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Jundiaí

Município brasileiro do estado de São Paulo

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Jundiaí é um município brasileiro do estado de São Paulo, sede da região metropolitana de Jundiaí. Localiza-se a 23º11'11" de latitude sul e 46º53'03" de longitude oeste, a uma altitude de 762 metros. Dista 57 quilômetros do município de São Paulo. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, sua população era de 443 116 habitantes, ficando na 15° posição entre os municípios mais populosos do estado, sendo o 6º maior do interior paulista. Também é o 59° maior do Brasil, sendo maior que quatro capitais estaduais. Seu nome é uma referência ao rio Jundiaí, que significa "rio dos jundiás", famoso peixe da época da colonização do interior paulista (peixe hoje em extinção).

O município apresentou, em 2016, um produto interno bruto (PIB) de mais de 39,7 bilhões de reais, colocando o município na 18.° posição em todo o país, à frente de dez capitais, sendo o 7.º município mais rico do Estado de São Paulo Em 2013, seu índice de desenvolvimento humano atingiu 0,822, levando a cidade à 11.ª melhor posição do Brasil e à 4.ª melhor do estado. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), Jundiaí é a 9.ª cidade com maior qualidade de vida do Brasil, apresentando um Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal de 0,8892 em 2013. Também é um dos municípios mais seguros do país e do interior do estado, com um risco de homicídio de 6,88 por 100 mil habitantes (índice de 2012), além de também estar em primeiro lugar em saneamento básico no ranking do Instituto Trata Brasil, entre as cidades brasileiras acima de 300 000 habitantes. A partir da década de 1990, no entanto, houve um crescimento no nível de desigualdade social.

A cidade possui conurbação consolidada com Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista, além de estar em processo de conurbação com Itupeva. As cidades mencionadas fazem parte da Região Metropolitana de Jundiaí (antiga Aglomeração Urbana de Jundiaí ou região de Jundiaí), juntamente com os municípios de Cabreúva, Louveira e Jarinu, totalizando cerca de 835 mil habitantes segundo censo do IBGE. Esta região metropolitana está integrada — junto com a Grande São Paulo, a Região Metropolitana de Campinas, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a Região Metropolitana de Sorocaba e a Baixada Santista (litoral de São Paulo) — ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca de 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul.

A paisagem mais marcante da cidade é a Serra do Japi, uma das grandes áreas de Mata Atlântica nativa contínua no estado de São Paulo, denominada como "Castelo de Águas" por muitos naturalistas, como o geógrafo Aziz Ab'Saber, devido a sua riqueza hídrica. Foi tombada em 1983 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e, posteriormente, regulamentada como reserva biológica. Foi declarada em 1992 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura como reserva da biosfera da mata atlântica.

O termo, originalmente grafado como jundiahy, na língua geral paulista, originou-se do tupi îundi'a (bagres/jundiás) + 'y (rio), significando "rio dos jundiás" ou "rio dos bagres", formando uma relação genitiva.

A região de Jundiaí, até início do século XVII, era habitada exclusivamente por povos indígenas; alguns grupos viviam em clãs familiares, caracterizando-se pelo nomadismo, e outros eram sedentários. Tupis, se dedicavam à produção de milho e de mandioca. Eram povos guerreiros, bons caçadores e pescadores, organizando-se em aldeias compostas por cabanas circulares feitas de tronco e cobertas de palha. Parte da cultura indígena foi incorporada pelos brancos colonizadores, como a utilização de queimadas na lavoura.

O início da colonização da região do Mato Grosso de Jundiaí ainda é algo que possui controvérsias entre os historiadores e há várias versões, por causa da falta de documentos de fonte primária que comprovem tais versões. Tradicionalmente, diz-se que o povoamento do Mato Grosso de Jundiaí se iniciou próximo ao Rio Jundiaí, com a chegada, em 1615, da Rafael de Oliveira, sua mulher Petronilha Rodrigues Antunes e suas famílias, fugindo da justiça pelo fato de Rafael ter cometido o crime de apresamento de índios. No entanto, diz o historiador Afonso de Taunay que Rafael foi perdoado, graças à sua participação no combate aos flamengos.

Outros colonizadores foram chegando na região de Jundiaí com o passar do tempo, afugentando os grupos indígenas, que se embrenharam na mata.

Devido ao povoamento disperso na região do município e a necessidade dos seus povoadores recorrerem à Vila de Parnaíba, à qual a região pertencia desde 1625, para suas necessidades religiosas e os registros de batismos, casamentos e óbitos, os moradores da região queriam uma capela ali. Então, entre 1649 e 1651, foi erguida uma igreja em louvor a Nossa Senhora do Desterro e, ao seu redor, formou-se o povoado de Jundiaí.

Em 14 de dezembro de 1656, o Capitão-mor Manoel de Quevedo Vasconcelos, loco-tenente e procurador do então donatário da Capitania de São Vicente, Conde de Monsanto, elevou o povoado à categoria de vila, com o nome "Vila Formosa de Nossa Senhora do Desterro de Jundiaí", desmembrando-se de Parnaíba. Com a instalação da Câmara, a vila passou a funcionar.

Na época de sua emancipação, Jundiaí marcava o limite norte do povoamento da Capitania de São Vicente. Esse povoamento acusava dois rumos principais: um de Jundiaí para leste, atingindo a zona montanhosa banhada pelo Rio Atibaia; e outro de Jundiaí para o norte, alcançando o vale do Rio Mojiguaçu. No primeiro caso, surgiram os povoados de Atibaia (1665), a partir da edificação de uma capela por Jerônimo de Camargo e a fixação de índios vindos do sertão pelo padre Mateus Nunes de Siqueira, e de Nazaré (c. 1676). Depois da descoberta das minas de ouro em Goiás, no século XVIII, chegou, a traçado definitivo, o "Caminho dos Goiases", partindo de Jundiaí, atravessando as povoações de Mogi Mirim e Mogi Guaçu, rumando para o noroeste por áreas que, mais tarde, formariam o sul de Minas Gerais.

A economia jundiaiense, até a metade do século XVIII, se limitava a pequenas lavouras de subsistência, que se utilizavam inicialmente da mão-de-obra escrava indígena e, mais tarde, usa-se da mão-de-obra escrava africana. As lavouras abasteciam os locais e os bandeirantes e tropeiros que passavam pelo povoado. Jundiaí era um importante entreposto para bandeirantes.

No século XVIII, a cidade tinha quatro ruas centrais, chamadas de Rua Direita (atualmente Rua Barão de Jundiaí), Rua do Meio (Rua do Rosário), Rua Nova (Rua Senador Fonseca) e Rua Boa Vista (Rua Zacarias de Góes). As melhores casas eram de taipa, enquanto os mais humildes construíam casas de pau a pique cobertas por sapê. A insurgente localidade possuía a Capela de Nossa Senhora do Rosário (hoje no local está o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa), o Hospício dos Beneditos e o Mosteiro de São Bento, um dos poucos monumentos sobreviventes. Naquela época, o abastecimento de água era feito de modo rudimentar, por meio de bicas públicas. Candeeiros de querosene eram responsáveis pela iluminação. Eles ficavam suspensos nas paredes, acesos no final da tarde e apagados ao raiar do sol.

Na segunda metade do século XVIII, a economia jundiaiense passou a ser baseada no cultivo da cana-de-açúcar. Neste tempo, a política de povoamento da Capitania de São Paulo por Luís António de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, governador da capitania entre 1765 e 1775, estimulou o povoamento e desenvolvimento econômico de povoados dispersos ao longo do Caminho dos Goiases. Em 1769, foi criada, com território desmembrado da Vila de Jundiaí, a Vila de São José de Mogi Mirim, cujo território original englobava todo o atual Nordeste Paulista e municípios atuais como Ribeirão Preto, Franca, Batatais, Amparo, São João da Boa Vista e Mogi Guaçu. Este desmembramento fez Jundiaí perder grande parte do seu território.

Em 1797, desmembrou-se de Jundiaí a Vila de Campinas.

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