Neste Dia

Jonas

Profeta bíblico e corânico

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Jonas, segundo a Bíblia Hebraica, foi um profeta do norte do reino de Israel que viveu por volta do século VIII a.C. Ele é a figura central do livro de Jonas, no qual é chamado por Deus para viajar até Nínive e alertar seus moradores do iminente castigo divino por causa dos inúmeros pecados do povo. Em vez disso, Jonas decide por embarcar em um navio com destino a Társis. Preso em uma tempestade, ele ordena que a tripulação do navio o jogue ao mar, e após isto, acaba sendo engolido por um peixe gigante. Três dias depois, Jonas concorda em ir a Nínive, e então o peixe o vomita na praia. Jonas convence com sucesso toda a cidade de Nínive a se arrepender, mas espera fora da cidade na expectativa de sua destruição. Deus protege Jonas do sol com uma planta, mas depois envia um verme para fazer com que ela murche. Quando Jonas reclama do calor amargo, Deus o repreende.

No judaísmo, a história de Jonas representa o ensino de teshuvá, que é a capacidade de se arrepender e ser perdoado por Deus. No Novo Testamento, Jesus se denomina "maior que Jonas" e promete aos fariseus "o sinal de Jonas", que é a sua ressurreição. Os primeiros intérpretes cristãos viram Jonas como uma tipologia para Jesus. Mais tarde, durante a Reforma Protestante, Jonas passou a ser visto como um arquétipo do "judeu invejoso". Jonas é considerado um profeta no Islã e a narrativa bíblica de Jonas é repetida, com algumas diferenças notáveis, no Alcorão. Em sua maioria, os principais estudiosos da Bíblia consideram o Livro de Jonas como fictício e frequentemente afirmam que ele é parcialmente satírico, mas que o caráter de Jonas pode ter sido baseado no profeta histórico com o mesmo nome mencionado no Segundo Livro dos Reis.

Embora a palavra "baleia" seja frequentemente utilizada nas versões em português da história de Jonas, o texto hebraico na verdade usa a frase dag gadol, que significa "peixe gigante". Nos séculos XVII e início do XVIII, as espécies de peixes que engoliram Jonas foram objeto de especulação para os naturalistas, que interpretaram a história como um relato de um incidente histórico. Alguns estudiosos modernos do folclore notaram semelhanças entre Jonas e outras figuras lendárias, especificamente Gilgamesh e o herói grego Jasão.

Jonas é o personagem central do livro de Jonas, no qual Deus ordena que ele vá à cidade de Nínive para profetizar contra ela "porque a sua maldade subiu até a minha presença", mas Jonas, em vez disso, tenta fugir da "presença do Senhor" indo para Jafa (às vezes transliterado como Jopa ou Jope) e navegando para Társis. Uma enorme tempestade surge e os marinheiros, percebendo que não é uma tempestade comum, lançam sorte e descobrem que Jonas é o culpado. Jonas admite isso e afirma que se ele for jogado ao mar, a tempestade cessará. Os marinheiros se recusam a fazer isso e continuam a remar, mas todos os seus esforços fracassam e acabam sendo forçados a jogar Jonas ao mar. Como resultado, a tempestade se acalma e os marinheiros oferecem sacrifícios a Deus. Jonas é milagrosamente salvo por ser engolido por um peixe grande, em cuja barriga ele passa três dias e três noites. Enquanto estava no grande peixe, Jonas ora a Deus em sua aflição e se compromete a agradecer e a pagar o que prometeu. Deus então ordena que o peixe vomite Jonas.

Deus novamente ordena que Jonas viaje para Nínive e profetize a seus habitantes. Desta vez, ele entra na cidade, gritando: "Daqui a quarenta dias Nínive será destruída". Depois que Jonas atravessou Nínive, o povo de Nínive começou a acreditar em sua palavra e proclamar um jejum. O rei de Nínive veste um pano de saco e senta-se sobre cinzas, fazendo uma proclamação que decreta o jejum, o uso de pano de saco, a oração e o arrependimento. Deus vê seus corações arrependidos e poupa a cidade naquele momento. A cidade inteira é humilhada e está submissa pelo povo (e até pelos animais), que são cobertos de saco e cinzas.

Descontente e enfurecido por isso, Jonas se refere à sua viagem anterior para Társis, afirmando que, como Deus é misericordioso, era inevitável que Deus se afastasse das calamidades ameaçadas. Ele então sai da cidade e construiu para si um abrigo, esperando para ver se a cidade será ou não destruída. Deus faz com que uma planta (em hebraico: um kikayon) cresça sobre o abrigo de Jonas, para lhe dar alguma sombra do sol. Mais tarde, Deus faz com que uma lagarta morda a raiz da planta e ela murcha. Jonas, agora sendo exposto a toda a força do sol, quase desmaia e pede a Deus que o mate.

Mas Deus disse a Jonas: "Você tem alguma razão para estar tão furioso por causa da planta? " Respondeu ele: "Sim, tenho! E estou furioso a ponto de querer morrer". Mas o SENHOR lhe disse: "Você tem pena dessa planta, embora não a tenha podado nem a tenha feito crescer. Ela nasceu numa noite e numa noite morreu. Contudo, Nínive tem mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem nem distinguir a mão direita da esquerda, além de muitos rebanhos. Não deveria eu ter pena dessa grande cidade?"

O Livro de Jonas (Yonah יונה) é um dos doze profetas menores incluídos no Tanakh. De acordo com uma tradição, Jonas foi o menino trazido de volta à vida por Elias, o profeta, no capítulo 17 do Primeiro Livro dos Reis. Outra tradição sustenta que ele era o filho da mulher de Suném, ressuscitada por Eliseu no capítulo 4 do Segundo Livro dos Reis e que ele é chamado de "filho de Amitai" (Verdade) devido ao reconhecimento de sua mãe da identidade de Eliseu como um profeta em II Reis 17:24. O Livro de Jonas é lido todos os anos, em seu hebraico original e em sua totalidade, no Yom Kipur - o Dia da Expiação, assim como o Haftorá na oração minchá da tarde. Segundo o rabino Eliezer, o peixe que engoliu Jonas foi criado na era primordial e o interior de sua boca era como uma sinagoga; os olhos do peixe eram como janelas e uma pérola dentro de sua boca fornecia ainda mais iluminação.

De acordo com o Midrash, enquanto Jonas estava dentro do peixe, ele disse que sua vida estava quase no fim, porque logo o Leviatã iria comer os dois. Jonas prometeu ao peixe que os salvaria. Seguindo as instruções de Jonas, o peixe nadou ao lado do Leviatã e Jonas ameaçou prender o Leviatã pela língua e deixar que os outros peixes o comessem. O Leviatã ouviu as ameaças de Jonas, viu que ele era circuncidado e percebeu que estava protegido pelo Senhor, então fugiu aterrorizado, deixando Jonas e o peixe vivos. O erudito e rabino judeu medieval Abraão ibne Esdras (1092 1167) argumentou contra qualquer interpretação literal do Livro de Jonas, afirmando que as "experiências de todos os profetas, exceto Moisés, eram visões, não realidades". O estudo posterior feito por Isaac Abravanel (1437 - 1509), no entanto, argumentou que Jonas poderia facilmente sobreviver na barriga do peixe por três dias, porque "afinal, os fetos vivem nove meses sem acesso a ar fresco".

Teshuvá, a capacidade de se arrepender e ser perdoado por Deus, é uma ideia importante no pensamento judaico. Esse conceito é desenvolvido no livro de Jonas: Jonas, o filho da verdade (o nome de seu pai "Amitai" em hebraico significa verdade), se recusa a pedir ao povo de Nínive que se arrependa. Ele busca apenas a verdade, e não o perdão. Quando forçado a ir, sua chamado é ouvido alto e claro. O povo de Nínive se arrepende em êxtase, "jejuando, incluindo as ovelhas", e os escritos judaicos são críticos disso. O Livro de Jonas também destaca o relacionamento às vezes instável entre duas necessidades religiosas: o conforto e a verdade.

Jonas é mencionado duas vezes no décimo quarto capítulo do livro deuterocanônico de Tobias, cuja conclusão encontra o filho de Tobit, Tobias, na idade extrema de 127 anos, regozijando-se com as notícias da destruição de Nínive por Nabucodonosor e Assuero em aparente cumprimento da profecia de Jonas contra a capital assíria.

No Novo Testamento, Jonas é mencionado em Mateus 12:38–41 e Mateus 16:4 e em Lucas (Lucas 11:29–32). No evangelho segundo Mateus, Jesus faz uma referência a Jonas quando um dos escribas e fariseus pede um sinal para ele. Jesus diz que o sinal será o sinal de Jonas: a restauração de Jonas depois de três dias dentro do grande peixe prefigura a sua própria ressurreição.

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