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Juan Carlos da Espanha

Rei da Espanha de 1975 a 2014

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Juan Carlos I, ou João Carlos I (nome pessoal em castelhano: Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias; Roma, 5 de janeiro de 1938) foi o Rei da Espanha de 1975 até sua abdicação em 2014. Após sua renúncia, ele continua a usar o título de rei com caráter honorário, mantendo o tratamento de "Sua Majestade", e tornou-se Capitão General das Forças Armadas na reserva, embora sem exercer funções constitucionais. Na Espanha, desde sua abdicação, Juan Carlos geralmente é chamado de "rei emérito" (rey emérito) pela imprensa.

Juan Carlos é filho do Infante D. João, Conde de Barcelona, e neto de Afonso XIII, o último rei da Espanha antes da abolição da monarquia em 1931 e da subsequente proclamação da Segunda República Espanhola. Nasceu em Roma, Itália, durante o exílio da sua família. Francisco Franco assumiu o governo da Espanha após a sua vitória na Guerra Civil Espanhola em 1939; contudo, em 1947, foi reafirmado o estatuto monárquico do país e aprovada uma lei que permitia a Franco escolher o seu sucessor. O pai de Juan Carlos reivindicou os seus direitos ao trono após a morte do rei Afonso XIII, em fevereiro de 1941. No entanto, Franco considerava-o demasiado liberal e, em 1969, designou Juan Carlos como seu sucessor enquanto chefe de Estado.

Juan Carlos passou os seus primeiros anos de vida em Itália e veio para Espanha em 1947 para prosseguir os estudos. Concluídos os estudos secundários em 1955, iniciou a formação militar na Academia Militar Geral de Saragoça. Posteriormente, frequentou a Escola Naval Militar e a Academia Geral do Ar, tendo terminado os estudos superiores na Universidade de Madrid. Em 1962, casou-se em Atenas com a Princesa Sofia da Grécia e Dinamarca. O casal teve três filhos: Elena, Cristina e Filipe. Devido à idade avançada e ao declínio da saúde de Franco, então afetado pela doença de Parkinson, Juan Carlos começou a exercer pontualmente funções de chefe de Estado a partir do verão de 1974. Em novembro do ano seguinte, com a morte de Franco, Juan Carlos tornou-se rei.

Esperava-se que Juan Carlos desse continuidade ao legado franquista, mas, ao invés, implementou reformas que levaram ao desmantelamento do regime e ao início da transição democrática espanhola. Esse processo culminou na aprovação, por referendo, da Constituição espanhola de 1978, que restaurou a monarquia constitucional. Em 1981, teve um papel decisivo na neutralização de um golpe de Estado que pretendia restaurar o franquismo em seu nome. Em 2008, foi considerado o líder mais popular de toda a Ibero-América. Apesar de ser aclamado pelo seu papel na transição para a democracia, a reputação do rei e da monarquia deteriorou-se nos anos seguintes, devido a polémicas envolvendo a sua família, agravadas por uma viagem de caça a elefantes que realizou durante uma crise económica em Espanha.

Em junho de 2014, Juan Carlos abdicou em favor do seu filho, que subiu ao trono como Filipe VI. Desde agosto de 2020, Juan Carlos vive em exílio autoimposto fora da Espanha, devido a alegadas ligações impróprias a negócios na Arábia Saudita. Segundo estimativas do The New York Times em 2014, a fortuna de Juan Carlos ascendia a cerca de 1,8 mil milhões de euros (2,3 mil milhões de dólares).

Nascido em Roma, Itália, onde seu avô paterno, o rei Afonso XIII, e a família real espanhola estavam exilados. Filho do Infante João, Conde de Barcelona e de sua esposa e prima, a Princesa Maria das Mercedes de Bourbon-Duas Sicílias, foi baptizado com os nomes de Juan Carlos Alfonso Víctor María pelo Cardeal Eugenio Pacelli, o futuro Papa Pio XII. Através de sua avó paterna, a rainha Vitória Eugénia de Battenberg, Juan Carlos era um tetraneto da rainha Vitória do Reino Unido.

A infância e juventude de Juan Carlos foram largamente moldadas pelas considerações políticas do seu pai e do general Francisco Franco. Em 1948, mudou-se para Espanha, a fim de prosseguir os estudos, após o seu pai ter convencido Franco a permitir tal decisão. Iniciou a sua formação em San Sebastián e concluiu os estudos secundários, em 1954, no Instituto San Isidro, em Madrid. Posteriormente, ingressou no exército, realizando a sua formação de oficial entre 1955 e 1957 na Academia Militar de Saragoça. Segundo a sua irmã Pilar, enfrentou dificuldades nos estudos devido à dislexia.

Juan Carlos tem duas irmãs: a Infanta Pilar, Duquesa de Badajoz (1936-2020); e a Infanta Margarida, Duquesa de Sória (nascida em 1939). Teve ainda um irmão mais novo, o Infante Afonso (1941-1956). A forma como o seu nome passou a ser oficialmente apresentado — "Juan Carlos", correspondendo ao primeiro e segundo nomes do seu batismo — foi uma escolha imposta por Francisco Franco. No círculo familiar, era tratado simplesmente por Juan ou Juanito.

Em 1954, participou com os seus pais e com a irmã Pilar numa viagem marítima organizada pela Rainha Frederica e pelo Rei Paulo da Grécia, que ficou conhecida como o “Cruzeiro dos Reis”, e que reuniu mais de uma centena de membros das casas reais europeias. Durante esta viagem, Juan Carlos conheceu pela primeira vez a filha dos anfitriões, Sofia, então com 15 anos de idade, que viria a ser sua futura esposa. Na época, Juan Carlos mantinha um relacionamento amoroso com a princesa Maria Gabriela de Saboia, filha do último rei da Itália, Humberto II. Contudo, para o o Franco, Maria Gabriela não parecia "adequada". Considerava que ela recebera uma educação excessivamente cosmopolita, liberal e "moderna".

Na noite de Quinta-feira Santa, 29 de março de 1956, o Infante Afonso faleceu na sequência de um acidente com arma de fogo ocorrido na residência da família, a Villa Giralda, no Estoril, na Riviera Portuguesa. A Embaixada da Espanha em Portugal emitiu então o seguinte comunicado oficial:

Na manhã desse mesmo dia, Afonso vencera um torneio local de golfe juvenil, tendo posteriormente assistido à missa vespertina. Ao regressar a casa, subiu apressadamente ao quarto para se encontrar com o seu irmão Juan Carlos, que regressara de licença da escola militar para as férias da Páscoa. Ambos, Juan Carlos, com 18 anos, e Afonso, com 14, estariam alegadamente a manusear uma pistola automática Star Bonifacio Echeverria calibre .22LR, pertencente a Afonso. Como se encontravam sozinhos no quarto, as circunstâncias do disparo que vitimou o Infante permanecem pouco claras. Segundo o testemunho de Josefina Carolo, costureira da mãe de Juan Carlos, este teria apontado a arma a Afonso e puxado o gatilho, desconhecendo que a mesma se encontrava carregada. Bernardo Arnoso, amigo português de Juan Carlos, afirmou igualmente que este lhe dissera ter disparado acidentalmente a arma, sem saber que estava carregada, acrescentando que o projétil teria ricocheteado numa parede, atingindo Afonso no rosto. A escritora grega Helena Matheopoulos, que conversou com a irmã dos infantes, Pilar, relatou que Afonso estaria fora do quarto e, ao regressar, ao empurrar a porta, esta terá batido no braço de Juan Carlos, provocando o disparo acidental da arma.

Ao tomar conhecimento do sucedido, o Conde de Barcelona terá agarrado Juan Carlos pelo pescoço, gritando-lhe furiosamente: "Jura-me que não o fizeste de propósito!" Dois dias depois, o Conde enviou o filho de volta à academia militar. Com base numa posterior declaração da mãe de Juan Carlos, o historiador Paul Preston argumenta que o conteúdo do depoimento sugere que Juan Carlos terá efetivamente apontado a arma a Afonso, aparentemente sem saber que esta se encontrava carregada, e puxado o gatilho.

Em 1957, Juan Carlos passou um ano na Escola Naval de Marín, em Pontevedra, e outro na Escola da Força Aérea em San Javier, na província de Múrcia. Entre 1960 e 1961, frequentou a Universidade Complutense de Madrid, onde estudou Direito, Economia Política Internacional e Finanças Públicas. Posteriormente, passou a residir no Palácio da Zarzuela e iniciou o desempenho de funções oficiais.

Juan Carlos casou-se em 14 de maio de 1962 com a Princesa Sofia da Grécia e Dinamarca, filha do Rei Paulo da Grécia. A cerimónia realizou-se, em primeiro lugar, segundo o rito católico romano, na Igreja de São Dinis, seguida de uma cerimónia segundo o rito ortodoxo grego, na Catedral Metropolitana de Atenas. A princesa Sofia converteu-se da fé Ortodoxa Grega ao Catolicismo Romano. Do casamento nasceram três filhos:

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