Sir John Alexander Macdonald GCB KCMG PC PC QC (Glasgow, 11 de janeiro de 1815 – Ottawa, 6 de junho de 1891) foi um advogado e político canadense que serviu como o primeiro primeiro-ministro do Canadá em duas ocasiões, de 1867 a 1873 e depois de 1878 até sua morte. Foi uma das principais figuras da Confederação Canadense e do início da história independente do Canadá, possuindo carreira política de quase meio século. Macdonald nasceu na Escócia e imigrou com a família para Kingston na colônia do Canadá Superior em 1820 quando criança. Estudou direito e abriu sua própria firma, envolvendo-se em vários casos relevantes que rapidamente lhe deram proeminência em Kingston. Isto permitiu que fosse eleito em 1844 para a legislatura colonial da Província do Canadá, tornando-se uma figura de destaque dentro do sistema político instável da colônia.
Nenhum partido político foi capaz de governar o Canadá por muito tempo, com Macdonald concordando, em 1864, com uma proposta feita por seu rival George Brown de que os partidos deveriam unir-se em uma Grande Coligação, a fim de procurar federação e reformas políticas. Ele foi um dos políticos proeminentes nas subsequentes discussões e conferências que resultaram no Ato Constitucional de 1867, que estabeleceu o Canadá como país em 1º de julho de 1867. Macdonald foi designado como o primeiro primeiro-ministro, conseguindo estabelecer um governo bem sucedido e estável. Ele procurou impedir que as diferentes províncias que formavam o Canadá de se separarem do país, firmando acordos e concessões para tal. Ele acabou perdendo o cargo em 1873 depois de um escândalo político de subornos envolvendo os planos para uma ferrovia transcontinental.
Macdonald continuou a liderar seu Partido Liberal-Conservador, agora na oposição, mesmo depois de perder a posição de primeiro-ministro. Ele e o partido assumiram nesse período ideias protecionistas que acreditavam que levaria ao melhor desenvolvimento da indústria canadense, realizando grandes campanhas eleitorais defendendo essas posições. Isto o ajudou a ser reeleito em 1878 como primeiro-ministro, supervisionando a finalização da construção da ferrovia transcontinental e a expansão territorial canadense para a maior parte de seu território atual. Sua posição política foi enfraquecida em seus últimos anos devido ao mau desempenho econômico nacional, o que permitiu que o rival Partido Liberal ganhasse mais espaço. Macdonald morreu em 1891 vítima de um acidente vascular cerebral depois de ocupar, não consecutivamente, o cargo por dezenove anos.
John Alexander Macdonald nasceu em Glasgow, Escócia, no dia 11 de janeiro de 1815. Seu pai era Hugh Macdonald, um comerciante sem sucesso que havia se casado em 21 de outubro de 1811 com Helen Shaw. John era o terceiro de cinco filhos. Os negócios de Hugh Macdonald lhe trouxeram dívidas e a família acabou imigrando em 1820 para a cidade de Kingston na colônia britânica do Canadá Superior, onde já estavam estabelecidos vários familiares e conhecidos dos Macdonald.
Os Macdonald inicialmente moraram com outra família e em seguida residiram em uma loja que Hugh Macdonald passou a ter. James, irmão mais novo de John, morreu pouco depois devido a um golpe na cabeça desferido por um criado que deveria cuidar dos meninos. A loja faliu e mudaram-se para Hay Bay, onde Hugh teve outra loja mal-sucedida. Seu pai foi nomeado magistrado do Distrito Midland em 1829. Sua mãe foi uma influência duradoura, lhe ajudando durante seu difícil primeiro casamento e fazendo-se presente até morrer em 1862.
Macdonald inicialmente estudou em escolas locais. Sua família foi capaz de reunir dinheiro suficiente para matriculá-lo na Escola do Distrito Midland, em Kingston, quando tinha dez anos de idade. Sua educação formal terminou aos quinze anos, uma idade comum para deixar a escola em uma época em que apenas os filhos das famílias mais prósperas tinham os meios de entrar em uma universidade. Mesmo assim, ele afirmou posteriormente que arrependeu-se de ter saído da escola tão cedo, comentando com seu secretário Joseph Pope que, caso tivesse entrado em uma universidade, possivelmente teria seguido uma carreira literária.
Os pais de Macdonald decidiram assim que o filho saiu da escola que ele deveria tornar-se um advogado. O biógrafo Donald Creighton escreveu que o "direito era um caminho amplo e muitas vezes percorrido para o conforto, influência e até mesmo poder". Também era "a escolha óbvia para um menino que parecia tão atraído para o estudo quanto era desinteressado por comércio". Além disso, Macdonald precisava começar a ganhar dinheiro imediatamente para poder sustentar sua família já que os negócios de seu pai estavam fracassando outra vez. "Eu não tive infância", ele comentou décadas mais tarde, "A partir dos 15 anos, eu comecei a ganhar meu próprio sustento".
Macdonald viajou de barco a vapor até a cidade de Iorque (atual Toronto), onde foi aprovado em uma prova aplicada pela Sociedade de Direito do Canadá Superior que incluía questões de matemática, latim e história. A América do Norte Britânica não tinha nenhuma escola de direito em 1830, com os estudantes sendo examinados no começo e final de suas tutelas. Eles eram aprendizes ou contratados de advogados estabelecidos entre essas duas avaliações. Macdonald começou seu aprendizado com George Mackenzie, um jovem advogado proeminente que era um membro bem visto da crescente comunidade escocesa de Kingston. Mackenzie praticava direito corporativo, uma especialidade lucrativa que Macdonald posteriormente também seguiria. Ele era um estudante promissor e administrou em 1833 o escritório de seu tutor quando este fez uma viagem de negócios para Montreal e Quebec no Canadá Inferior. Macdonald foi mais tarde no mesmo ano colocado para cuidar da firma de direito de um primo de Mackenzie, que havia adoecido.
Mackenzie morreu de cólera em agosto de 1834. Macdonald, com seu advogado supervisor e tutor morto, decidiu permanecer trabalhando na firma de direito do primo, que era localizada em Hallowell. Ele voltou para Kingston no ano seguinte e começou a praticar direito por conta própria na esperança de ganhar os clientes de seu antigo empregador, mesmo na época ainda não tendo idade ou qualificação para tal. Seus pais e irmãs também voltaram para morar em Kingston e Hugh Macdonald tornou-se um caixeiro de banco.
Macdonald, pouco depois, em fevereiro de 1836, foi chamado para adquirir sua qualificação, conseguindo também assumir a tutela de dois estudantes; ambos, assim como si mesmo, tornaram-se Pais da Confederação: Oliver Mowat e Alexander Campbell. Uma de suas primeiras clientes foi Eliza Grimason, uma imigrante irlandesa, então apenas com dezesseis anos, que procurou conselhos legais sobre uma loja que ela e seu marido queriam comprar. Grimason tornaria-se a apoiadora mais leal e uma das mais ricas de Macdonald, possivelmente também tendo sido sua amante. Com a ambição de ter seu nome reconhecido por toda a cidade, ele juntou-se a várias organizações locais. Macdonald também procurou assumir casos de destaque, representando o acusado de estupro infantil William Brass. Este acabou enforcado pelo crime, todavia Macdonald recebeu comentários positivos vindos da imprensa pela qualidade de sua defesa. De acordo com seu biógrafo Richard Gwyn:
Todos os homens do Canadá Superior entre dezoito e sessenta anos eram membros da Milícia Sedentária, que foi convocada para o serviço durante as Rebeliões de 1837. Macdonald serviu como soldado patrulhando a área ao redor de Kingston, porém a cidade foi intocada e ele não precisou atirar no inimigo. Quase todos os julgamentos resultantes das revoltas ocorreram em Toronto, embora Macdonald representou um dos réus no único julgamento que foi realizado em Kingston. Todos os acusados de Kingston foram absolvidos e um jornal local descreveu Macdonald como "um dos barristers mais jovens na Província [que] está rapidamente subindo em sua profissão".
Macdonald concordou no final de 1838 em aconselhar um grupo de invasores norte-americanos que haviam cruzado a fronteira com o objetivo de libertar o Canadá daquilo que viam como o jugo da opressão colonial britânica. Eles foram capturados após a Batalha do Moinho, travada em 13 de novembro perto de Prescott, em que dezesseis canadenses foram mortos e outros sessenta feridos. A opinião pública revoltou-se contra os prisioneiros depois destes terem sido acusados de mutilar o corpo de um tenente canadense morto. Creighton escreveu que Kingston estava "louca de pesar, raiva e terror". Macdonald não podia defender os invasores já que eles seriam julgados em uma corte marcial, onde advogados civis não podiam comparecer. À pedidos dos parentes canadenses de Daniel George, tesoureiro da malfadada invasão, Macdonald concordou em aconselhar George que, como os outros prisioneiros, tinham de realizar sua própria defesa. George foi condenado e enforcado. De acordo com o biógrafo Donald Swainson, "A posição de Macdonald estava segura por volta de 1838. Ele era uma figura pública, um homem jovem popular e um advogado sênior".