Neste Dia

John Searle

Filósofo norte-americano

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John Rogers Searle (Denver, 31 de julho de 1932 – Tampa, 17 de setembro de 2025) foi um filósofo analítico e escritor norte-americano e foi professor emérito da Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos. Ele foi membro da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia Europeia de Ciência e Arte, destinatário de oito títulos honoríficos, e foi membro ainda da Guggenheim Fellow, conferencista da BBC Reith e duas vezes por nomeado Fulbright Fellow.

Searle começou sua filosofia com o estudo do campo da linguagem em Atos da fala, o passo inicial em uma longa viagem ainda inacabada, abraçando não só a língua, mas também nos domínios da consciência e dos estados mentais, da realidade social e institucional, da racionalidade, da conexão do "eu" (self) com a intencionalidade individual e coletiva, da percepção e do realismo direto e, mais recentemente, na busca de uma explicação de uma estrutura racional como base para a existência de livre-arbítrio na filosofia da mente e na filosofia da sociedade.

O pai de Searle, G. W. Searle, foi um engenheiro eletricista da AT&T, enquanto sua mãe, Hester Beck Searle, era uma médica. Ele cresceu em Denver, Nova York e Wisconsin, onde terminou o ensino médio em uma escola experimental da Universidade de Columbia chamada Horace Mann Lincoln e começou sua educação universitária na Universidade de Wisconsin-Madison.

Searle entrou no estudo de filosofia quase que acidentalmente. Ele disse que: "Depois que terminei meu segundo ano, eu arrumei um jeito de entrar em um barco e trabalhei para pagar minha ida para a Europa. Quando o verão acabou, eu não queria voltar, então procurei bolsas de estudo em qualquer lugar na Europa". Em um golpe de sorte, diz Searle, ele ganhou uma bolsa de estudos Rhodes e, aos 20, chegou em Oxford.

Na Inglaterra, Searle foi educado por Austin, P. F. Strawson, Isaiah Berlin, e Stuart Hampshire. Foi, segundo ele, "um sonho de vida de qualquer intelectual. Estar enraizado em um grupo de pessoas que foram chamados de filósofos analíticos, a melhor coleção de filósofos, junto de um lugar, desde a Grécia". Lá, ele obteve um diploma de graduação e um doutorado em filosofia e ética e de 1956 a 1959, lecionou filosofia em Christ Church, em Oxford. Ele começou a ensinar e escrever, em Berkeley, dentro dos confins relativamente convencionais da filosofia da linguagem, em 1959.

Durante a Guerra do Vietnã, um amigo de Searle, que era um alto funcionário do Departamento de Estado, o convidou para servir no Departamento, na equipe de planejamento de política onde eles planejavam a política americana. Ele disse: "Não durante a guerra", por que ele era tão oposto à guerra, ele absolutamente se recusou a fazer qualquer coisa que parecia estar dando apoio tácito à guerra. Searle havia sido secretário de estudantes contra McCarthy na Universidade de Wisconsin, e por isso, diz ele, era fortemente ligado as liberdades civis, particularmente na liberdade de expressão. Searle passou a ser bastante ativo no Partido Democrata, e sua carreira docente e de escritor foram interrompidas pelo Movimento liberdade de expressão. Em Berkeley, ele falou vigorosamente contra o filme, "Operation Abolition". Um professor iria mostrá-lo a uma classe de direito e Searle foi convidado a comentar sobre o filme para sua classe. No entanto, o gabinete do chanceler negou sua fala.

" Foi um ultraje. Eles negaram um professor daquela universidade, o direito de abordar os estudantes dessa universidade em uma classe quando convidado por um outro professor na universidade. Eu estava furioso, mas pensei: Eu sou um professor assistente com uma esposa e dois filhos pequenos e eles podem me demitir qualquer hora que desejarem; por isso vou esperar , a minha hora vai chegar. Um dia eu descobri que eu tinha essa maravilhosa arma na minha mão, o Movimento liberdade de expressão. (...) Foi assim como eu me envolvi com o Movimento. " John Searle Professor recalls pros, cons of Free Speech Movement (2004).

Ele foi o primeiro professor titular a participar do movimento de Liberdade de expressão. Quando Searle finalmente voltou ao trabalho, ele escreveu uma série de livros que estabeleceram novas teorias da linguagem e de significado. Seu trabalho foi inicialmente rejeitado como não sendo nem de filosofia, nem de linguística, mas depois provou-se ser extremamente influente nos dois campos.

Searle permaneceu substancialmente desconhecido fora da academia até 1972, quando ele começou a contribuir para o New York Review of Books, que se tornou o fórum para muitos dos debates que teria mais tarde. Em 1981, Searle vai ao Brasil e apresenta duas teses conceituais em uma conferência internacional na Universidade Estadual de Campinas. Esta palestra foi publicado em 1986 sob o título “Notes on Conversation”.

Searle recebeu no ano 2000, o Prêmio Jean Nicod, que é um prêmio concedido anualmente em Paris, para um filósofo líder na área de Filosofia da Mente ou filosoficamente orientado a ciência cognitiva. Searle possui títulos honoris causa da Adelphi University (1993), da Universidade de Wisconsin (1994), Universidade de Turim (2000), Universidade de Bucareste (2000), Universidade de Lugano (2003).

Faleceu em 17 de setembro de 2025 aos 93 anos.

Searle afirma que a filosofia da linguagem foi inventada por Frege. Frege defendeu uma teoria da referência na qual uma expressão tem sua referência de determinada pelo sentido ou modo de apresentação, que foi revista por Bertrand Russell que criou uma teoria da referência direta para responder as conclusões Frege. Searle diz que todas as teorias e propostas na filosofia da linguagem hoje, são apenas tentativas de responder às perguntas propostas por Frege. Ele afirma que a questão mais geral da filosofia da linguagem é: "A questão mais geral na filosofia da linguagem é: como exatamente a linguagem se relaciona com a realidade? Quando eu faço barulho através da minha boca, normalmente posso dizer que faço uma declaração, faço uma pergunta, faço um pedido, ou faço uma promessa, ou faço outro tipo de ato de fala de um tipo que Austin batizou como atos ilocucionários. Como isso é possível, já que tudo o que sai da minha boca é um conjunto de explosões acústicas? Outra forma geral que esta questão leva é: o que exatamente é o significado? O que é para um orador dizer algo e significar algo pelo que ele diz? Qual é o significado das palavras em uma língua, onde as palavras têm um significado convencional?". John Searle SEARLE, John. Philosophy of Language: an interview with John Searle. Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL. Vol. 5, n. 8, março de 2007

Searle apoia que não existe uma linha divisória nítida entre a filosofia da linguagem e linguística, mas a filosofia da linguagem lida com fatos empíricos, e geralmente o objetivo é chegar a certas características universais subjacentes de significado, comunicação e, especialmente, para analisar a estrutura lógica de referência, verdade necessária, atos de fala, etc, e essas análises não são dadas por apenas analisando o fatos empíricos sobre esta ou aquela linguagem particular. A razão pela qual a filosofia da linguagem não é tão central hoje, diz Searle, é que muitos filósofos, eu por exemplo, viemos a crer que a filosofia da linguagem é ela própria dependente de resultados na filosofia da mente. A linguagem é uma extensão das capacidades biologicamente mais fundamentais da mente humana.

Foi na Oxford de Austin, Ryle e PF Strawson que John Searle foi moldado como um filósofo da linguagem, e foi em Oxford que Searle adquiriu muitos dos traços característicos ( a adoção de um método filosófico centrado principalmente em um tipo informal de análise lógica; o respeito do senso comum e por resultados da ciência moderna, como restrições sobre a teorização filosófica; a reverência a Frege e pelo tipo de clareza estilística que marcou textos de Frege.) que têm marcado sua filosofia no estudo da linguagem desde então.

Searle distinguiu-se em várias maneiras importantes de outros filósofos analíticos. Embora ele ainda concebe a linguagem como parte do centro das preocupações filosóficas, ele vê a linguagem nela mesma no contexto de tais capacidades neurobiológicas e psicológicas do ser humano que sustentam as nossas competências como organismos que usam linguagem. Searle nunca foi um subscritor da visão de que os principais problemas filosóficos poderiam ser resolvidos - ou fez evaporar - apenas por se ponderar sobre o uso das palavras.

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