John Aubrey FRS, (Malmesbury, 12 de março de 1626 – Oxford, 7 de junho de 1697) foi um antiquário, filósofo natural e escritor inglês. É talvez mais conhecido como o autor de Brief Lives, sua coleção de curtas peças biográficas. Foi um pioneiro da Arqueologia, que relatou (frequentemente pela primeira vez) numerosos sítios arqueológicos - megalíticos, ou não - no sul da Inglaterra, e que é particularmente lembrado como o descobridor do monumento Neolítico de Avebury. Os Furos de Aubrey em Stonehenge receberam esse nome em sua homenagem, embora haja dúvida considerável quanto a saber se os buracos que ele observou são aqueles que atualmente têm o seu nome. Foi também um dos primeiros folcloristas, reunindo uma miscelânea de materiais sobre costumes, tradições e crenças, sob o título "Remaines of Gentilisme and Judaisme". Copilou histórias dos condados ingleses de Wiltshire e Surrey, embora os projetos permanecessem inacabados. Sua "Interpretation of Villare Anglicanum" (também inacabado) foi a primeira tentativa de compilar um estudo completo dos nomes de lugares da Inglaterra. Teve interesses mais amplos em matemática aplicada e astronomia, e foi amigo de muitos dos maiores cientistas da época.
Em grande parte dos séculos XIX e XX, principalmente graças à popularidade de Brief Lives, Aubrey foi considerado nada mais do que um peculiar, excêntrico e crédulo "vendedor de fofocas". Somente na década de 1970 foi que a amplitude total e inovação de seu conhecimento começou a ser mais apreciada. Seus trabalhos tiveram muito pouca divulgação ao longo de sua vida, e muitos de seus manuscritos mais importantes (em sua maior parte preservados na Biblioteca Bodleiana) permanecem inéditos ou publicados apenas de forma parcial e insatisfatória.
Aubrey nasceu em Easton Piers ou Percy, perto de Kington St Michael, Wiltshire, em uma família tradicional e rica da pequena nobreza com raízes nas Marcas de Gales. Seu avô, Isaac Lyte, viveu no solar de Lytes Cary, Somerset, agora propriedade do National Trust. Richard Aubrey, seu pai, era proprietário de terras em Wiltshire e Herefordshire. Por muitos anos, filho único, foi educado em casa, por um professor particular. Seu pai não era considerado um intelectual, preferindo atividades esportivas (caça) ao invés da leitura. Aubrey lia todos os livros que estavam a seu alcance, incluindo Essays (Ensaios) de Francis Bacon, e estudou geometria em segredo. Foi educado na escola secundária de Malmesbury sob a orientação de Robert Latimer. (Latimer citou o filósofo Thomas Hobbes entre seus primeiros alunos, e Aubrey o encontrou pela primeira vez na casa de Latimer. Mais tarde Aubrey escreveria sua biografia.) Em seguida, estudou em Blandford Forum, Dorset. Ingressou no Trinity College, Oxford, em 1642, mas seus estudos foram interrompidos pela Guerra civil inglesa. Seus primeiros trabalhos sobre antiguidades, ou coisas do passado, remontam a esse período em Oxford. Em 1646 se tornou um estudante do Middle Temple. Passou um tempo agradável no Trinity em 1647, fazendo amizades entre os seus contemporâneos de Oxford, e colecionando livros. Costumava utilizar grande parte de seu tempo realizando passeios pela área rural, e em 1649 foi o primeiro a descobrir o monumento megalítico em Avebury, que ele mais tarde mapeou e analisou em seu importante trabalho Monumenta Britannica. Visitou Avebury em 1633 na companhia do rei Carlos II, a pedido deste. Seu pai morreu em 1652, deixando para Aubrey muitas propriedades, mas com elas também, algumas dívidas complicadas.
Dotado de charme, generosidade de espírito e entusiasmo, Aubrey fez fortes amizades com os mais célebres escritores, cientistas, políticos e aristocratas da época, bem como com uma amplitude extraordinária de indivíduos de menor destaque: livreiros, comerciantes, a costureira real, matemáticos e fabricantes de instrumentos. Alegou que sua memória não era "tenaz" para os padrões do século XVII, e mantinha desde o início da década de 1640 (casualmente) notas de observações sobre filosofia natural, as ideias de seus amigos, e antiguidades. Ele também começou a escrever biografias de cientistas na década de 1650. Em 1659, foi recrutado para contribuir com a produção de uma obra sobre a história do condado de Wiltshire, tomando por base seu trabalho inacabado sobre as antiguidades e a história natural do condado. Aubrey foi um apolítico realista, que gostava das novidades características do período do interregno inglês, enquanto lamentava a ruptura das tradições e a destruição de edifícios antigos provocado pela guerra civil e as mudanças religiosas. Ele brindou à saúde do Rei, mas com igual entusiasmo participou de reuniões em Londres do republicano Rota Club.
Em 1663 Aubrey tornou-se membro da Real Sociedade de Londres. Perdeu uma propriedade após outra devido a ações judiciais, até que em 1670 finalmente teve que se desfazer de seu último pedaço de propriedade e casa ancestral em Easton Piers. A partir de então ficou dependente da hospitalidade de seus inúmeros amigos; em especial, de Sir James Long, 2.º Baronete e de sua esposa Lady Dorothy de Draycot House, Wiltshire. Em 1667 conheceu Anthony Wood em Oxford, e quando Wood começou a reunir material para seu Athenae Oxonienses, Aubrey se ofereceu para coletar informações para ele. De tempos em tempos ele encaminhou memorandos em um estilo epistolar exclusivamente casual, e em 1680 se comprometeu a trabalhar em "Minutes for Lives," que era para Wood usar a seu critério.
Aubrey morreu em consequência de um acidente vascular cerebral durante uma viagem, em junho de 1697, e foi sepultado no adro da igreja de Santa Maria Madalena, em Oxford.
Aubrey aproximou-se do trabalho de biógrafo tanto quanto seus cientistas contemporâneos começaram a aproximar-se do trabalho de pesquisa empírica através da montagem de grandes museus e de pequenos gabinetes de curiosidades. Agrupando o máximo de informações que pôde, Aubrey abandonou a tarefa de verificação grandemente utilizada por Wood. Como um frequente convidado nas casas de famílias ricas, ele tinha pouco tempo e pouca inclinação para o trabalho sistemático, e escrevia as "Lives" no início da manhã, enquanto seus anfitriões estavam dormindo se refazendo dos efeitos da noite anterior. Esses textos eram, como Aubrey os intitulava, Schediasmata, "peças escritas de improviso, no calor do momento". De tempo em tempo, ele deixava sinais de omissão na forma de traços e elipses para datas e fatos, inserindo novas informações sempre que elas fossem surgindo. As margens de seus cadernos estão pontilhadas com notas, com mais frequência do latim "quaere" (averiguar). Esta exortação, para "ir e descobrir" é muitas vezes seguida. Em sua biografia de Thomas Harcourt, Aubrey observa que um tal Roydon, cervejeiro que morava em Southwark, tinha a fama de estar de posse do rim petrificado de Harcourt: "Eu vi" , escreveu com aprovação; "ele dá muita importância a ele".
Em 1680, Aubrey deu início a sua coleção de esboços biográficos, que ele intitulou de "Schediasmata: Brief Lives". Ele os apresentou para Anthony Wood em 1681, e continuou trabalhando neles até 1693, quando depositou seus manuscritos (em três volumes fólio) no Ashmolean Museum: eles estão agora na Biblioteca Bodleiana, como MSS Aubrey 6-8.
Enquanto particulares, e textos manuscritos, as "Lives" foram capazes de conter material ricamente polêmico que é o seu principal interesse hoje, e a principal contribuição de Aubrey para a formação da escrita biográfica moderna. Porém, quando ele permitiu que Anthony Wood os utilizasse, isso gerou um grave problema, uma vez que grande parte do conteúdo das "Lives" não poderia ser divulgado, já que os biografados e o autor ainda estavam vivos.
O relacionamento de Aubrey com Wood foi se tornando cada vez mais preocupante. Aubrey pediu para Wood ser "meu index expurgatorius": uma referência à lista de livros proibidos pela Igreja, que Wood parece ter tomado não como um aviso, mas como uma licença para simplesmente extrair páginas de notas para colar em suas próprias verificações. Em 1692, Aubrey queixou-se amargamente de que Wood tinha mutilado quarenta páginas de seu manuscrito, talvez por medo de um processo por difamação. Wood acabou por ser processado por insinuações contra a integridade judicial da escola de Clarendon. Uma das duas declarações chamadas em questão foi baseada em informações fornecidas por Aubrey e isso pode explicar o distanciamento entre os dois antiquários e o relato ingrato que Wood forneceu a respeito do caráter de Aubrey.