Neste Dia

José Santamaría

Futebolista espanhol

Anúncio

José Emilio Santamaría Iglesias (Montevidéu, 31 de julho de 1929 – Madrid, 15 de abril de 2026) foi um treinador e futebolista hispano-uruguaio que atuava como zagueiro. Notabilizou-se como o líder da defesa do Real Madrid nos seguidos títulos deste clube nas primeiras edições da Liga dos Campeões da UEFA, bem como por ter disputado a Copa do Mundo FIFA por dois países: a de 1954 pelo Uruguai natal e a de 1962 pela Espanha, terra dos pais dele, sendo Santamaría um dos raros futebolistas a jogar por seleções diferentes o torneio.

Além do Real Madrid, Santamaría também foi um destacado jogador do Nacional. Como treinador, associou-se mais ao Espanyol: é o técnico com mais partidas (218 ao todo) por este clube em La Liga, notadamente na temporada 1972-73, a mais próxima que o clube esteve de vencer a primeira divisão, e na de 1975-76, em que terminou no 4º lugar. Nessa função, voltou a participar de uma Copa do Mundo com a Seleção Espanhola, treinando-a precisamente na edição em que ela foi anfitriã, na de 1982.

Após prática de futebol em uma equipe de bairro chamada Atlético Pocitos, iniciou profissionalmente carreira no Nacional de Montevidéu, time pelo qual já torcia, estreando em 26 de abril de 1947 na equipe adulta. Em suas próprias palavras, "tive sorte. Não sei se porque era fisicamente distinto, porque tinha postura e os impressionava ou porque realmente jogasse bem. Rapidamente consegui consolidar-me no Nacional e e comecei a jogar no sub-18 como centromédio. Depois de dois anos, sem passar pelo sub-19 nem pelo sub-20, estreei no time principal. Me sentia orgulhoso. Sempre havia sido torcedor do Nacional, e agora era titular da equipe".

Ele não chegou a participar dos jogos do título uruguaio de 1947, começando a ter frequência a partir do título invicto de 1948, revezando-se com Schubert Gambetta na lateral. O campeão uruguaio de 1949 veio a ser o Peñarol, mas Santamaría teve uma temporada individualmente bem avaliada, a ponto de integrar a lista de pré-convocados pelo Uruguai à Copa do Mundo FIFA de 1950.

Sua ausência do Maracanaço costuma ser difundida por entraves criados pelo Nacional. Contudo, o próprio Santamaría declarou que deveu-se em parte por escolha própria: "tive a chance de integrar a delegação até o último treino, onde, por decisão minha, fiquei de fora. Cheguei ao estádio para o treinamento e faltava ser designado o reserva do centromédio. Para essa posição disputava Washington Ortuño e eu, mas como haviam começado a me colocar como zagueiro no Nacional, disse que eu de centromédio não aceitava jogar. Então Ortuño foi e eu fiquei sem ser campeão do mundo. Na quinta-feira foi o treino e na sexta-feira a equipe saiu rumo ao Brasil". Reafirmou em 2017 essa versão, ao jornal As, assumindo que ficar de fora da conquista lhe deixou amargurado por um tempo, ainda que saísse pelas ruas de Montevidéu para comemorar junto da esposa.

Ao fim de 1950, com Santamaría de titular na zaga, o Nacional gabou-se em ser campeão uruguaio no ano do título mundial da seleção. O jogador, porém, ainda aguardaria até 1952 para realizar sua primeira partida oficial com a Seleção Uruguaia; conviveu por algum tempo com a impressão de que se acovardava em momentos decisivos, especialmente após um gol contra em pleno Superclásico. Não aceitava que críticas nesse sentido: após parar de jogar, desabafou que "creio que triunfei amplamente. No Uruguai ganhei quatro campeonatos, na Espanha seis e fui quatro vezes campeão da Europa. Então note quantos clássicos joguei! O que acontecia é que eu era muito tranquilo. Tinha uma grande frieza e isso fazia a arquibancada pensar rapidamente que eu não vibrava. E toda essa história aumentou quando tive a desgraça de fazer um gol contra. Os momentos que se seguiram foram difíceis, porque perdemos, mas era preciso supera-los. E consegui".

Após 1950, os títulos seguintes do clube e do jogador se deram em 1952, em 1955 e em 1956. Nesse período, disputou a Copa do Mundo FIFA de 1954. Um dos amistosos de preparação do Uruguai, curiosamente, deu-se em partida não-oficial contra o Real Madrid, onde Santamaría foi utilizado no primeiro tempo em derrota da Celeste por 2-0, em 30 de maio.

No Mundial sediado na Suíça, contudo, a Seleção Uruguaia foi quarta colocada, obtendo vitórias contra Escócia (goleada por 7-0), Tchecoslováquia e Inglaterra, parando apenas na sensação Hungria - um 4-2 que é frequentemente listado entre os jogos mais dramáticos das Copas. No jogo pela bronze, os detentores do título, desmotivados, perderiam para a Áustria por 3-1. Naquele mundial, Santamaría, sem saber, foi prospectado pessoalmente pelo presidente madridista Santiago Bernabéu, embora a transferência ainda tardasse alguns anos.

Santamaría fez em 27 de abril de 1957 sua última partida pelo Nacional, não chegando a integrar a campanha campeã uruguaia daquele ano. Segundo ele, "ao voltar da Copa América de Lima em 1957, quando cheguei a Montevidéu, tinha em minha casa uma carta de Santiago Bernabéu, convidando-me a jogar na Espanha para me enrolar no Real Madrid. Bernabéu - e disto me interei depois, em Madrid - havia me visto jogar no mundial da Suíça e lhe havia ficado gravada na mente minha figura e minha forma de atuar. Mas antes de iniciar qualquer negociação começou a averiguar que tipo de vida eu tinha no Uruguai, como era como pessoa; e então lhe disseram que eu trabalhava em um banco, que tinha grande responsabilidade e, ao fim, lhe contaram meu modo de ser. Foi aí quando don Santiago se decidiu por minha contratação".

Foi contratado por 125 mil pesos uruguaios, após sua contratação ter sido cogitada também pelos rivais Atlético de Madrid e Barcelona.

Real Madrid e Seleção Espanhola

Contratado inicialmente para permanecer por três anos no Real Madrid, permaneceu por nove, sendo com o tempo reconhecido como elo entre duas gerações distintas e marcantes do clube: a multivencedora da nascente Liga dos Campeões da UEFA, na metade final da década de 1950; e os sucessores que, apelidados de Madrid dos Yeyé (em alusão ao Iê-iê-iê característicos da década de 1960), obtiveram o pentacampeonato no campeonato espanhol e a sexta conquista europeia. O uruguaio foi ao todo seis vezes campeão espanhol, quatro vezes na Liga dos Campeões, uma na Copa do Rei e obteve também o primeiro Mundial Interclubes - precisamente sobre seu antigo rival Peñarol.

Presente nas finais europeias de 1957–58 (3-2 no Milan), de 1958–59 (2-0 no Stade de Reims) e de 1959–60 (com um desarme seu descrito como "cirúrgico" iniciando a jogada do quinto gol espanhol no 7-3 sobre o Eintracht Frankfurt), esteve presente também na campanha campeã de 1965–66, embora ausente dessa final.

Apesar do sucesso, sua transferência à Europa privou-lhe de seguir defendendo a Seleção Uruguaia, que apenas na década de 1970 aceitou convocar quem atuasse fora do país. O defensor passou a ser utilizado pela Seleção Espanhola. Por Santamaría ser filho de espanhóis, era considerado cidadão nato, a exemplo do colega madridista Héctor Rial, argentino igualmente filho de espanhóis rapidamente convocado pela Furia, ao passo que o também argentino Alfredo Di Stéfano, sem essa mesma hereditariedade, precisou aguardar mais tempo - só sendo convocado após cumprir o requisito de vários anos de residência na Espanha. No caso do uruguaio, seus pais eram nativos de Ourense, na Galiza.

Santamaría fez em 1958 sua primeira partida por sua nova seleção, em amistoso em 15 de outubro contra a Irlanda do Norte. A Espanha não havia particiado da Copa do Mundo FIFA de 1958, tendo perdido de modo surpreendente para a Escócia a única vaga oferecida no grupo em que foram sorteadas nas eliminatórias europeias; e depois não pôde participar da Eurocopa 1960 por, sob determinação do ditador Francisco Franco, praticar W.O. nas eliminatórias contra a futura campeã União Soviética, país que a Espanha Franquista não reconhecia diplomaticamente. Santamaría pôde, porém, ser chamado para sua segunda Copa na de 1962. A respeito, declarou à Real Federação Espanhola de Futebol que "minha etapa na Espanha como jogador foi formidável pelo feito de estrear em uma Seleção que não é a do meu nascimento, embora ser filho de espanhóis me criasse muito desejo depois de ter disputado uma Copa com o Uruguai".

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
José Santamaría | World in Stories