John Nicholas Cassavetes (Nova Iorque, 9 de dezembro de 1929 – Los Angeles, 3 de fevereiro de 1989) foi um cineasta e ator estadunidense. Iniciou a carreira como ator no cinema e na televisão antes de se tornar um pioneiro do cinema independente moderno nos Estados Unidos, atuando frequentemente como roteirista, diretor, produtor e distribuidor de seus próprios filmes. Recebeu indicações a três Oscares, dois BAFTA, quatro Globo de Ouro e um Emmy.
Após estudar na American Academy of Dramatic Arts, Cassavetes começou a carreira atuando em séries de televisão. Entre 1959 e 1960, interpretou o papel-título na série policial Johnny Staccato, da NBC. Atuou em filmes notáveis como o noir Um Homem Tem Três Metros de Altura (1957), de Martin Ritt; o filme de guerra Os Doze Condenados (1967), de Robert Aldrich; o filme de terror O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski; e o drama policial Mikey e Nicky (1976), de Elaine May. Por Os Doze Condenados, foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante.
Como diretor, Cassavetes ficou conhecido por uma série de dramas independentes aclamados pela crítica, como Sombras (1959), Faces (1968), Os Maridos (1970), Uma Mulher Sob Influência (1974), Noite de Estreia (1977) e Amantes (1984). Seus filmes empregavam uma abordagem centrada no ator, priorizando relações humanas brutas e "pequenos sentimentos", enquanto rejeitavam a narrativa hollywoodiana tradicional, o método de atuação e o estilização excessiva. Suas obras são associadas a uma estética de improvisação e a uma sensação de cinema verdade. Recebeu indicações ao Óscar de Melhor Roteiro Original (por Faces) e de Melhor Diretor (por Uma Mulher Sob Influência).
Colaborou frequentemente com a atriz americana Gena Rowlands (com quem foi casado de 1954 até sua morte, em 1989) e com os amigos Peter Falk, Ben Gazzara e Seymour Cassel. Muitos de seus filmes foram rodados e editados na própria casa do casal, em Los Angeles. Cassavetes e Rowlands tiveram um filho, Nick, e duas filhas, Alexandra e Zoe, todos seguiram carreira como atores e cineastas.
John Nicholas Cassavetes nasceu em Nova Iorque em 9 de dezembro de 1929, filho da atriz Katherine Demetriou e do imigrante grego Nicholas John Cassavetes. Passou os primeiros anos de vida na Grécia com a família; ao retornar a Nova Iorque aos sete anos, não falava inglês. Foi criado em Long Island, onde estudou na Paul D. Schreiber Senior High School de 1945 a 1947, participando do jornal escolar, de peças teatrais, do time de futebol americano e do anuário.
Estudou na Blair Academy, em Nova Jérsia, e depois passou um semestre no Champlain College, em Burlington, Vermont, de onde foi expulso devido às notas baixas. Após viajar de carona para a Flórida, transferiu-se para a American Academy of Dramatic Arts, incentivado por amigos que lhe disseram que a escola estava "cheia de garotas". Formou-se em 1950 e conheceu sua futura esposa, Gena Rowlands, durante a audição dela para ingressar na Academia, em 1953. Casaram-se quatro meses depois, em 1954. Cassavetes continuou atuando no teatro, fez pequenos papéis no cinema e começou a trabalhar na televisão, em séries antológicas como Alcoa Theatre.
Em 1956, Cassavetes começou a ensinar uma alternativa ao método de atuação em sua própria oficina — fundada com o amigo Burt Lane em Nova Iorque — na qual a performance era baseada na criação do personagem, e não na história prévia ou nas exigências narrativas. Cassavetes desprezava especialmente o Actors Studio de Lee Strasberg, e a abordagem Cassavetes-Lane defendia que a atuação deveria ser uma expressão de alegria criativa, e não a “angústia sombria e melancólica” associada ao ensino de Strasberg.
Pouco depois de abrir a oficina, Cassavetes foi convidado para uma audição no Actors Studio. Ele e Lane pregaram uma peça: fingiram apresentar uma cena de uma produção teatral recente, mas na verdade improvisaram uma performance no local, enganando um impressionado Strasberg. Cassavetes então inventou uma história sobre seus problemas financeiros, levando Strasberg a oferecer-lhe uma bolsa integral para o Studio; Cassavetes recusou imediatamente, achando que Strasberg não sabia nada sobre atuação se havia sido enganado tão facilmente pelas duas artimanhas.
Um exercício de improvisação na oficina inspirou a ideia de sua estreia como roteirista e diretor, Sombras (1959; primeira versão 1957). Cassavetes arrecadou os fundos para a produção com amigos, familiares e ouvintes do programa de rádio Night People, de Jean Shepherd. Seu objetivo declarado era fazer um filme sobre “pessoas comuns” de renda modesta, diferindo das produções dos estúdios de Hollywood, que focavam em histórias sobre ricos. Cassavetes não conseguiu distribuição americana para Shadows, mas o filme ganhou o Prêmio da Crítica no Festival de Veneza. Distribuidores europeus posteriormente lançaram o filme nos Estados Unidos como uma importação. Embora a bilheteria de Shadows nos EUA tenha sido modesta, o filme chamou a atenção dos estúdios hollywoodianos.
Televisão e trabalhos como ator
Cassavetes interpretou pequenos papéis em filmes B e seriados de televisão até ganhar notoriedade em 1955 como um assassino cruel em The Night Holds Terror e como um delinquente juvenil no drama televisivo ao vivo Crime in the Streets. Repetiu essa atuação creditado como protagonista “em estreia” na versão cinematográfica de 1956, que também incluía outro futuro diretor, Mark Rydell, como seu companheiro de gangue. Seu primeiro papel principal em um longa-metragem foi Edge of the City (1957), ao lado de Sidney Poitier. Teve um breve contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer e coestrelou com Robert Taylor o faroeste Saddle the Wind, escrito por Rod Serling. No final dos anos 1950, participou do inovador drama policial de Beverly Garland, Decoy, sobre uma detetive policial disfarçada de Nova Iorque. Posteriormente, interpretou Johnny Staccato, o personagem-título de uma série de televisão sobre um pianista de jazz que também trabalha como detetive particular. No total, dirigiu cinco episódios da série, que também contou com uma participação especial de sua esposa, Gena Rowlands. A série foi exibida pela NBC entre setembro de 1959 e março de 1960, e depois adquirida pela ABC; embora aclamada pela crítica, foi cancelada em setembro de 1960. Cassavetes também apareceu no programa de entrevistas da NBC Here's Hollywood.
Em 1961, Cassavetes assinou um contrato de sete anos com a Paramount. Dirigiu dois filmes para Hollywood no início dos anos 1960: A Canção da Esperança (1961) e Minha Esperança É Você (1963), com Burt Lancaster e Judy Garland. Estrelou o episódio Incident Near Gloomy River (1961) da série faroeste Rawhide, da CBS. Na temporada 1963–1964, atuou no drama médico sobre psiquiatria Breaking Point, da ABC. Em 1964, coestrelou novamente com sua esposa, desta vez em um episódio da série antológica The Alfred Hitchcock Hour, e em 1965 apareceu na série faroeste The Legend of Jesse James, da ABC. No mesmo ano, também participou da série da Segunda Guerra Mundial Combat!, no episódio "S.I.W.", e interpretou o cientista nuclear insano Everett Lang em Voyage to the Bottom of the Sea, temporada 2, episódio "The Peacemaker".
Com o pagamento por seu trabalho na televisão, além de alguns papéis no cinema, conseguiu se mudar para a Califórnia e fazer seus filmes subsequentes de forma independente de qualquer estúdio, como havia feito com Shadows. Entre os filmes em que atuou com essa intenção estão The Killers (1964), de Don Siegel; o filme de gangues de motociclistas Devil's Angels (1967); Os Doze Condenados (1967), pelo qual foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante; o protagonista Guy Woodhouse (originalmente destinado a Robert Redford) em O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski; e The Fury (1978), de Brian De Palma. Cassavetes interpretou o assassino em um episódio de 1972 da série policial Columbo, intitulado "Étude in Black". Cassavetes e o astro da série, Peter Falk, já haviam estrelado juntos o thriller de ação Machine Gun McCain (1969). Os dois mais tarde estrelaram o filme de Elaine May Mikey and Nicky (1976).