Jogos Olímpicos de Verão de 1960 (em italiano: Giochi Olimpici estivi del 1960), conhecidos oficialmente como os Jogos da XVII Olimpíada foram os Jogos Olímpicos realizados em Roma, a Cidade Eterna, capital da Itália, cinquenta e dois anos após a cidade ser obrigada a desistir da organização dos Jogos por causa de uma erupção do vulcão Vesúvio, que consumiu a maior parte dos recursos do Estado no atendimento às vítimas da catástrofe. Tendo finalmente sua oportunidade, os romanos aproveitaram para juntar a tradição anciã dos gregos com sua própria história. As competições de levantamento de peso foram realizadas na Basílica de Maxêncio, a ginástica nas Termas de Caracala e o Arco de Constantino, o famoso monumento em homenagem ao primeiro imperador romano cristão, marcou a chegada da maratona.
Abertos em 25 de agosto e se estendendo até 11 de setembro, os Jogos de Roma tiveram a participação de 5 348 atletas, com o número expressivo de 611 mulheres entre eles, representando 83 países dos cinco continentes e foram, pioneiramente, transmitidos ao vivo por mais de cem canais de televisão de 18 países da Europa e mostrados em vídeo tape horas depois nos Estados Unidos, Canadá e Japão.
Roma venceu o processo seletivo dos XVII Jogos Olímpicos na 50ª sessão do Comitê Olímpico Internacional, no dia 15 de junho de 1955, em Paris, França, superando a candidatura das cidades de Lausana, Detroit, Budapeste (sendo esta a primeira cidade do bloco comunista europeu a se candidatar a sede das Olimpíadas), Bruxelas, Cidade do México e Tóquio.
O etíope Abebe Bikila tornou-se o primeiro negro africano a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, ao vencer de maneira sensacional a maratona no último dia dos Jogos. Soldado da guarda pessoal do Imperador Haile Selassie, Bikila ganhou a mais dura e desgastante prova olímpica correndo descalço pelas ruas romanas sob um calor de quase 30º e quebrando o recorde mundial da modalidade ao cruzar a linha de chegada, localizada exatamente embaixo do Arco de Constantino, símbolo do poder romano e italiano que invadiu e conquistou a Etiópia, seu país natal, na época do governo do ditador fascista Benito Mussolini, o que deu a seu feito a dimensão heroica e dramática que o transformaria numa lenda e no exemplo para todos os atletas africanos, que a partir desta década começaram a dominar todas as provas de longa distância do atletismo mundial.
O grande destaque do boxe foi o afro-americano Cassius Clay, de vinte anos de idade, que conquistou o ouro na categoria meio-pesado. Nos anos seguintes, ele se profissionalizaria, abraçaria a fé muçulmana, trocaria o nome para Muhammad Ali e se tornaria o maior pugilista de todos os tempos.
O dinamarquês Paul Elvstrøm ganha pela quarta vez consecutiva a medalha de ouro na classe Finn da vela, se tornando o maior campeão olímpico da modalidade na história dos Jogos.
Após amargar o vice-campeonato olímpico por três Jogos consecutivos, a Iugoslávia finalmente ganha a medalha de ouro no futebol.
Atletas da equipe feminina de ginástica da URSS ganham 15 das 16 medalhas de ouro possíveis em Roma e pela segunda vez, em sua terceira participação, os soviéticos batem os antes eternos campeões norte-americanos no quadro de medalhas.
A África do Sul participou pela última vez nos Jogos, banida por causa do seu regime de apartheid. Os sul-africanos só voltariam às Olimpíadas 32 anos depois, em Barcelona, após a política de segregação racial ter sido extinta em seu país.
O atirador finlandês Vilho Ylönen acertou um tiro na mosca na decisão da prova do tiro de campo, só que no alvo do atirador ao lado e perdeu a medalha de ouro para o adversário.
A norte-americana Wilma Rudolph, portadora de poliomielite na infância, conquistou três medalhas de ouro no atletismo feminino, nos 100 m, 200 m e revezamento 4x100 metros.
A nota triste foi a morte do ciclista dinamarquês Knud Enemark Jensen, que teve um colapso provocado pela ingestão de anfetaminas na sua prova do ciclismo, e morreu no hospital. Foi a segunda vez que um competidor morreu disputando uma prova nos Jogos. O primeiro foi o corredor português Francisco Lázaro na maratona dos Jogos de Estocolmo 1912, logo na estreia de Portugal no evento.
Atletas de 83 Comitês Olímpicos Nacionais foram representadas nos Jogos de 1960. Marrocos, San Marino, Sudão e Tunísia competiram pela primeira vez em Olimpíadas.
Atletas da Rodésia do Norte e da Rodésia do Sul integraram a delegação única da "Rodésia e Niassalândia", assim como os competidores da Alemanha Oriental e da Alemanha Ocidental que pela segunda vez formaram a "Equipe Alemã Unida". Barbados, Jamaica e Trinidad e Tobago também disputaram os Jogos sob uma única bandeira, sendo que a "Federação das Índias Ocidentais" disputou apenas os Jogos de Roma.
Na lista abaixo, o número entre parênteses indica o número de atletas por cada nação nos Jogos:
SUR Suriname participou da cerimônia de abertura, mas seu único atleta (um meio-fundista) não competiu.