Juan Carlos de Lima del Castillo (Florida, 2 de maio de 1962 – Florida, 1 de outubro de 2025) foi um futebolista uruguaio que atuou como atacante, destacando-se como raro personagem de destaque nos rivais Nacional e Peñarol. Além dessa dupla principal, jogou em outros clubes do Uruguai e também de Equador, Chile e Brasil.
Morreu em sua cidade natal em 1 de outubro de 2025, vitimado por câncer.
Juan Carlos de Lima foi o artilheiro da Libertadores de 1986, marcando nove gols nessa edição da competição pelo Deportivo Quito.
Entre 1987 e 1988, teve uma passagem pelo Botafogo, único clube em que defendeu no Brasil. Não teve um ciclo elogiado, reconhecendo que deixou o Brasil "triste e humilhado" (em suas próprias palavras, dadas à revista Placar), após somente cinco gols marcados como botafoguense.
Após deixar o Botafogo, consagrou-se no ano de 1988 atuando pelo Nacional, numa temporada em que o time venceu a Copa Libertadores da América e a Copa Intercontinental.
Na Libertadores, De Lima foi recordado pelos gols importantes em duelos foras de casa anteriores às decisões contra o Newell's Old Boys. Contra o próprio Newell's, antes do reencontro na final, abriu o placar em pleno Parque Independencia. Na semifinal, ele então marcou o gol uruguaio no 1–1 válido conseguido em Cáli contra o América local, adversário forte que vinha de participar das decisões das três edições anteriores do torneio. Nesse lance, conseguiu marcar mesmo caído, após chocar-se com o goleiro adversário Julio César Falcioni, sendo elogiado pela insistência com ganas, mesmo em situação desfavorável.
Após ganhar em outubro a Libertadores, De Lima chegou a ser cogitado no Fluminense como alternativa a Washington no ataque deste time, ainda que o passe do uruguaio ainda pertencesse ao então vice-presidente de futebol do rival Botafogo. Permanecendo no Nacional, o atacante integrou em dezembro a escalação titular do último título mundial do clube e do futebol uruguaio. O duelo, contra o PSV Eindhoven, foi definido em decisões por pênaltis marcadas por numerosos erros de ambos os finalistas, mas De Lima acertou sua cobrança, já na chamada série alternada.
Curiosamente, a partida contra o PSV foi também uma de suas últimas pelo Nacional, o qual defendeu outras duas vezes, em amistosos em janeiro de 1989. Ele voltou ao Equador, onde seguia credenciado pela artilharia de Libertadores com o Deportivo Quito. No regresso, acertou com o Emelec, clube onde se tornou o último jogador, à altura do ano de 2025, a ter marcado três gols em um mesmo clásico del Astillero, em goleada de 6–0 em 1990 sobre o Barcelona de Guayaquil.
Ao longo da década de 1990, De Lima associou-se por mais tempo ao Defensor, equipe que defendeu entre 1994 e 1996. A equipe violeta pudera aspirar ao título no próprio ano de 1994, sucumbindo ao Peñarol após três finais.
Nove anos depois após o título mundial com o Nacional, o atacante obteve destaque precisamente no arquirrival Peñarol. Sua chegada, no início de 1997, começou anedótica, pois o clube pretendia contratar ninguém menos que Diego Maradona, recorrendo então a De Lima à medida em que a tentativa com o astro argentino não se mostrou frutífera.
Ao longo de 1997, ele destacou-se reiteradamente como talismã nos Superclásicos, marcando em dois duelos diferentes o gol de viradas aurinegras, em partidas válidas pelo segundo turno e pela semifinal do Campeonato Uruguaio de 1997. Esta edição do campeonato representou o segundo e último pentacampeonato seguido do clube (período conhecido como Quinquenio de Oro). De Lima marcou o gol da virada em vitórias por 4–3 e por 3–2, nas quais os tricolores chegavam a estar na vantagem por 3–1 e 2–0, respectivamente. Em 1999, voltou a ser campeão uruguaio com o Peñarol.
Copa Libertadores da América: 1988
Campeonato Uruguaio: 1997 e 1999
«Los mensajes del mundo del fútbol tras muerte de Juan Carlos De Lima, "ídolo y referente" desde Florida a Ecuador» (em espanhol). El País Uruguay