José Luís Pereira Carneiro (Campelo, Baião, 4 de outubro de 1971) é um político e docente universitário português. Militante do Partido Socialista (PS), é secretário-geral do partido desde 28 de junho de 2025, tendo sido reeleito em março de 2026, e é deputado à Assembleia da República na XVII Legislatura, eleito pelo círculo de Braga.
Foi presidente da Câmara Municipal de Baião entre 2005 e 2015, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas entre 2015 e 2019, secretário-geral-adjunto do PS entre 2019 e 2022 e ministro da Administração Interna no XXIII Governo Constitucional, entre março de 2022 e abril de 2024.
Formação e atividade académica
Carneiro é licenciado em Relações Internacionais, mestre em Estudos Africanos e concluiu a parte escolar do doutoramento em Ciência Política e Administração no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.
Exerceu docência na Universidade Lusíada entre 1995 e 2005, nos domínios das Relações Internacionais e da Economia, e no Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração, em Aveiro, entre 2003 e 2005, na área do Comércio Internacional. Retomou funções docentes entre 2021 e 2022 e, novamente, a partir de setembro de 2024, na Universidade Lusíada do Porto, tendo também passado a docente convidado no ISCSP.
Poder local, Parlamento e instituições regionais (1998–2015)
Iniciou o percurso autárquico em janeiro de 1998 como vereador sem pelouro na Câmara Municipal de Baião, função que manteve até novembro de 2005. Em paralelo, foi assessor do gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna entre 1999 e 2000 e chefe de gabinete do Grupo Parlamentar do PS entre 2000 e 2002.
Em fevereiro de 2005 foi eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral do Porto, na X Legislatura. Nesse período integrou a Comissão de Negócios Estrangeiros e foi membro da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica. Em outubro desse ano venceu as eleições para a Câmara Municipal de Baião: a lista do PS obteve 50,88% dos votos e quatro dos sete mandatos do executivo municipal. Iniciou funções como presidente da Câmara em 2 de novembro de 2005.
Foi reeleito em 2009, quando o PS obteve 66,84% dos votos e cinco vereadores, e voltou a ser eleito para um terceiro mandato em 2013. Deixou a presidência da autarquia em 2015, na sequência do regresso à Assembleia da República.
Enquanto autarca, integrou o Comité das Regiões da União Europeia entre 2006 e 2015. Fez parte das comissões de Educação, Juventude, Ciência e Cultura (EDUC) e de Coesão Territorial (COTER) e, em 2015, presidiu à Comissão de Recursos Naturais (NAT). Entre 2007 e 2010 presidiu à cooperativa de desenvolvimento regional Dolmen. Foi ainda presidente do Conselho da Comunidade do ACES Tâmega entre 2010 e 2015, membro do Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios Portugueses e do Conselho Económico e Social entre 2013 e 2015 e presidente da Associação Nacional dos Autarcas Socialistas entre 2014 e 2015.
No plano partidário, foi eleito presidente da Federação Distrital do Porto do PS em junho de 2012, cargo que exerceu até março de 2016.
Comunidades Portuguesas e direção do PS (2015–2022)
Nas eleições legislativas de 2015 voltou a ser eleito deputado pelo Porto, para a XIII Legislatura. Em 26 de novembro de 2015 tomou posse como secretário de Estado das Comunidades Portuguesas do XXI Governo Constitucional, cargo que exerceu até 26 de outubro de 2019.
Durante esse período, a rede de Gabinetes de Apoio ao Emigrante foi alargada, passando de 100 para 132 gabinetes em 2016, numa expansão realizada em articulação com municípios e juntas de freguesia. Em 2018 foi aprovada a Lei n.º 47/2018, que introduziu o recenseamento eleitoral automático dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro titulares de cartão de cidadão; no final desse ano estavam inscritos 1 475 797 eleitores no estrangeiro, segundo a Comissão Nacional de Eleições.
Foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Baião para o período de 2017 a 2021. Em 2019 foi novamente eleito deputado pelo Porto, desta vez para a XIV Legislatura. A 27 de outubro do mesmo ano, a Comissão Nacional do PS elegeu-o secretário-geral-adjunto, sucedendo a Ana Catarina Mendes; foi reconduzido em 2021. Terminou essas funções a 9 de abril de 2022, quando João Torres foi eleito para o cargo.
Ministro da Administração Interna (2022–2024)
Nas eleições legislativas de 2022 foi eleito deputado pelo círculo de Braga, passando a representar esse círculo nas XV, XVI e XVII legislaturas. A 30 de março de 2022 tomou posse como ministro da Administração Interna do XXIII Governo Constitucional, chefiado por António Costa.
Nos primeiros meses do mandato, o Governo aprovou uma nova programação plurianual de investimentos nas forças e serviços de segurança para o período de 2022 a 2026. O Decreto-Lei n.º 54/2022, de 12 de agosto, previu investimentos em infraestruturas, sistemas de tecnologias de informação e comunicação, veículos, armamento, equipamento de proteção individual e outros equipamentos operacionais. O programa tinha uma dotação global superior a 607 milhões de euros até 2026, dos quais 236 milhões destinados a infraestruturas e 250 milhões a sistemas de informação e comunicação; o restante abrangia, entre outras áreas, veículos, armamento e equipamentos de proteção e de apoio à atividade operacional.