José Manuel Fuente Lavandera foi um ciclista profissional espanhol que nasceu a 30 de setembro de 1945 em Limanes (Principado de Astúrias) e faleceu a 18 de julho de 1996 em Oviedo. Era conhecido popularmente com o apelido de El Tarangu.
Com tão só 7 anos como profissional acumulava um palmarés que poucos ciclistas tinham podido conseguir, e menos em tão pouco tempo. Muitos destes triunfos conseguiu-os na Volta a Itália, país onde era muito querido e valorizado tanto por seu espírito de atacante nato como pela sua grande rivalidade com Felice Gimondi e com o mítico ciclista Eddy Merckx do que não obstante era um grande amigo.
Problemas de saúde obrigaram-lhe a um abandono prematuro da atividade desportiva. Anteriormente retomou a sua relação com o ciclismo profissional sendo o diretor desportivo da equipa asturiana CLAS-Cajastur.
Chegou ao ciclismo por amizade, ao acompanhar a seu amigo de Colloto, Paco Cubillas, às corridas que este se apontava. Naquele momento a bicicleta não era mais que um entretenimento que com o passo do tempo se converteu na grande torcida do pequeno Jose Manuel. Em seus inícios as duas pessoas que lhe ajudaram foram o ciclista aficionado, José Luis González Rio (Carretillo) e o médico da paroquia, Eduardo Empréstimo.
Em 1962, aos dezassete anos de idade, chegaram os primeiros postos de honra. Corria no juvenil da Tenderina de Oviedo.
Em 1964 e 1965 é aficionado de 2ª e corre na equipa Mantova de Oviedo. É curioso porque um tal Eddy Merckx, que tinha nascido três meses antes que Fuente, estreia como ciclista profissional a 27 de abril de 1965.
Em 1966, como aficionado de 1.ª, corre com a equipa Horno San José. Ali coincide com futuros ciclistas profissionais como Antonio Menéndez o Gonzalo Aja.
Em 1967 corre nas fileiras da equipa Corisa. No entanto as suas aspirações de dar o salto a profissionais veem-se truncadas pelo serviço militar que devia cumprir em 1968. Por esse motivo nesse ano não milita em nenhuma equipa e deve esperar a 1969 para reiniciar sua carreira ciclista como aficionado.
Em 1969 corre com a equipa Werner e completa a sua melhor temporada como ciclista aficionado, até ao ponto de ser nomeado melhor ciclista aficionado das Astúrias. Mas o que deveria ser uma plataforma para fazer a estreia em profissionais se converte num passo atrás ao chocar o seu temperamento com os diretores da equipa Werner. Com 24 anos Fuente fica sem equipa e a sua carreira como ciclista parece mais perto do fim.
Sem equipa e sem trabalho a vida de José Manuel Fuente se desmoronava. Pelo sonho de chegar a ser ciclista profissional tinha-se enfrentado a sua família e tinha deixado um trabalho fixo, e agora, com quase 25 anos, uma idade à que muitos ciclistas são já profissionais consagrados, vê partir o penúltimo comboio. Procura à desesperada quem lhe dê uma mão e encontra-se com a ajuda de Amieva, que é quem o recomenda a Julio San Emeterio, diretor desportivo da equipa Karpy.
Fuente corre em 1970 com a equipa Karpy e fá-lo com licença de independente ou aficionado de 1.ª especial, categoria que existia naquela época para os profissionais de primeiro ano. Era o Karpy uma equipa eminentemente jovem com ciclistas de grande projeção como Eduardo Castelló, Gonzalo Aja, José Albelda, Juan Manuel Santisteban, Julián Cuevas ou o próprio José Manuel Fuente.
Estreia na Volta a Espanha e fá-lo em grande estilo. Na primeira etapa veste-se em maillot da classificação dos neo-profissionais, denominado pelas suas cores Maillot Tigre, e já não lho tira em toda a Volta. Termina décimo-sexto a 5:23 do ganhador, Luis Ocaña. A consecução do maillot Tigre supôs uma mudança radical na projeção desportiva do Tarangu, não esqueçamos que seis meses antes se encontrava sem equipa e sem nenhuma expectativa de futuro e agora não somente tinha justificado o seu contrato pela equipa Karpy, mas que também praticamente garantia o seu futuro imediato.
Fuente continua fazendo uma brilhante temporada na qual consegue um terceiro posto na Volta aos Vales Mineiros, um quinto na Volta a Astúrias, onde ademais se levou a classificação da regularidade e a vitória na quinta etapa, e um sexto na Volta à Rioja. Terminou a sua primeira temporada com os profissionais com a vitória na última etapa da Volta à Catalunha, ao impor-se ao sprint a seu colega de escapada, José Luis Uribezubía Velar.
Todos estes bons resultados serviram para que os olhos da toda poderosa equipa ciclista Kas se fixassem em Fuente e a 5 de janeiro de 1971 se incorporava às fileiras da equipa Kas.
Kas, 1971. Seus inícios no Kas foram muito duros. Os resultados não acompanhavam tanto a nível pessoal como a nível de equipa. Durante o início da Volta a Espanha as críticas voltaram-se contra a equipa de Dalmacio Langarica e precisamente a Volta não foi o bálsamo que a equipa precisava, já que a atuação de Fuente e seus colegas foi lamentável: uma única vitória de etapa, ganhada por José Antonio González Linares; o ciclista melhor classificado na geral foi Txomin Perurena no posto décimo sexto e a Kas finalizou sexto na classificação por equipas. A Fuente também não foi-lhe nada bem a nível pessoal: finalizou no posto 54 de 68 e em toda a Volta nem se lhe viu.
As consequências da nefasta temporada do Tarangu não demoraram em chegar e Fuente se encontrava ao final da Volta com pé e meio fora da equipa ciclista Kas. Sua presença na equipa da Volta a Itália estava descartada e a sua saída do Kas a final de temporada estava quase assegurada. Uma lesão à última hora de Gabriel Mascaró obrigou a Dalmacio Langarica a incorporá-lo e finalmente foi da partida. Ali, em Itália, a sua vida desportiva deu uma mudança de 180º.
Na décima etapa entre Forte dei Marmi e Pian do Falco chegou a sua primeira vitória com a equipa Kas, uma vitória que também o catapultou ao primeiro posto do grande prémio da Montanha, e que terminaria se levando pela primeira vez em sua carreira.
As críticas do princípio de temporada converteram-se em elogios e o Tarangu, em grande estado de forma, foi convocado para disputar seu primeiro Tour de France.