos, servindo temporariamente como supervisor de aeroporto de um destacamento de aviação. Em seguida apresentou-se como voluntário na nova arma submarinos. Após o treinamento básico, serviu embarcado até fevereiro de 1918 como Wachoffizier (oficial da guarda) no U 39. Tornou-se comandante de UC 25 e desde 5 de setembro de 1918 de UB 68. Este barco foi afundado no mar Mediterrâneo por unidades da marinha britânica. Dönitz e sua tripulação foram aprisionados.

Como oficial e comandante de submarinos, Dönitz reconhece que a luta dos submarinos alemães contra o poderio naval britânico fracassara devido ao sistema de comboios. Por isso, após libertado em 1919, ocupou-se em estudar as possibilidades bélicas dos submarinos.

Durante a guerra foi condecorado diversas vezes, como por exemplo com a Cruz de Ferro 2ª e 1ª Classe, o Königlicher Hausorden von Hohenzollern mit Schwertern, e, da parte da Turquia, com o Eiserner Halbmond e o Medjidie-Orden IV Classe.

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