Jorge Dória, nome artístico de Jorge Pires Ferreira (Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2013), foi um ator e humorista brasileiro.
Filho do militar oficial de cavalaria Alquindar Pires Ferreira e da dona de casa Ruth Pereira Pires Ferreira, Dória, nasceu entre o Maracanã e Vila Isabel, bairros da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, que na época era capital federal do Brasil.
Formou-se no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Com pouco mais de 20 anos, na década de 1940, abandonou o emprego público estável para seguir a carreira artística, desagradando a família que o queria como funcionário público do Ministério da Fazenda.
Início da Carreira artística, teatro e cinema
Estreou no teatro em 1942, na Companhia Eva Todor e Luis Iglesias, em que permanece por quase dez anos, alternando atuações como comediante e ator dramático. Na década de 1960, seu trabalho em teatro mais marcante é em Procura-se uma Rosa, escrita por Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gil, dirigida por Léo Jusi. E estreia no cinema em 1948, com o filme Mãe.
Adotou o nome artístico de Jorge Dória, em homenagem ao amigo Leoni Doria Machado, com quem escreveu As Pernas da Herdeira (1951), peça em que estreou como ator, sob a direção de Esther Leão, na Companhia da vedete Zaquia Jorge.
Destacou-se na peça Procura-se uma Rosa, na década de 1960, escrita por Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gil, com direção de Léo Jusi (Luiz Leôncio Jusi). Ainda no teatro atuou na peças A Gaiola das Loucas, de Jean Poiret, com adaptação e direção de João Bethencourt, em 1974, na qual Dória viveu George, personagem este que seria seu maior sucesso como protagonista no teatro brasileiro). Fez ainda O Avarento; Escola de Mulheres; A Presidenta; A Morte do Caixeiro Viajante entre outras.
Fã de filmes policiais, criou o argumento e colaborou no roteiro de mais dois filmes do gênero: Amei um Bicheiro (1952), de Jorge Ileli e Paulo Wanderlei; e Mulheres e Milhões (1961), de Ileli. Assinou também o argumento da chanchada Absolutamente Certo (1957), de Anselmo Duarte, e de outras dezenas de filmes.
No cinema, estrelou várias pornochanchadas. Foi também roteirista, além de ator premiado em filmes como Maior que o Ódio, O Assalto ao Trem Pagador (1962), dirigido por Roberto Farias, O Beijo, Minha Namorada, Bonga, o Vagabundo, Como é Boa a Nossa Empregada (1973), de Victor Di Mello; Oh, que Delícia de Patrão! (1974), de Alberto Pieralise; Com as Calças na Mão (1975), de Carlos Mossy. Em o A Dama do Lotação (1978) , destacou-se por viver Dr. Alexandre, sogro de Solange (Sônia Braga), casada com Carlos (Nuno Leal Maia). Também fez O Homem do Ano (2003), Traição (1998), A Dama do Cine Shanghai (1987), Pedro Mico (1985), O Sequestro (1981), Perdoa-me por me Traíres (1980), Assim era a Pornanchanchada (1978), As Secretárias… que Fazem de Tudo (1975), entre outros.
Trabalho na televisão: novelas e humorísticos
Teria iniciado sua carreira na televisão em 1953, atuando em uma novela da TV Tupi, Delícias da Vida Conjugal.[carece de fontes?]
Dória estreou na televisão em 1970, na extinta TV Tupi, no elenco da telenovela E Nós, Aonde Vamos?, escrita pela cubana Glória Magadan. Transferiu-se para a TV Globo em 1973 onde, a partir da sua criação para o personagem Lineu na primeira versão da série de televisão A Grande Família, Jorge Dória se tornou uma presença constante nas novelas e nos programas de humor da emissora de TV; sua primeira novela na emissora, O Noviço, foi em 1975, onde interpretava o vigarista Ambrósio do texto escrito por Mário Lago em uma adaptação pra TV da peça teatral homônima de Martins Pena: O Noviço. Dória Retornou à TV Tupi onde atuou na novela Aritana (1978), da escritora Ivani Ribeiro, e dedicou-se ao teatro e ao cinema. voltou à TV Globo em 1978 para protagonizar a novela O Pulo do Gato, onde na trama escrita por Bráulio Pedroso, ele era o playboy mulherengo Bubby Mariano; uma vez retornando à Globo, ali permaneceria na emissora nas duas décadas seguintes.
Entre os trabalhos mais importantes na TV Globo estão João Brandão na novela Champagne, em que o seu personagem era um dos suspeitos de assassinar a copeira Zaíde (Suzane Carvalho). Também fez o milionário golpista Herbert Alvaray em Brega & Chique; o terrível conselheiro real Vanoli Berval em Que Rei Sou Eu? - seu maior sucesso na emissora, pela atuação, foi eleito Melhor Ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) - e o implicante aposentado Emílio Castro em Meu Bem, Meu Mal (1990) formando uma dupla cômica com a atriz Zilda Cardoso, o proprietário e a inquilina de um apartamento da periferia paulistana que estavam sempre brigando; todas estas novelas do autor Cassiano Gabus Mendes.
Ao longo da década de 1990, participou de diversas novelas e manteve sucesso em personagens geralmente cômicos como o interesseiro Ângelo Pietro, em Zazá (1997), de Lauro César Muniz; e Rodolfo “Ruddy” Reis, em Era Uma Vez… (1998), de Walther Negrão. Em Suave Veneno (1999), de Aguinaldo Silva, mesmo aparecendo só a partir do meio da novela, roubou a cena com o carismático Genival, o pai do vidente charlatão Uálber, interpretado por Diogo Vilela.
Em 2001, integrou a oitava temporada de Malhação, no papel de Carmelo. Em 2005, Jorge Dória afastou-se dos palcos e da TV por problemas de saúde, decorrentes de um acidente vascular cerebral. Seu último papel foi no humorístico Zorra Total, da TV Globo, ao interpretar o personagem Maurição, um homem macho que queria ver seu filho Alfredinho se tornar heterossexual, personagem, este, protagonizado por Lúcio Mauro Filho, onde consagrou o bordão “Mas onde foi que eu errei?”. Também participou de programas humorísticos como Sai de Baixo, Os Normais e Zorra Total.
Em novembro de 2004 sofreu um AVC em sua casa, sendo hospitalizado. Dória, padeceu por muitos anos por conta dessa doença, sendo afastado do trabalho por conta da sequelas. Na época ele atuava no humorístico Zorra Total e tentou retornar ao programa, mais a sua limitação de saúde não deixou. Viveu seus últimos anos de vida sob os cuidados da esposa, Isabel Cristina e de enfermeiros. Já próximo do seu falecimento apresentava sintomas de depressão.
Ele foi casado com a atriz Leda Valle e teve um único filho, Ricardo Pires, nascido em 1960.
Jorge Dória foi hospitalizado no dia 27 de setembro de 2013, no Rio de Janeiro, para tratar de uma infecção respiratória. No dia 22 de outubro, o quadro piorou. Jorge Dória morreu em 6 de novembro de 2013, aos 92 anos no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Barra D´Or, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. O ator morreu após complicações cardiorrespiratórias e renais.