Neste Dia

Joanna

Cantora brasileira

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Joanna, nome artístico de Maria de Fátima Gomes Nogueira (Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1957), é uma cantora, compositora e multi-instrumentista brasileira. Como compositora, assinou dezenas de canções, algumas gravadas por grandes nomes como Cauby Peixoto, Angela Maria, Simone e Emílio Santiago.

Nascida e criada no bairro do Méier, no subúrbio carioca, é filha do violonista Joaquim, e da dona de casa Marietta, que também gostava de cantar em reuniões familiares. Desde a infância escrevia canções e poemas. Aos doze anos ganhou de presente um violão do pai, e foi matriculada numa escola de instrumentos musicais. Seu irmão a incentivava a compor e cantar, e mesmo sem ser profissional, se interessava por música e a ensinou os primeiros acordes de violão. Sua irmã preferiu seguir o caminho educacional e tornou-se professora. Em entrevistas revela que na infância gostava de brincar na rua, jogar bola, soltar pipa e rodar pião. Cursando o terceiro ano de administração, resolveu deixar os estudos universitários para se dedicar somente a música.

Sua carreira teve início com a participação em festivais do interior do estado: ela pesquisava por lugares onde haveria concursos de música, e viajava sozinha para participar das competições musicais. Algumas ganhou, outras perdeu, mas sempre colecionava troféus musicais. Atuou também como backing vocal de conjuntos de bailes e casas noturnas, estreando na noite carioca ainda sem ser famosa.

Aos 17 anos foi classificada em primeiro lugar no programa "A Grande Chance" (TV Tupi/RJ), interpretando a música "Última Forma". Devido ao sucesso desse programa, assinou com a gravadora RCA, (que posteriormente se transformou em BMG – atualmente Sony Music), pela qual lançaria quase todos os seus discos. Já em 1979 aos 22 anos, despontou na música popular brasileira. Nesta época, já independente, havia saído de casa, e dividia o aluguel de um apartamento em Copacabana com dois amigos seus, também músicos e compositores. Conta em entrevistas que, preparando uma refeição, ouviu pela primeira vez sua voz no rádio, e chorou muito de emoção.

Desde a sua estreia, Joanna optou por cantar e compor nas suas mais variadas tendências, mas seu canto romântico sempre teve destaque maior. Seu timbre de voz suave mas potente para canções românticas sempre fez muito sucesso junto à crítica e ao público, consagrando-a ao longo dos anos como uma das melhores cantoras do país.

Seu primeiro LP gravado foi Nascente, que vendeu oitenta mil cópias e a ele pertence o primeiro grande êxito popular da carreira, a canção "Descaminhos" (parceria sua com Sarah Benchimol). Dentre as músicas de começo de carreira que fizeram estrondoso sucesso pelo país, temos: "Cicatrizes” (Joanna/ Solange Böeke), “Seu Corpo’’(Roberto e Erasmo Carlos) e "Agora" (Gonzaguinha).

Em poucos anos, Joanna consagrou-se como cantora popular romântica, já que este estilo é o mais recorrente na sua carreira. Seu nome de batismo, Maria de Fátima, não agradou o produtor musical que lhe dirigia na época. Ela havia escolhido Fátima Nogueira ou Nina de Fátima, mas havia no mercado musical muitas cantoras com nome de "Fátima", e o mesmo ficou em dúvida entre Joana, Mariana ou Juliana, e perguntou se a artista gostava destes nomes. A cantora gostou dos três, e após um tempo a decidir, optou por Joana, mas para diferenciar, por ser um nome comum, acrescentou mais um N, nascendo assim "Joanna".

Muito discreta, a artista não costuma comentar sobre sua vida particular. Joanna é homossexual assumida desde os anos 1990. Foi casada por mais de vinte anos com sua ex-empresária, Maria Marta Vieira, que dirigia sua carreira. A união durou até 2009. Uma polêmica envolveu seu nome, quando sua ex-companheira a acusou de agressão física. O caso foi parar nos jornais e no 3.º Juizado da Violência Doméstica Contra a Mulher de Jacarepaguá. Joanna enfrentou o processo, tendo que pagar cestas básicas para reverter a pena. Maria Marta revela ter descoberto em 2007 que a cantora a traía com uma empresária de Portugal, e que a relação ficou muito abalada a partir daí. Mesmo após a reconciliação, descobriu outras traições da cantora. Os ciúmes de Maria Marta culminaram numa crise de explosão de Joanna, que a espancou com chutes e socos, e foi fazer um show no dia seguinte. Sua ex-empresária e ex-companheira disse que foi ameaçada de morte pela cantora, e que foi expulsa de casa pela artista. A cantora não quis se pronunciar sobre o caso. Atualmente é vista eventualmente pela mídia acompanhada de mulheres anônimas e famosas, mas não assumiu mais nenhum relacionamento sério. A artista vive sozinha no Rio de Janeiro, e continua a fazer muitos shows pelo Brasil e por diversos países.

Em março de 2020 assumiu estar em um relacionamento sério com a cantora e atriz Karen Keldani, vinte e dois anos mais jovem, que assim como Joanna, é muito católica e canta também músicas religiosas. Ambas já cantaram juntas e participam de projetos musicais.

Em 1979 lançou o disco Nascente que vendeu 80.000 cópias. Nesse ano, gravou o especial Mulher 80 (Rede Globo) com Maria Bethânia, Elis Regina, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Gal Costa, Rita Lee e as atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta do seriado Malu Mulher. Joanna cantou "Seu Corpo" e "Cantoras do Rádio" em coletivo.

Estrela Guia, seu segundo disco, foi lançado em 1980, trazendo grandes sucessos como "Momentos" (Joanna/Sarah Benchimol) e "Quarto de Hotel" (Gonzaguinha). No mesmo ano, teve uma composição sua com Sarah Benchimol intitulada "Loucura" no álbum Cauby! Cauby!, que comemorou os 25 anos de carreira do cantor fluminense.

Segue o álbum Chama (Geraldo Amaral/Aristides Guimarães), em 1981, com destaque para a faixa título, além de "Uma Canção de Amor" (Gonzaguinha), "Decisão", e um marco em sua carreira: a canção feita especialmente para ela por Milton Nascimento e Fernando Brant, "Nos Bailes da Vida".

Vidamor (1982), trouxe como carro chefe o grane sucesso "Vertigem" (Caio Silvio/Graco).

Brilho e Paixão (1983) teve como destaque as faixas "Tua Cara", "Eternamente" e a gravação de um frevo, "Pro Que Der e Vier" (Sivuca/Paulinho Tapajós).

Joanna seria o título de seu disco de 1984, e representou uma grande virada na carreira da artista: com arranjos mais simples, mas caprichada produção, recebeu de presente aquela que se tornaria um dos maiores sucessos de sua carreira desde o surgimento em 1979: a canção "Recado (Meu namorado)", composta por Renato Teixeira, se tornou sucesso nacional, alavancou as vendas do disco e se tornou sucesso nas rádios de Norte a Sul do país. E do mesmo disco ainda se destacou "Espelho" (Joanna/Graco/Geraldo Amaral), tema de abertura da minissérie da Rede Manchete de 1984, intitulada Joana, estrelada por Regina Duarte.

O disco seguinte, de 1985, também se chamou apenas Joanna e trouxe grandes participações especiais, como Sá & Guarabira em "Ribeirão", Gal Costa em "Onde Andarás", Martinho da Vila em "Bom Dia, Minha Flor" e o cantor norte-americano Barry Manilow, que dividiu os vocais na canção "Qualquer Dia (24 Hours a Day)", o grande sucesso do disco. Destaque também para "Canção do Rádio", composição própria da Joanna com seus parceiros habituais Toni Bahia e Tharcísio Rocha.

Participa do projeto Nordeste Já (1985), que abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto com as canções "Chega de Mágoa" e "Seca d´Água".

O maior sucesso de vendagem foi o disco auto-intitulado Joanna, de 1986, que vendeu cerca de um milhão de cópias. Destacam-se os megahits "Amanhã Talvez" e Um Sonho a Dois (com a participação do grupo Roupa Nova), ambas dos hitmakers da década, Michael Sullivan e Paulo Massadas. Este álbum levou Joanna a turnês pelos países de língua latina, onde alcançou grande sucesso e recebeu vários prêmios. Deste disco, também destacaram-se as canções "Delícia Nua", "Teu Caso Sou Eu", "Sozinha", "Uma Ficha no Arquivo" e "Aconteceu". É o seu disco de maior sucesso em Portugal.

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