Neste Dia

José João Altafini

Futebolista ítalo-brasileiro

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José João Altafini, mais conhecido no Brasil como Mazzola e mais conhecido no resto do mundo pelo sobrenome Altafini (Piracicaba, 24 de julho de 1938), é um ex-futebolista ítalo-brasileiro, campeão do mundial com a Seleção Brasileira em 1958. É considerado o maior jogador brasileiro na história do futebol da Itália, cuja seleção ele também defendeu em Copa do Mundo FIFA, na de 1962 - sendo um dos raros futebolistas a defender dois países nesse evento.

Foi campeão mundial quando pertencia ao Palmeiras, tendo Mazzola sido duas vezes eleito para o time dos sonhos deste clube, em eleições promovidas em 1982 e em 1994 pela Placar. Na Itália, divide com Giuseppe Meazza a quarta colocação na listagem de maiores artilheiro da história da Serie A: Altafini acumulou com 216 gols em 367 partidas e foi o maior goleador que o campeonato italiano teve da década de 1960 até o fim da década de 2000. É visto como o maior jogador brasileiro mais brilhante no Milan, com o qual chegou a marcar os dois gols que valeram o primeiro título do clube na Liga dos Campeões da UEFA, e Juventus; e o segundo maior no Napoli, abaixo apenas de Careca. Neste clube, considera-se que Altafini foi vital para elevação de patamar, protagonizando as primeiras campanhas em que o time aspirou a títulos nacionais, no que foi o melhor momento do futebol napolitano até a "Era Diego Maradona".

À altura da década de 2010, Altafini seguia sendo considerado tanto no Milan como no Napoli entre os dez maiores ídolos dentre todas as nacionalidades, bem como entre os trinta principais jogadores da história da Serie A. Altafini também detinha até essa década o recorde de gols em uma única edição da Liga dos Campeões: seu quatorze gols em 1963 (na campanha milanista pela primeira vez campeã) foram superados primeiramente por Cristiano Ronaldo, em 2014.

Sua alcunha de Mazzola se devia à semelhança física com Valentino Mazzola, craque italiano da década de 1940 mundialmente renomado. Curiosamente, Altafini viria a ser contemporâneo, e até adversário nos dérbis de Milão, de Sandro Mazzola, filho do sósia ilustre do brasileiro. Na Itália, o apelido de Altafini era Conileone, um trocadilho com as palavras italianas para coelho e leão.

Altafini é neto de italianos. Casou-se com Eleana D'Addio, em 1959, com quem teve duas filhas: Patricia, casada com o jornalista e escritor Pedro Oswaldo Nastri, e Cristina, casada com Salvatore Marco Pulvirenti. Ambas nasceram em Milão, na Itália, e residem no Brasil. No fim da década de 1960 protagonizou um caso de adultério quando envolveu-se com a esposa do companheiro de equipe Paolo Barison do Napoli.

Formado na Piracicaba natal no Atlético Piracicabano, foi negociado ainda adolescente com o Palmeiras. Foi contratado na expectativa de suprir a lacuna deixada pela venda de Humberto Tozzi; estreou em 25 de setembro de 1955, em amistoso contra o América de Rio Preto. Os dois jogos seguintes (amistosos também, contra Catanduva e Estrela de São Carlos) tardaram até a virada de janeiro para fevereiro de 1956, e neles Altafini acumulou quatro gols.

Conseguindo gradualmente média de três gols e cada quatro jogos, recebeu sua primeira convocação à Seleção Brasileira uma semana após marcar cinco vezes em uma só partida: isto se deu na estreia do Campeonato Paulista de 1957, quando assinou todos os gols palmeirenses em vitória de 5-2 sobre o Noroeste.

Sem ser campeão desde 1951, o Palmeiras não conseguiu títulos com Mazzola, embora ele influenciasse indiretamente na era vitoriosa da primeira Academia: foi com a venda do prodígio ao Milan, por 25 milhões de cruzeiros, que os alviverdes puderam adquirir em especial Julinho Botelho, Chinesinho, Romeiro e Zequinha, em meio a um pacote de dezesseis reforços.

Mazzola foi o primeiro palmeirense a vencer uma Copa do Mundo FIFA, na de 1958, garantindo sua vaga após marcar duas vezes em movimentado duelo vencido por 7-6 pelo Santos em 6 de março de 1958, pelo Torneio Rio-São Paulo. Um mês depois, fez seu último jogo antes de ir ao Mundial. Em 1966, reapareceu rapidamente como palmeirense em três amistosos na virada de junho para julho.

Mazzola já interessava ao Milan antes mesmo da Copa do Mundo FIFA de 1958, chamando atenção ao marcar, pela Seleção Brasileira, gol em vitória de 4-0 precisamente sobre a Internazionale em amistoso preparatório do Brasil para o Mundial.

Sua estreia como rossonero foi em 21 de setembro e, em sua primeira temporada, jogou 32 partidas, marcando 28 gols, ganhando o título no percurso. Seu primeiro gol na liga foi em 5 de outubro, em uma vitória contra o Bari. O brasileiro estabeleceu um recorde de gols de qualquer jogador milanista em uma edição de dezoito equipes no campeonato italiano.

Firmando com substituto perfeito de Gunnar Nordahl, precisamente o segundo maior artilheiro da história da Serie A e que deixara o clube em 1958, Altafini obteve na temporada 1961-62 tanto novo título italiano como também a artilharia máxima do torneio. Na temporada seguinte, foi o grande protagonista da primeira conquista do Milan e do futebol italiano na Liga dos Campeões da UEFA, acumulando quatorze gols em nove partidas na edição de 1962–63 - incluindo os dois na vitória de virada na final, perante o então bicampeão seguido, o Benfica.

Apenas na última de suas cinco temporadas com o Milan é que não foi titular, deixando-o em 1965 após ter sido em três delas o artilheiro do elenco. Dentre as partidas em que melhor exibiu seus dotes de goleador, esteve um histórico Derby della Madonnina em 1960, quando marcou quatro vezes em um só jogo em vitória de 5-3 sobre a Internazionale. O brasileiro segue como único a lograr o chamado poker-trick no duelo de Milão.

Contratado pelo Napoli juntamente com a estrela Omar Sívori, fez ótima dupla ofensiva com o ítalo-argentino nas duas primeiras temporadas que tiveram ali. O clube acabava de voltar à primeira divisão e, mesmo assim, pôde de imediato lutar pelo título italiano de 1965-66, terminando em terceiro. Altafini e Sívori ganharam a Copa dos Alpes em 1966 e, com a segurança de Dino Zoff no gol, estiveram na temporada 1967-68 novamente perto de um então inédito título italiano aos partenopei: Altafini contribuiu com treze gols, suficientes para ser o vice-artilheiro da Serie A, mas o concorrente Milan terminou campeão ao ser derrotado somente duas vezes no campeonato. O Napoli foi o vice-campeão.

Altafini manteve-se entre líderes de boas campanhas napolitanas nos anos seguintes, firmando-se como o quinto maior artilheiro da história celeste. Seu contrato se encerrou em 1972, causando surpresa que ele, visto como em fim de carreira, rumasse à equipe vista como principal rival do Napoli: a Juventus, que simultaneamente contratou também Zoff. O brasileiro já havia passado do auge físico, sendo reconhecido como soube readaptar-se com inteligência, possibilitando-lhe que defendesse a Juve dos 34 anos aos 38.

Ele imediatamente reconquistou o campeonato italiano, na temporada 1972-73, usualmente como jogador acionado do banco de reservas para os segundos tempos das partidas. Em paralelo, também chegou a uma nova final na Liga dos Campeões da UEFA, embora a perdesse (por 1-0) para o Ajax de Johan Cruijff.

Novo título italiano esteve perto no campeonato seguinte, perdido para a surpreendente Lazio. O scudetto de 1974-75, por sua vez, rendeu uma das mais emocionantes disputas de título, ocorrida precisamente entre Juventus e Napoli. Em duelo direto na reta final, Altafini, em um dos jogos em que costumeiramente entrou no segundo tempo, marcou o gol do triunfo juventino aos 43 minutos do segundo tempo.

A Juventus terminou campeã precisamente por dois pontos a mais do que o concorrente, com o brilho do brasileiro sobre o ex-clube inspirando que a expressão core 'ngrato ("coração ingarto", na língua napolitana), nome de uma canção popular, se tornasse sinônimo de vira-casaca na Itália. Como bianconero, Altafini marcou 25 gols em 74 partidas. Somados aos gols anteriores por Milan e Napoli, igualou-se a Meazza como terceiro maior artilheiro da Serie A (ambos com 216 gols), abaixo inicialmente apenas de Gunnar Nordahl (225) e do recordista Silvio Piola (274), algo que se mantinha à altura de 2010. Posteriormente, foi superado pelos 250 de Francesco Totti.

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