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John Roberts

Jurista e magistrado norte-americano, Presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos

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John Glover Roberts Jr. (Buffalo, 27 de janeiro de 1955) é um jurista estadunidense e o 17.º juiz-chefe dos Estados Unidos. Preside a Suprema Corte desde 29 de setembro de 2005, quando sucedeu a William Rehnquist, por indicação do presidente George W. Bush.

Criado em uma família católica, passou parte da infância em Indiana e estudou história e direito na Universidade Harvard, onde foi editor executivo da Harvard Law Review. Trabalhou como assessor de juízes, integrou os governos de Ronald Reagan e George H. W. Bush e exerceu a advocacia privada em Washington. Antes de se tornar juiz, apresentou sustentações orais em 39 processos na Suprema Corte. Em 2003, ingressou na Corte de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Colúmbia, onde permaneceu até assumir a presidência da Suprema Corte.

Na Suprema Corte, redigiu decisões sobre financiamento eleitoral, privacidade digital, ações afirmativas e poderes do presidente. Seus votos mantiveram parte da reforma do sistema de saúde de Barack Obama, restringiram dispositivos da Lei dos direitos de voto de 1965 e reconheceram imunidade criminal para determinados atos presidenciais. Em 2026, escreveu a decisão que rejeitou o uso de uma lei de emergência econômica para impor tarifas de importação.

Roberts defendeu publicamente a independência dos juízes diante de críticas de Donald Trump e presidiu, em 2020, o primeiro julgamento de impeachment do presidente no Senado.

John Roberts nasceu em 27 de janeiro de 1955, em Buffalo, filho de Rosemary Podrasky e John Glover "Jack" Roberts Sr., católicos praticantes. O pai tinha ascendência irlandesa e galesa, e a mãe descendia de imigrantes eslovacos do condado de Szepes, então parte da Hungria. Tinha uma irmã mais velha, Kathy, que morreu em 2021, e duas mais novas, Margaret e Barbara. Passou os primeiros anos em Hamburg, onde o pai trabalhava como engenheiro eletricista na fábrica da Bethlehem Steel em Lackawanna.

Em 1965, quando Roberts tinha dez anos, a família mudou-se para Long Beach, no noroeste de Indiana, e seu pai passou a dirigir uma nova usina siderúrgica na vizinha Burns Harbor. Aos treze anos, já havia escolhido estudar na La Lumiere School, um internato católico de La Porte com um currículo exigente. Foi capitão da equipe de futebol americano, praticou atletismo e venceu um campeonato regional de luta. Também cantou no coro, participou de peças de teatro e dividiu a edição do jornal estudantil. Concluiu os estudos em 1973 como primeiro colocado da turma e foi o primeiro ex-aluno da escola a ingressar em Harvard.

No Harvard College, escolheu história como área principal de estudo e, graças ao desempenho no ensino médio, ingressou diretamente no segundo ano do curso. Morou primeiro no Straus Hall e depois na Leverett House. Nas férias de verão, voltava para casa e trabalhava na usina dirigida pelo pai. Embora no início se sentisse pouco notado entre os colegas, recebeu prêmios por seus trabalhos escritos e chamou a atenção dos professores. Os colegas o viam como um aluno sério, de hábitos formais. Aos domingos, assistia à missa na Igreja de São Paulo, em Cambridge.

Seus estudos se concentravam na história europeia moderna, com interesse também pela política. No primeiro ano, recebeu a bolsa Edwards Whitaker pelo desempenho escolar, e o trabalho "Marxism and Bolshevism: Theory and Practice" ganhou o prêmio William Scott Ferguson, destinado ao melhor ensaio de um aluno do segundo ano de história. Pensava em fazer doutorado e tornar-se professor, mas também cogitava seguir o direito. Seu interesse pela sustentação oral levou-o a estudar Daniel Webster, advogado e político do século XIX que atuara perante a Suprema Corte. O trabalho de conclusão do curso, "The Utopian Conservative: A Study of Continuity and Change in the Thought of Daniel Webster", recebeu um prêmio Bowdoin.

Em 1976, Roberts concluiu o curso de história com o título de Bachelor of Arts, recebeu a distinção summa cum laude e foi eleito para a sociedade Phi Beta Kappa. A quantidade de pós-graduados em história em busca de emprego o levou a escolher a Faculdade de Direito de Harvard, embora ainda pretendesse lecionar. Suas notas no primeiro ano o colocaram entre os quinze melhores alunos de uma turma de 550 e lhe deram uma vaga na Harvard Law Review. O presidente da revista, David Leebron, escolheu-o como editor executivo, apesar das diferenças políticas entre os dois. Para o colega David Wilkins, Roberts era mais conservador que a maioria dos estudantes de direito de Harvard dos anos 1970, mas era estimado pela turma. Formou-se em 1979, entre os melhores alunos, com o título de Juris Doctor e a distinção magna cum laude. A dedicação aos estudos chegou a levá-lo ao hospital por exaustão. Anos depois, lamentou ter visitado Boston poucas vezes enquanto estudava em Harvard.

De 1979 a 1980, Roberts trabalhou como assessor jurídico do juiz Henry Friendly, no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Segundo Circuito. Friendly se impressionou com seu trabalho, e os dois tinham trajetórias semelhantes. O também assessor Reinier Kraakman recordou a proximidade que se formou entre eles. Roberts manteve correspondência com Friendly e tomou sua maneira de julgar, sem compromisso partidário, como exemplo para a própria carreira. Ao terminar o trabalho no Segundo Circuito, em maio de 1980, passou a assessorar William Rehnquist, então juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, onde permaneceu até 1981.

Perto do fim desse período, preparou-se para o exame de admissão à advocacia com Michael W. McConnell, assessor de William J. Brennan Jr.. A vitória de Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980 o levou a procurar um posto na nova administração Reagan. Rehnquist recomendou-o a Ken Starr, chefe de gabinete do procurador-geral William French Smith, que o contratou como assistente especial. Roberts foi admitido na Ordem dos Advogados do Distrito de Colúmbia e começou a trabalhar no Departamento de Justiça em agosto de 1981, a tempo de ajudar Sandra Day O'Connor a se preparar para as audiências de confirmação no Senado.

No Departamento de Justiça, examinou a aplicação da Lei dos direitos de voto de 1965, especialmente suas seções 2 e 5. Roberts e outros advogados do governo Reagan entendiam que essas normas interferiam além do necessário nas regras eleitorais dos estados. Em carta a Friendly, mostrou entusiasmo com a possibilidade de rever entendimentos que o departamento aceitara por muitos anos. Trabalhou com William Bradford Reynolds, da Divisão de Direitos Civis, o antigo colega de faculdade Richard Lazarus, J. Harvie Wilkinson III, Theodore Olson e a também assistente especial Carolyn Kuhl.

Em 1982, Fred Fielding convidou-o para a equipe do conselheiro jurídico da Casa Branca da qual também faziam parte J. Michael Luttig e Henry L. Garrett III. Roberts foi assessor jurídico adjunto da Presidência até 1986, quando passou a trabalhar em direito empresarial no escritório Hogan & Hartson, em Washington, posteriormente incorporado ao Hogan Lovells. Seu primeiro supervisor foi E. Barrett Prettyman Jr., advogado que, como Rex E. Lee, atuava com frequência perante a Suprema Corte. Roberts se especializou em recursos judiciais perante os tribunais de apelação e passou a dirigir a equipe do escritório dedicada a essa área. Na primeira causa que sustentou na Suprema Corte, United States v. Halper, defendeu a parte contrária ao governo e obteve uma decisão unânime favorável a seus argumentos.

Advocacia nos tribunais de recurso

Em 1989, Ken Starr deixou o Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Colúmbia para assumir o cargo de advogado-geral dos Estados Unidos no governo de George H. W. Bush e escolheu Roberts como seu principal adjunto. Roberts assumiu o cargo em 24 de outubro de 1989. Starr valorizava a capacidade de julgamento de Roberts e confiava em suas habilidades, embora ele ainda tivesse uma carreira relativamente curta. O novo cargo trouxe responsabilidades públicas a um advogado cujo trabalho até então fora sobretudo reservado. Roberts passou a conduzir a defesa do governo perante a Suprema Corte e a falar sobre os processos à imprensa.

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