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Kamala Harris

Vice-presidente dos Estados Unidos de 2021 a 2025

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Kamala Devi Harris (Oakland, 20 de outubro de 1964) é uma advogada e política estadunidense, tendo servido como a 49.ª Vice-presidente dos Estados Unidos. Filiada ao Partido Democrata, foi senadora dos Estados Unidos pela Califórnia de 2017 a 2021, e 32.ª Procuradora-Geral da Califórnia de 2011 a 2017, tendo sido a primeira mulher procuradora-geral do estado. Foi ainda a primeira senadora e vice-presidente de origem indiana e afro-americana. Harris foi a candidata democrata na eleição presidencial de 2024.

Filha de uma indiana e de um jamaicano, Harris graduou-se com um Bacharelado em Artes pela Universidade Howard e em Direito pela Faculdade de Direito Hastings da Universidade da Califórnia. Nos anos 1990, trabalhou no escritório do procurador-geral do distrito e da cidade de São Francisco. Em 2004, foi eleita procuradora-geral de São Francisco.

Harris foi eleita procuradora-geral da Califórnia em 2010, reelegendo-se em 2014. Em 2016, elegeu-se senadora pela Califórnia, mantendo no Senado uma postura crítica em relação ao governo Trump e sendo rotineiramente mencionada como uma potencial candidata à nomeação democrata para a eleição presidencial de 2020. Em janeiro de 2019, formalizou sua candidatura à presidência, porém encerrou sua campanha em dezembro do mesmo ano. Em agosto de 2020, foi escolhida por Joe Biden como sua companheira de chapa e, em novembro, derrotaram Donald Trump e Mike Pence. Foi empossada como vice-presidente em 20 de janeiro de 2021. Em 19 de novembro de 2021, tornou-se a primeira mulher a exercer a função de presidente dos Estados Unidos, ainda que de forma interina.

Em 21 de julho de 2024, Joe Biden anunciou a retirada da sua candidatura na eleição presidencial e endossou Harris como cabeça da chapa pelo Partido Democrata. Ela iniciou sua campanha presidencial no mesmo dia e, no seguinte, garantiu o apoio de delegados o suficiente para ser nomeada como candidata do partido. Harris acabou sendo derrotada por Donald Trump na eleição.

Kamala Harris nasceu em 20 de outubro de 1964 em Oakland, Califórnia, sendo filha de Shyamala Gopalan Harris, uma indiana da etnia tâmil, e de Donald Harris, um jamaicano afrodescendente. Sua mãe era uma proeminente pesquisadora do câncer de mama que emigrou de Chennai, Índia, em 1960, e seu pai foi um professor de economia na Universidade de Stanford que emigrou da Jamaica em 1961 para estudar pós-graduação em economia na Universidade da Califórnia em Berkeley. Kamala tem uma irmã mais nova, Maya, advogada também envolvida no mundo político. Seu nome advém de Kamalā, que na língua sânscrita significa "flor de lótus." Era extremamente próxima do avô materno, P.V. Gopalan, um diplomata indiano, e, na infância, visitou frequentemente sua família em Besant Nagar, em Chennai.

A família Harris viveu em Berkeley, residindo em um bairro predominantemente afro-americano onde as meninas cantavam em um coro batista. Shyamala e Donald apresentaram para as filhas os protestos do Movimento pelos Direitos Civis, que eram comuns durante esse período em Berkeley. Seus pais se divorciaram quando tinha sete anos e sua mãe recebeu a custódia das crianças por meio de um acordo judicial. Após o divórcio, Shyamala mudou-se com as crianças para Montreal, Quebec, no Canadá, onde conseguiu um cargo no setor de pesquisa do Hospital Geral Judeu e lecionou na Universidade McGill.

Depois de completar os estudos secundários no Colegial Westmount em Quebec, Harris estudou na Universidade Howard, em Washington, D.C., onde obteve majors em ciência política e economia. Em Howard, foi eleita representante da turma de calouros no conselho de estudantes de artes liberais, integrou o time de debates, e juntou-se ao capítulo da irmandade Alpha Kappa Alpha. Harris retornou para a Califórnia, concluindo um Juris Doctor (JD) pela Faculdade de Direito Hastings da Universidade da Califórnia em 1989. Fracassou em sua primeira tentativa de ser aprovada na ordem dos advogados do estado, afirmando mais tarde: "não é uma medição de sua capacidade." Em 1990, foi admitida na Ordem dos Advogados da Califórnia.

Harris serviu como procuradora-geral adjunta do Condado de Alameda de 1990 a 1998. Mais tarde, afirmou que buscou uma carreira ligada a aplicação da lei por querer estar "na mesa onde as decisões são tomadas." Em 1993, começou um namoro com o presidente da Assembleia do Estado da Califórnia, Willie Brown, que a apresentou a muitos indivíduos poderosos do establishment político e do gerenciamento de campanhas eleitorais da Califórnia. Foi muito ativa na campanha de Brown à prefeitura de São Francisco em 1995 e foi apresentada publicamente como sua namorada. Duas semanas após a eleição, Brown rompeu o relacionamento. Depois de 1998, enquanto Brown era o prefeito de São Francisco, tornou-se advogada e gerente da Unidade de Criminosos Reincidentes do Escritório do Procurador do Distrito de São Francisco, uma pequena unidade formada por três pessoas. Em 2000, a procuradora da cidade de São Francisco, Louise Renne, recrutou Harris para se juntar ao escritório dela, onde chefiou a Divisão da Comunidade e Bairros, que supervisionava assuntos relacionados a aplicação do código civil.

Em 2003, Harris concorreu ao cargo de procuradora da cidade e do condado de São Francisco. O procurador incumbente, Terence Hallinan, teve que lidar com o escândalo Fajitagate, relacionado a alegações de obstrução de justiça em uma investigação sobre um assalto. Harris e Hallinan eram próximos ideologicamente, sendo ambos filiados ao Partido Democrata, e por isso a campanha abordou o desempenho de Hallinan como procurador e questões pessoais. Harris buscou retratá-lo como um procurador "ineficiente" que conseguiu baixos índices de condenação em processos criminais; a opinião de Hallinan prevaleceu em 52% dos casos que moveu em 2001. Hallinan criticou a suposta falta de ética de Harris, citando a relação que possuía com Brown. No primeiro turno, Hallinan recebeu mais votos, mas no segundo Harris derrotou-o por 56,5-43,5%. Harris foi empossada procuradora em 4 de janeiro de 2004, tornando-se a primeira negra procuradora de um distrito na história da Califórnia.

Em abril de 2004, o oficial Isaac Espinoza foi morto em serviço. Três dias depois, Harris anunciou que não buscaria a pena de morte contra o assassino, enfurecendo a Associação dos Oficiais de Polícia de São Francisco. No funeral de Espinoza, Dianne Feinstein, ex-prefeita de São Francisco e senadora, subiu ao púlpito para pedir que Harris, sentada na fileira da frente, pedisse a pena de morte, provocando uma ovação de pé dos dois mil policiais presentes. Harris mesmo assim recusou-se, e o assassino de Espinoza foi condenado à prisão perpétua. Pouco tempo depois, Harris despromoveu o veterano promotor de carreira Paul Cummins, assistente-chefe de seu antecessor e o responsável por uma unidade criminal formada por oitenta procuradores, para seu antigo cargo na Unidade de Criminosos Reincidentes, bem menos importante. Cummins era bastante respeitado pelo departamento de polícia, prejudicando ainda mais a relação que Harris possuía com os policiais.

Como procuradora, Harris iniciou um programa que oferecia aos traficantes de drogas detidos uma única vez a oportunidade de concluir o ensino médio e conseguir um emprego. O programa graduou cerca de trezentas pessoas, com os participantes alcançando uma taxa de reincidência muito baixa. Em 2007, foi reeleita para o cargo de procuradora sem a oposição de nenhum outro candidato. Em 2009, escreveu o livro Smart on Crime: A Career Prosecutor's Plan to Make Us Safer, no qual abordou a justiça criminal desde uma perspectiva econômica, discutindo uma série de "mitos" em torno do sistema da justiça criminal e apresentando propostas para reduzir e prevenir o crime. Tendo sido reconhecida pelo The Los Angeles Daily Journal como uma das cem melhores advogadas da Califórnia, integrou o conselho da Associação de Procuradores Distritais da Califórnia e foi vice-presidente da Associação Nacional de Procuradores Distritais.

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