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Joaquim Xavier Curado

Político brasileiro

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Joaquim Xavier Curado IOA, Conde de São João das Duas Barras, (Pirenópolis, 2 de dezembro de 1746 — Rio de Janeiro, 15 de setembro de 1830) , cognominado “Criador do exército nacional” ou o “Comandante do exército da independência”, foi um militar, nobre e político brasileiro. Curado também é considerado uma figura central na política expansionista portuguesa nas regiões platinas, coordenando a "inteligência" do país europeu no Vice-Reino do Rio da Prata.

Nascido na Freguesia da Meia Ponte, hoje Pirenópolis, filho de José Gomes Curado e de Dona Maria Josefa Pinheiro, numa família aristocrática, sendo descendente de ilustre personagens como Martim Afonso de Sousa, João Gonçalves da Câmara, e Martim Leme. órfão de pai, partiu ainda adolescente para o Rio de Janeiro, a fim de habilitar-se para ingressar na Universidade de Coimbra. Aos 21 anos, a convite do Conde da Cunha, deixou o seminário de São José, e ingressou no exército como soldado nobre. Encaminhou-se à fronteira sul junto à expedição do General João Henrique Böhn, com intuito de combater os invasores espanhóis.

Devido ao seu sucesso na expedição, foi recomendado pelo vice-rei Luiz de Vasconcelos e Sousa para substituí-lo no cargo em questão. Em 1797, foi introduzido pelo conde de Rezende ao dom Rodrigo de Souza Coutinho, sendo apresentado com ótimas referências. No último período do conde de Rezende no governo, foi nomeador Governador de Campos.

Durante uma viagem a Lisboa, teve seu navio aprisionado por uma embarcação francesa, e foi levado prisioneiro até a Baía de Biscaya. Voltou ao Rio de Janeiro em 1800. No mesmo ano, foi nomeado Governador Interino da Ilha de Santa Catarina, e recebeu as honras de coronel.

De lá, seguiu sua missão no Vice-Reino do Rio da Prata, onde permaneceu até 1820. Na volta ao Rio de Janeiro, foi nomeado Conselheiro de Guerra. Em 1822, comandou as tropas fiéis ao Imperador Dom Pedro I, vencendo as tropas rebeldes do General Jorge Avilez. Morreu em 15 de setembro de 1830, aos 83 anos, no Rio de Janeiro.Em 1869 seus restos mortais foram transferidos para um jazigo perpétuo no cemitério da Ordem de São Francisco de Paula pela as despesas de D.Pedro II.

Em 1774, depois de receber a patente de alferes, marchou com o exército expedicionário para o Rio Grande do Sul, com a finalidade de expulsar os espanhóis que ocupavam parte do território, participando da guerra hispano-portuguesa de 1776-1777.

Terminada a campanha do sul, foi designado para defender os habitantes entre as capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que sofriam com índios que saqueavam fazendas. Conseguiu controlar a guerra, e garantiu a ocupação permanente dos colonizadores. Foi nesse momento que se mostrou um bom estrategista militar.

Pelos bons serviços prestados, o vice-rei o louvou e agradeceu, em relatório de 20 de agosto de 1789, graduando-o no posto de tenente-coronel de infantaria. Em 1795 foi nomeado governador de Campos dos Goytacazes, cargo onde ficou até 1797.

Governo de Santa Catarina (1800 - 1805)

Após o fim do mandato como Governador de Campos, seguiu para a Europa junto à corte de Lisboa. Durante a viagem, seu navio foi aprisionado por uma embarcação francesa, e, por ordens superiores, jogou toda a documentação que trazia consigo ao mar. Seguiu como prisioneiro até a Baía de Biscaya, onde foi por terra até Lisboa. Regressaria ao Rio de Janeiro apenas em 1800. No mesmo ano, foi nomeado Governador Interino da Ilha de Santa Catarina, tornando-se também Coronel.

A nomeação de Curado para a governança da província não foi por acaso. A proximidade de Santa Catarina com o Vice-Reino do Rio da Prata era de grande interesse para a Coroa Portuguesa, que desejava a ocupação e consequente anexação das províncias platinas. Para isso, o melhor nome seria o do Coronel Curado, pela experiência em conflitos e negociações. Desde que assumiu o cargo, Curado planejava a ocupação da região. Para isso, coordenou um trabalho secreto à respeito da capacidade militar do Vice-Reino do Rio da Prata, que continha uma investigação sobre o arsenal e contingentes militares do local.

O relatório proveniente da investigação secreta foi bastante minucioso, contendo informações como: plantas de fortalezas da região platina e quadros estatísticos do contingente espanhol na região.

Ainda em 1805, Xavier Curado retornou ao Rio de Janeiro após deixar o cargo em Santa Catarina, e solicitou sua reforma do exército, que lhe foi negada pelo vice-rei Marcos de Noronha, conde dos Arcos, que o promoveu a brigadeiro em 2 de junho de 1806.

Em 1807, a primeira invasão francesa a Portugal, com ajuda da Espanha, ajudou ainda mais a Coroa Portuguesa à prosseguir com os planos de ocupação das províncias platinas, pois não causaria constrangimento, visto que a ação seria justificada como represália à política francesa e espanhola na Europa. Em 1808, com a nova invasão a Portugal, que obrigou a Família Real Portuguesa a se transferir para o Brasil, o plano foi ainda mais abraçado pela Coroa. A principal aliança de Portugal na incumbência foi com a Inglaterra. Os ingleses tinham interesses comerciais na América, e o Brasil, maior país da região, era o foco. Entretanto, o país entendia a importância das províncias platinas, principalmente no que tange o escoamento de produtos importados. Por isso, desejava a anexação da região do Rio da Prata pelo Brasil.

Os movimentos portugueses já pediam atenção por parte da Espanha. Tão logo soube da chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro, a administração do Vice-Reino do Rio da Prata enviou um agente ao Rio Grande do Sul para que tomasse melhor conhecimento dos planos portugueses.

O plano luso-inglês deveria ser complementado logo após a chegada da Família Real ao Brasil. E as informações de Joaquim Xavier Curado davam a segurança para uma entrada no Vice-Reino do Rio da Prata. Tão logo a Corte se instalou no país, Dom Rodrigo de Sousa Coutinho, diplomata português, deu andamento ao plano. No primeiro momento, provavelmente seguindo instruções de Curado, buscou o convencimento das elites coloniais da anexação, além de tentar convencer as lideranças platinas das vantagens de se tornar parte do Brasil.

Após a tentativa pacífica de anexação, Dom Rodrigo de Sousa Coutinho resolve iniciar seus planos de ter uma política externa mais agressiva com a região platina. Dias após enviar uma carta às lideranças platinas sugerindo a anexação, ele resolve enviar Joaquim Xavier Curado novamente ao território espanhol.

Dom Rodrigo de Sousa Coutinho deu instruções bem específicas para a missão de Curado na região. Elas consistiam, primeiramente, em adentrar em Montevidéu e Buenos Aires sem levantar suspeitas, com suposto propósito de fazer negociações em nome de Portugal. A segunda era a de tentar convencer as lideranças de como uma anexação das províncias platinas seria benéfica para todas as partes envolvidas. E, por fim, que se examinasse como a opinião pública reagiria a uma entrega ao Governo Português, bem como as condições militares que gozavam os espanhóis.

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