Dom José Lourenço da Costa Aguiar (Sobral, 9 de agosto de 1847 — Lisboa, 5 de junho de 1905) foi sacerdote católico brasileiro, o primeiro bispo da Diocese do Amazonas, de 1893 a 1905.
Dom José nasceu em Sobral, na província do Ceará, filho do negociante Boaventura da Costa Aguiar e de Joana Virgínia de Paula, a qual viveu seus últimos anos na companhia do filho no Amazonas. Passou a infância e a adolescência em sua terra natal, onde fez os estudos primários e secundários com o professor Vicente Ferreira de Arruda e o padre Antônio da Silva Fialho.
Aos dezessete anos, matriculou-se no Seminário de Fortaleza, recebendo as ordens diaconal em 20 de novembro de 1870 e a de presbítero dez dias depois. Cantou sua primeira missa, em 8 de dezembro do mesmo ano, em Sobral. De volta a Fortaleza, no ano seguinte, começou a lecionar no Ateneu Cearense. Em 9 de novembro de 1872, foi nomeado cura da Sé de Fortaleza, em substituição ao padre Miguel Francisco da Frota, permanecendo neste cargo até 4 de março de 1876.
A convite de D. Antônio de Macedo Costa, o padre José Lourenço transferiu-se para Belém do Pará, onde o referido bispo diocesano o fez cônego do cabido da Catedral. Em 25 de outubro daquele ano, ausentando-se D. Macedo, foi feito um dos três governadores do bispado. Já no ano seguinte, passou a ser vigário-geral da diocese para a região do Amazonas, com sede em Manaus. Naquela época, a diocese de Santa Maria do Grão-Pará abrangia toda a Amazônia, desde o rio Gurupi até as fronteiras com o Peru, com a Colômbia e com a Venezuela. Para tornar eficiente o governo da diocese, esta foi dividida em três vigararias-gerais: uma com sede em Belém, outra em Santarém e outra em Manaus, esta última confiada ao cônego José Lourenço.
Em Belém, foi provedor da Santa Casa de Misericórdia, do Asilo de Alienados e do Lazareto de Tucunduba. Também atuou como Cura da Sé e Secretário do Bispado. Exerceu várias atividades jornalísticas: em Fortaleza, foi redator da Tribuna Católica, e na diocese do Pará, foi redator e proprietário dos jornais Boa Nova, A Constituição e Diário do Grão-Pará. O cônego José Lourenço também foi deputado provincial pelo Grão-Pará durante a 20.ª legislatura da Câmara dos Deputados; ele proferiu vários discursos em 1886 e 1887, mas abandonou a política com a queda do regime monárquico.
Após a morte de D. Antônio de Macedo, ele partiu para Roma, obtendo o doutorado em direito civil e canônico pela Universidade de Santo Apolinário. Também recebeu do papa Leão XIII o título de Camareiro Secreto de Sua Santidade.
De volta ao Brasil, em junho de 1893, foi eleito primeiro bispo do Amazonas pelo Papa Leão XIII em 16 de janeiro de 1894. Sua sagração efetuou-se em 11 de março daquele ano, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis, sendo sagrante o frei D. Girolamo Maria Gotti, internúncio apostólico no Brasil, assistido pelo bispo de Niterói, D. Francisco do Rego Maia, e o então bispo titular de Argos, D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti. D. José Lourenço tomou posse do bispado e inaugurou a diocese em 18 de junho de 1894.
Esteve presente no Concílio Plenário da América Latina, realizado em Roma, em 1899. A partir de 4 de outubro de 1901, passou a fazer parte do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Fazia parte também do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Com o intuito de se aproximar mais de seus fiéis indígenas, aprendeu a língua nheengatu e escreveu um compêndio das doutrinas cristãs nessa língua.
Em 1905, partiu para a Europa para tratar sua diabetes. Encontrando-se em Lisboa, hospedado na casa da Condessa de Redinha, sofreu derrame cerebral e foi transportado para o Hospital de São José. Recebeu a extrema unção de D. José III, patriarca de Lisboa. Também assistiu aos seus últimos momentos o arcebispo de Mitilene. Seu corpo foi sepultado na Catedral de Manaus.
MACIEL, Elisângela. Igreja de Manaus, porção da Igreja Universal”: a Diocese de Manaus vivenciando a romanização (1892-1926). Manaus: Valer, 2014.
«Christu Muhençáua: Doutrina Christã criada às naturezas do Amazonas em Nhihingatu com tradução portuguesa em face, etc.». D. José Lourenço da Costa Aguiar, 1898.