Josefina Bonaparte (nome pessoal em francês: Marie Josèphe Rose Tascher de La Pagerie; Les Trois-Îlets ou Santa Lúcia, 23 de junho de 1763 – Rueil-Malmaison, 29 de maio de 1814) foi a primeira esposa do imperador Napoleão I e, como tal, Imperatriz dos Franceses de 18 de maio de 1804 até a anulação do casamento em 10 de janeiro de 1810. Como consorte de Napoleão, também foi Rainha da Itália de 26 de maio de 1805 até a anulação em 1810. É amplamente conhecida como Josefina de Beauharnais (em francês: Joséphine de Beauharnais) ou simplesmente "Imperatriz Josefina".
O casamento de Josefina com Napoleão foi o segundo dela. Seu primeiro marido, Alexandre de Beauharnais, foi guilhotinado durante o período do Terror, e ela permaneceu presa na prisão das Carmelitas até cinco dias após a execução dele. Por meio dos filhos que teve com Beauharnais, Josefina tornou-se avó do imperador Napoleão III de França e da imperatriz Amélia do Brasil. Membros das atuais famílias reais da Suécia, Dinamarca, Bélgica, Noruega e do Luxemburgo também descendem dela. Como não teve filhos com Napoleão, ele anulou o casamento e casou-se com Maria Luísa da Áustria. Josefina foi destinatária de inúmeras cartas de amor escritas por Napoleão, muitas das quais ainda existem.
Como patrocinadora das artes, Josefina colaborou estreitamente com escultores, pintores e decoradores de interiores para estabelecer um estilo único (consulado e império) no Castelo de Malmaison. Ela se destacou como uma das principais colecionadoras de arte de sua época, reunindo obras de escultura, pintura e outras formas artísticas. O Castelo de Malmaison também se tornou célebre por seu jardim de rosas, que ela cuidava pessoalmente com grande dedicação.
Embora seja frequentemente chamada de "Josefina de Beauharnais", esse não era um nome que ela própria utilizasse. "Beauharnais" era o sobrenome de seu primeiro marido, que ela deixou de usar após o casamento com Napoleão, passando a adotar o sobrenome "Bonaparte". Ela não usava o nome "Josefina" antes de conhecer Napoleão, que foi o primeiro a chamá-la assim, talvez inspirado em seu nome do meio, "Josèphe". Antes de conhecê-lo, ela era conhecida como "Rose", ou "Marie-Rose Tascher de La Pagerie", mais tarde "de Beauharnais". Em alguns momentos posteriores de sua vida, ela chegou a voltar a usar seu nome de solteira. Após seu casamento com o então general Bonaparte, passou a adotar o nome "Josefina Bonaparte".
Os Tascher eram uma antiga família nobre francesa pertencente à pequena nobreza rural, e o avô de Joséphine, Gaspard-Joseph Tascher de La Pagerie (1705–1767), foi o primeiro a se estabelecer em Le Carbet, na Martinica, em 1726. Ele parece ter vivido em condições modestas, mas conseguiu garantir para seu filho, Joseph-Gaspard Tascher de La Pagerie (1735–1790), o cargo de pajem no séquito casa da delfina da França, Maria Josefa da Saxônia.
Após passar três anos na França a partir de 1752, Joseph-Gaspard retornou à Martinica e casou-se em 9 de novembro de 1761 com Marie Rose-Claire des Vergers de Sannois (1736–1807), cujo avô materno, Anthony Brown, possivelmente era irlandês. Rose-Claire pertencia a uma das famílias europeias mais antigas da ilha, e a casa da família Tascher, próxima a Les Trois-Îlets (uma plantação de açúcar, atualmente transformada em museu), fazia parte de seu dote.
Na Martinica, Joseph-Gaspard sustentava-se como proprietário de uma plantação e tenente das Troupes de marine, além de receber uma pequena pensão por seus serviços anteriores à casa real. Ele vivia quase sempre à beira da falência e sofria de problemas de saúde.
Árvore genealógica de Josefina de Beauharnais
Josefina foi descrita como tendo estatura mediana, corpo esbelto e bem proporcionado, cabelos longos e sedosos de tom castanho-avermelhado, olhos cor de avelã e tez um tanto amarelada. Seu nariz era pequeno e reto, e sua boca bem formada; contudo, mantinha-a fechada na maior parte do tempo para esconder os dentes estragados. Ela era elogiada por sua elegância, estilo e pela voz baixa, suave e belamente modulada.
Sua biógrafa Carolly Erickson escreveu: "Ao escolher seus amantes, [Josefina] seguia primeiro a razão, depois o coração", o que significa que ela era hábil em identificar os homens mais capazes de satisfazer suas necessidades financeiras e sociais. Ela tinha consciência do potencial de Napoleão. Josefina era conhecida por gastar grandes somas de dinheiro e Barras pode ter incentivado o relacionamento com o general Bonaparte a fim de se livrar dela. Josefina era naturalmente bondosa, generosa e encantadora, sendo elogiada como uma anfitriã envolvente.
A imperatriz era conhecida por seus hábitos finos, que incluíam ler romances e fazer compras nas mais seletas lojas de Paris. Josefina também costumava cultivar flores raras e colecionar obras de arte e, até mesmo, relíquias adquiridas durante as campanhas de seu marido. A imperatriz também era obcecada por joias. Sabe-se que ela possuía uma invejável coleção de pedras preciosas em Malmaison.
Oficialmente, Marie-Josèphe-Rose Tascher de La Pagerie nasceu em Les Trois-Îlets, na Martinica, em 23 de junho de 1763. No entanto, essa informação tem sido contestada por diversas fontes. O registro paroquial de Les Trois-Îlets afirma que Josefina foi batizada ali pelo padre Emmanuel Capuchin, mas não menciona que tenha nascido no local.
O pai de Josefina possuía uma propriedade no distrito de Soufrière, em Santa Lúcia, chamada Malmaison, nome que mais tarde também seria dado à sua famosa residência francesa, o Castelo de Malmaison. Em 1802, Dom Daviot, pároco de Gros Islet, em Santa Lúcia, escreveu uma carta a um amigo afirmando que "foi nas imediações de [minha] paróquia que nasceu a esposa do primeiro cônsul". Ele declarou conhecer bem o primo de Josefina, que era seu paroquiano.
Em The History of St. Lucia (1844), Henry H. Breen afirmou ter se encontrado com "várias pessoas bem informadas" que estavam convencidas de que a imperatriz Josefina nascera ali. Breen apresentou algumas evidências, incluindo um recorte de jornal de 1831 que alegava que os de Tascher estavam entre os primeiros colonos de Santa Lúcia e que a futura imperatriz teria nascido em uma pequena propriedade em uma colina então chamada La Cauzette, mais tarde conhecida como Morne Paix Bouche. Segundo esse relato, a família viveu ali até 1771, quando o pai foi servir como intendente da Martinica. Algumas pessoas afirmaram ter sido companheiras de infância de Josefina, e uma delas contou ter sido "graciosamente recebida" pela imperatriz no Castelo de Malmaison, nos arredores de Paris. Breen também obteve confirmação da ama de leite de Josefina, Dede, uma mulher escravizada, que afirmou tê-la amamentado em La Cauzette.
De acordo com os que acreditam que Josefina nasceu em Santa Lúcia, a propriedade da família de Tascher na Martinica servia apenas como pied-à-terre, ou seja, uma residência ocasional, usada quando desejavam hospedar-se junto à sogra. Santa Lúcia alternou o domínio entre a Grã-Bretanha e a França catorze vezes, e não havia registros civis na ilha quando Josefiona nasceu. Essa alternância constante de domínio entre britânicos e franceses pode explicar a ausência de sua localidade de nascimento nos registros, pois isso teria implicações sobre sua nacionalidade.
Independentemente do local de nascimento, Josefina foi a primogênita de seus pais, que tiveram mais duas filhas: Catherine-Désirée, em 1764, e Marie-Françoise, em 1766. Com dez e nove anos, respectivamente, Josefina e Catherine-Désirée foram enviadas a um internato em Fort-Royal, administrado por freiras beneditinas. Lá, aprenderam a ler, escrever, cantar, dançar e bordar durante quatro anos. Após a morte de Catherine-Désirée, Josefina retornou à plantação de seus pais. Sua ama de leite era uma mulher escravizada chamada Marion, cuja liberdade ela garantiria em 1807.
A tia paterna de Josefina, Marie Euphémie Désirée Tascher de la Pagerie (1739–1803), foi inicialmente amante e, posteriormente, segunda esposa de um oficial da marinha francesa, François de Beauharnais, governador da Martinica, que pertencia a uma família nobre Beauharnais menos antiga, porém mais rica. Enquanto vivia na Martinica, de Beauharnais teve um filho, Alexandre, com sua primeira esposa, Marie Anne Henriette Françoise Pyvart de Chastullé (1722–1766). Logo após, os pais retornaram à França, deixando o bebê aos cuidados da família Tascher até 1766. Quando Alexandre atingiu a maioridade, a amante do pai, que também era madrinha de Alexandre, decidiu que seria vantajoso para ela que ele se casasse com uma de suas sobrinhas. Com dezessete anos, Alexandre considerou Josefina, então com quinze anos, muito próxima em idade, optando por se casar com Catherine-Désirée Tascher de la Pagerie (1764–1777). Como o pai da noiva estava empobrecido e o noivo se tornaria um homem rico após o casamento, não foi exigido dote.