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Jorge Negro

Jorge Petrović (em sérvio: Ђорђе Петровић; romaniz.: Dorđe Petrović; Viševac, 14 de novembro; 3 de novembro de 1768 no c

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Jorge Petrović (em sérvio: Ђорђе Петровић; romaniz.: Dorđe Petrović; Viševac, 14 de novembro; 3 de novembro de 1768 no calendário juliano — Radovanjski Lug, 25 de julho; 3 de julho de 1817 no calendário juliano), cognominado "Jorge Negro", foi o líder supremo da Primeira Revolta Sérvia contra o Império Otomano e fundador da dinastia Karađorđević, que reinou na Sérvia e Iugoslávia.

Seu nome ao nascer foi Jorge (Đorđe), com o patronímico Petrović. Desde cedo, porém, seu temperamento irritadiço e aspecto sombrio conferiram a ele o apelido de "Jorge Negro" (Karađorđe), a partir do turco kara, que significa negro.

Jorge Negro nasceu em 14 de novembro (3 de novembro no calendário juliano) de 1768, em uma família camponesa na Sérvia otomana, sob domínio dos turcos desde o século XV. Ele era o mais velho dos cinco filhos de seus pais. Seu pai, Petar Jovanović, foi um salteador de estradas (hajduk) em sua juventude, mas posteriormente tornou-se um pequeno agricultor. Sua mãe, Marica (nascida Živković), era dona de casa.

Em 1785, Jorge Negro casou-se com Jelena Jovanović, filha de Nikola Jovanović, chefe e coletor de impostos (obor-knez) da aldeia de Jasenica. O casal teve sete filhos.

Em 1787, foi obrigado a fugir para a Áustria após ter matado um turco. Lá, alistou-se no Exército do Sacro Império Romano-Germânico e participou da Guerra Habsburgo-Otomana de 1788 a 1791. Nessa guerra, combateu ao lado do capitão Radič Petrović na libertação da região conhecida como Fronteira de Koča (Kočina krajina). Após o conflito, estabeleceu-se em Topola, onde passou a trabalhar como agricultor e comerciante de gado, levando por algum tempo a vida simples de um chefe de família.

Após a guerra, o sultão Selim III concedeu aos sérvios maior autonomia. Entretanto, em 1799, para conter a agitação que abalava seu império, autorizou o retorno dos janízaros ao Sanjaco de Belgrado. Em 1801, cada vez menos controláveis, esses janízaros assassinaram o paxá Hadji Mustafa e passaram a cometer numerosos abusos. Para reprimir as revoltas emergentes, em 4 de fevereiro de 1804, mandaram prender e executar 70 notáveis sérvios. Jorge Negro, cujo nome constava na lista, conseguiu escapar refugiando-se na floresta. Esse episódio, conhecido como o "Massacre dos Notáveis" ou "Massacre dos Príncipes" (seča knezova), tornou-se o estopim da Primeira Revolta Sérvia contra os turcos (1804–1813).

Em 14 de fevereiro de 1804, os notáveis sobreviventes reuniram-se na pequena aldeia de Orašac, na província de Šumadija, e elegeram Jorge Negro como comandante-chefe da insurreição. Na mesma tarde, sob sua liderança, os rebeldes — entre os quais havia gregos, eslavos e croatas — incendiaram o caravançarai de Orašac e massacraram a população turca local. Entre os líderes da rebelião encontravam-se também os irmãos Milan e Miloš Obrenović, o futuro Miloš I da Sérvia.

Em 1805, ocorreu em Ivankovac o primeiro grande confronto entre os exércitos sérvio e otomano. Jorge Negro obteve a vitória e obrigou os turcos a recuarem para Niš. Em 1806, venceu novamente na Batalha de Mišar e, em seguida, conseguiu conquistar Belgrado em 12 de dezembro de 1806, forçando a Sublime Porta a reconhecê-lo como Grande Vožd da Sérvia.

Em 1808, a Assembleia do Povo (skupština) proclamou Jorge Negro como "Senhor" (gospodar) Hereditário da Sérvia. A Gazette de France, em sua edição de 11 de fevereiro de 1808, descreveu-o da seguinte forma:

"O chefe dos sérvios tornou-se tão célebre que não se lerão sem interesse os detalhes que lhe dizem respeito. Ele não recebeu boa educação no que se refere à instrução, pois não sabe ler nem escrever, mas é um homem honesto, corajoso e leal. Está resolvido a morrer antes de permitir que sua nação permaneça sob o jugo da Porta (os turcos) e, para alcançar melhor seu objetivo, soube, como hábil político, conquistar a proteção da Rússia, da qual já recebeu auxílio. Organizou a Sérvia de tal forma que essa província, com apenas 900 mil habitantes, mantém um exército de 80 a 100 mil homens."

Em 1812, sob pressão do imperador francês Napoleão Bonaparte, os russos foram obrigados a assinar o Tratado de Bucareste, restabelecendo a paz entre a Rússia e o Império Otomano. Uma das cláusulas do tratado previa a manutenção da autonomia sérvia. Contudo, em 1813, contando com a neutralidade russa, os turcos invadiram novamente a Sérvia. Jorge Negro foi então forçado a fugir, refugiando-se na Sírmia austríaca, onde foi preso e posteriormente conduzido à Rússia. Nesse período, entrou em contato com a Sociedade dos Amigos (Filikī́ Etaireía), uma sociedade secreta grega cujo objetivo era libertar do domínio turco todas as regiões cristãs dos Bálcãs.

Enquanto isso, na Sérvia, os otomanos tentaram desarmar a população sérvia. Essa operação levou, em 23 de abril de 1815, à Segunda Revolta Sérvia contra os turcos. Miloš Obrenović, que havia desempenhado papel relativamente secundário na primeira insurreição, tornou-se então o principal líder e organizador do movimento. Em dezembro de 1815, após o sucesso da nova rebelião, Miloš Obrenović foi reconhecido pelo sultão Mamude II como Príncipe da Sérvia.

Em 1817, com a ajuda da Sociedade dos Amigos, Jorge Negro retornou secretamente à Sérvia munido de um passaporte falso. No entanto, em 24 de julho desse mesmo ano, foi assassinado enquanto dormia por ordem de Miloš Obrenović.

O assassinato de Jorge Negro por Miloš Obrenović desencadeou uma intensa rivalidade entre as famílias Karađorđević e Obrenović. O filho de Jorge Negro, Alexandre Karađorđević, foi, por sua vez, Príncipe da Sérvia de 1842 a 1858. Posteriormente, a dinastia Karađorđević passou a reinar sobre o Reino da Sérvia a partir de 1903. Em seguida, governou o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos entre 1918 e 1929 e, a partir de 1929, o Reino da Iugoslávia.

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