Jundiaí do Sul é um município do estado do Paraná, no Brasil. Localizado na Mesorregião do Norte Pioneiro Paranaense e na Microrregião de Jacarezinho. Distando a 361 km de Curitiba, capital do estado, com uma área de 320,816 km². Sua história começa em 1917 com os pioneiros, foi sede da Família Império Brasileira e hoje o município possui grande atividades na área da Agronomia e Pecuária.
Conforme Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), Jundiaí: é de um termo de origem tupi que significa "rio dos jundiás (peixes)", através da junção de îundi'a + 'y (rio), formando uma relação genitiva.
"Jundiaí" é uma referência a um curso d'água do município, o Riacho do Jundiaí, e a palavra é um termo proveniente da língua tupi, que significa "rio dos jundiás", através da junção de îundi'a (jundiá, uma espécie de bagre) e 'y (rio, água)". O complemento "do sul" serve para diferenciar o município do seu homônimo do estado de São Paulo: Jundiaí.
Antes da colonização, as terras que hoje corresponde a Jundiaí do Sul, eram habitadas por povos indígenas das tribos dos Caingangues, Coroados e Guaranis. O primeiro relato de indígenas nesta terras foi durante o ano de 1911, entre os muitos conflitos entre colonizadores e índios, o massacre de Santo Antônio da Platina-PR foi o que mais chamou atenção da imprensa nacional, esta área é entre o Rio Laranjinha e o Rio Cinzas, local este que corresponde hoje ao município de Jundiaí do Sul. Dentre os jornais que cobriram o massacres estão: O Paiz (10/7; 24/7; 27/7; 28/7), Do Amazonas (25/7), Jornal do Commercio (25/7), O Estado de São Paulo (18/7), Jornal do Brazil (s/d).
O jornal O Estado de São Paulo, referindo-se ao massacre dos kaingang (Caingangues) - no início confundido com kayoá -, diz:O inquérito requerido por esta inspectoria, para apurar a responsabilidade da denúncia do massacre de índios cayuás, terminou pela denúncia de 14 bugreiros, pela promotoria pública. os ferozes algozes dos silvícolas, há três mezes, os perseguiram durante cinco dias, sem lograrem encontral-os. tendo-se exgottado a provisão de alimentos, regressaram a Santo Antônio da Platina. É gravíssima a situação dos índios caingangues que habitam as florestas comprehendidas entre os rios Cinzas e Laranjinha. Suas terras passaram a domínio particular, apesar da posse immemorial, como se fossem devolutas. os felizes proprietarios querem a ferro e fogo esbulhar os silvicolas de seus legitimos domínios. ... (O Estado de São Paulo, 1911).
Em 1917, Salvador Augusto de Castilho, caboclo desbravador de matas, e dois índios guaranis, Raimundo e Benedito, chegaram às terras onde hoje se localiza o Município, vindo de Santo Antônio da Platina, esses dois índios estavam em Santo Antônio da Platina porque haviam acompanhado o Sr. José Cândido Ferreira, funcionário da SPILTN (Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais), hoje é a atual FUNAI. Os pioneiros encontraram no local três tribos indígenas: os Caigangues, em maior número, e os Guaranis e Coroados, tribos menores.
Seriam ao todo uns 1.800 índios, estas etnias desapareceram após o inicio de colonização, pois o senhor José Cândido Ferreira os conduziu para São Jerônimo da Serra em 1924. O primeiro núcleo de brancos foi instalado em 1918, as margens do Rio Noite Negra (atualmente conhecido como Rio Galho Grande), no ano seguinte foi realizada a primeira Santa Missa celebrada pelo Frei Bellino Maria e construída uma estrada para dar acesso ao local.
A primeira denominação do povoado que começava a surgir foi de Vila São Francisco, a partir de 1936, nessa época o termo "Vila" era maior que distrito, nesse mesmo ano o proprietário da Fazenda São Francisco, João Francisco da Veiga, ex escravo que recebeu uma parcela de terras do Imperador Dom Pedro II doou terras as para Mitra Diocesana de Jacarezinho e também para as novas famílias que chegaram ao patrimônio, que foi elevado a distrito. Em 1938 passa a ser denominado Jundhiay, referência a um rio nas cercanias. Ainda teria o nome de Cinzas em 1943, com o qual foi criado o munícipio em 1947, e depois passou para Rio das Cinzas e finalmente Jundiaí do Sul em 1956, com a Lei 2618 - 07 de Março de 1956 (Publicado no Diário Oficial no. 7 de 8 de Março de 1956).
Criado pela Lei Estadual n°02 de 10 de outubro de 1947, foi instalado oficialmente em 5 de dezembro do mesmo ano, sendo desmembrado de Santo Antônio da Platina.
Na Lei 2 - 11 de Outubro de 1947 no Artigo 2º, publicado no Diário Oficial no. 205 de 1 de Novembro de 1947, está denotado a criação do município, então nomeado como "Cinzas":V. CINZAS, com a mesma denominação e os limites seguintes: com o Município de Abatiá: começa na cabeceira do braço esquerdo, um dos formadores do Ribeirão Páu D'Alho, de onde desce até a sua confluência com o braço direito do mesmo Ribeirão; com o Município de Santo Antonio da Platina: começa na confluência dos braços esquerdo e direito formadores do Ribeirão Páu D'Alho. Vai em reta até a cabeceira do Ribeirão Bocaina, pelo qual desce até sua fóz no rio das Cinzas, sóbe êste rio até se defrontar com o espigão divisor das águas do Ribeirão Bonito e rio das Cinzas, abaixo da corredeira das quatro ilhas; com o Município de Joaquim Távora: do rio das Cinzas, defronte do espigão divisor do Ribeirão Bonito e rio das Cinzas sóbe por êste até a fóz do Ribeirão das Pedras; com o Município de Tomazina: começa na fóz do Ribeirão das Pedras no rio das Cinzas, sóbe o Ribeirão até encontrar a linha de divisa das fazendas Jaboticabal e Ribeirão Vermelho, de onde vai em reta até encontrar a linha norte-sul divisória dos Municípios de Ribeirão do Pinhal e Cinzas; com o Município de Ribeirão do Pinhal, da interseção da linha norte-sul divisória daquelas Municípios segue por essa até a cabeceira do braço esquerdo de um dos formadores do Ribeirão Páu D'Alho.
Na mesma Lei de criação do município no Artigo 09º., o Poder Executivo Estadual determinou que se no exercício de 1948 os municípios que não arrecadarem renda superior que Cr$ 120.000,00 (cento e vinte mil cruzeiros), seriam reduzido a situação anterior, no caso voltaria a ser Distrito.
Em 17 de outubro de 1947, o Governador do Paraná Moisés Lupion fez um discurso no Palácio Rio Branco, em Curitiba, para a instalação de novos 23 municípios, na qual incluía o de Jundiaí do Sul, Pedro Veiga analisa o discurso como:"um vivo sinal do mais nobre sentimento paranista", "sinal de Um Novo Paraná!", "porque em seu seio se anima um movimento de grandeza e de progresso que os fez crescer [os municípios] até a independência; porque os seus homens estão cheios de espírito de fazer a grandeza de sua terra, e é a sua ação dominada do sentido público mais profundo (...)"58. Esse sentimento municipalista é uma das formas mais objetivas de civismo" [e] "revelação de que Um Novo Paraná começa como uma nova aurora" (...) "um marco do Novo Paraná que principia, a idade nova de nossa terra".Jundiaí do Sul já teve pelo menos duas fases áureas: da exploração de madeira e da cultura do café e cereais. A abundância de madeira atraiu diversos empresários do setor, em pouco tempo transformaram Jundiaí do Sul no maior polo madeireiro da região, sendo esse apogeu na década de 1950, após o recuo das florestas e as constantes autuações da polícia florestal a cidade consequentemente avançou na agricultura, que impulsionou a economia local. A cidade então passa a ser cercada de grandes fazenda com colônias cheias, grandes comércios plenamente ativos em que a comunidade libanesa teve papel de destaque.
No fim dos anos 1950 até 1960, a sua prosperidade manteve se na agricultura. Em 16 de setembro de 1953 Frederico Albano o assassinou a tiros com um revolver o líder comunitário libanês Nicolau Chamma (1905-1953), trazendo assim consequências nefastas para a economia local. Porém com a seca de 1963, seguida de um grande incêndio que alastrou todo o estado.
1956 a 1965: Sede da Casa Imperial do Brasil
Por 12 anos, a partir da década de 1960, os Orléans e Bragança viveram sem grandes presunções políticas e aparições públicas, e por esta passagem, consta no brasão do município, uma coroa que representa o membro herdeiro de Dom Pedro por suas terras. O local ainda é visitado por historiadores que tem interesse em descobrir mais sobre a vida e passagem da família pelo Brasil.Durante esse período de estadia da família imperial brasileira, nasceram no município, em 1959, as princesas gêmeas Maria Gabriela de Orléans e Bragança (Lelli) e Maria Teresa de Orléans e Bragança (Rezi), filhas de Dom Pedro Henrique, ambas artistas plásticas.