José Luis Félix Chilavert González (Luque, 27 de julho de 1965) é um ex-futebolista paraguaio que atuava como goleiro. Marcou época por suas defesas, a segurança que transmitia no gol e sua liderança sobre os companheiros, mas também por sua habilidade nas cobranças de falta e pênalti. Despediu-se dos gramados como o maior goleiro artilheiro da história, sendo posteriormente superado por Rogério Ceni.
Tornou-se notório também pelas confusões que arrumava com torcedores e jogadores adversários e também jornalistas. Compensava com grande senso de colocação os poucos saltos que dava na hora de interceptar as bolas adversárias. Após se aposentar, declarou que pretende um dia tornar-se presidente do Paraguai.
Chilavert nasceu em uma família de jogadores: seu pai também jogou futebol e um irmão mais velho, Rolando, inclusive integrou a Seleção Paraguaia da Copa do Mundo de 1986.[carece de fontes?] Mas, bem antes de iniciar a carreira, o futuro goleiro já precisava trabalhar: quando criança, em sua pequena Luque natal, para juntar algum dinheiro, ordenhava as três vacas magras da família para vender o leite. Foi no time da cidade, o Sportivo Luqueño, que ele iniciou em 1982 a carreira.
Começou a se notabilizar em 1984, ao ganhar seu primeiro título, já no Guaraní, quando faturou o campeonato paraguaio. Chegou a despertar a atração do Atlético de Madrid, que desistiu do negócio por considerar alta demais as exigências do time paraguaio. As notícias sobre a técnica de Chilavert chegaram também ao vice-presidente de um dos grandes clubes da vizinha Argentina, o San Lorenzo, que o adquiriu por empréstimo de um ano. Ali, na equipe de Boedo, já demonstrava marcas que o caracterizariam: brigas com árbitros e goleiros adversários, cobranças de falta (não chegou a marcar), e até com torcedores do próprio time. Apesar da falta de títulos mais expressivos — as conquistas limitaram-se a duas liguillas pre-Libertadores, em 1986 e 1988 —, chegou a ser considerado por muitos à altura de 2008, quando o clube completou seu centenário, o melhor goleiro das últimas duas décadas do clube, idolatria já manifestada ao fim de seu primeiro ano lá: era o momento em que o San Lorenzo precisava pagar ao Guaraní os 120 mil dólares requisitados pela compra definitiva de Chila, mas o caixa da instituição não possuía saldo viável para o negócio. O dinheiro veio da própria torcida cuerva, que tomou a iniciativa de juntar pequenas quantias durante os jogos; logo, o montante exigido foi alcançado.
Em 1988, o River Plate propôs trocas com o CASLA: o paraguaio e o colega Darío Siviski iriam a Núñez, enquanto Sergio Goycochea e Néstor Gorosito viriam dos millonarios. Porém, uma misteriosa lesão de Goycochea frustrou a negociação em relação aos goleiros, o que amargou Chilavert, que criou um mau ambiente em seu clube. Naquele mesmo ano, deixou o San Lorenzo para enfim ser negociado com o futebol europeu, transferindo-se para o Zaragoza. Na Espanha, polemizaria pela primeira vez com suas tentativas de gol. Ele, que já tinha feito seu primeiro gol (pelo Paraguai em 1989), marcou um contra a Real Sociedad, que, em seguida, revidou com outro gol, tão logo a bola foi reposta no meio-de-campo. Chilavert acabaria não sendo permitido mais a bater pênaltis no Zaragoza.
Seu forte temperamento também não seria apreciado, e deixou o clube no ano seguinte pela porta dos fundos: retornou à Argentina, mas agora para a modesta equipe do Vélez Sarsfield. Mas seria no clube de Liniers que iniciaria a época mais consagrada da carreira.
O reforço voltou à Argentina bem diferente de como havia deixado: seu físico, atlético no San Lorenzo, já mostrava uma barriga protuberante. O que não o impediu de ser um dos principais componentes das já boas campanhas dos fortineros no Campeonato Argentino, terminando em terceiro no Clausura e em segundo no Apertura daquele 1992. Para finalmente chegar aos títulos, o clube contratou como treinador um antigo ídolo, seu ex-jogador Carlos Bianchi. No campeonato seguinte, o Clausura de 1993, o Vélez foi campeão. Foi apenas o segundo título nacional do clube — o primeiro fora ainda na década de 1960, quando Bianchi era o goleador do time. Foi nesse Clausura que Chilavert marcou seu primeiro gol de falta.
A conquista classificou o Vélez para a sua segunda Copa Libertadores da América, a de 1994. Após passar por um duro grupo que reunia Boca Juniors, Palmeiras e Cruzeiro, o clube foi avançando no mata-mata até chegar na decisão. E o adversário tinha todo o favoritismo: era o recém-bicampeão seguido São Paulo, que jogaria a segunda partida da final em casa. Cada finalista venceu uma partida por 1–0 e o título se decidiu nos pênaltis. Chilavert, que já havia sido herói nas semifinais, também vencidas nos pênaltis (contra o Atlético Junior de Carlos Valderrama), foi outra vez decisivo, defendendo a cobrança de Palhinha.
No Mundial Interclubes, foi a vez de outro favorito cair, o Milan, na conquista mais importante do clube. Chilavert acabaria eleito o melhor goleiro do mundo em 1995. Ironicamente, não ganhou taças naquele ano com o Vélez, o que seria compensado em cheio no ano seguinte: tanto o Clausura quanto o Apertura 1996 foram para o Estádio José Amalfitani, assim como a Supercopa Libertadores. O goleiro artilheiro, por sua vez, seria eleito o melhor jogador do campeonato argentino e o melhor da América do Sul naquele ano.
Em 1997, quando foi considerado outra vez o melhor goleiro do mundo, levantou a Recopa Sul-Americana. Em 1998, ganhou novo Clausura, e seria outra vez eleito o melhor do planeta em sua posição.
Em 2000, deixou o seu Vélez, como um dos principais personagens da era de ouro da equipe. Chegou como reforço de emergência do Strasbourg, da França, ameaçado de rebaixamento. Chila não conseguiu evitar que a equipe ficasse em último na Ligue 1 e consumasse o descenso, mas na mesma temporada conquistou com o novo clube a Copa da França, nos pênaltis. Em sua segunda temporada no futebol francês, ajudou a equipe a subir de volta à elite, encerrando sua boa passagem, embora já demonstrasse sinais de decadência — principalmente quanto ao seu físico, que mesmo no auge estava longe de ser o de um atleta.
Chilavert voltou à América do Sul, desta vez para defender as redes do Peñarol. Ficou um ano nos carboneros, ganhando o Campeonato Uruguaio de 2003 — a equipe aurinegra, a mais vitoriosa do país, só voltaria em 2010 a ser novamente campeã nacional. Beirando os quarenta anos, acertou um retorno ao seu querido Vélez Sarsfield. Todavia, amargou a reserva de Gastón Sessa, aposentando-se em 2004 no Fortín após apenas seis partidas oficiais em sua volta.
Chilavert fez sua primeira partida pelo Paraguai em 1989, já como jogador do Zaragoza. E naquele ano, pela seleção, ele marcaria seu primeiro gol: foi de pênalti, no último minuto de jogo contra a Colômbia, em partida válida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990. A única vaga do grupo ficaria com os próprios colombianos; o Paraguai precisava vencer o já desclassificado Equador em Quito para terminar em primeiro no grupo que formava com os dois países, mas acabou derrotado e ficando um ponto atrás da Colômbia.
Quatro anos depois, novamente uma vaga para o mundial foi perdida por um ponto. O Paraguai chegou à última rodada precisando vencer o desclassificado Peru em Lima e torcer por derrota da Argentina em Buenos Aires, contra a Colômbia. O resultado mais improvável ocorreu: os argentinos foram humilhados por um histórico 5–0. Mas terminaram com um ponto a mais após os paraguaios não saírem de um empate contra os peruanos.
A oportunidade de ir para uma Copa finalmente viria na edição seguinte, com relativa tranquilidade, com o Paraguai classificando-se em segundo lugar nas Eliminatórias. Foi nelas que Chilavert marcou o que é seu gol mais famoso pela seleção, em um empate de 1 a 1 contra a Argentina no Monumental de Núñez. E Chilavert seria um dos maiores destaques da digna campanha paraguaia na França: levando em consideração defesas, pênaltis defendidos, cruzamentos cortados e gols tomados, foi o goleiro mais eficiente da Copa.