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Joãosinho Trinta

Artista visual e diretor de desfiles da escola de samba

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João Clemente Jorge Trinta OMC, mais conhecido como Joãosinho Trinta (São Luís, 23 de novembro de 1933 – São Luís, 17 de dezembro de 2011), foi um artista plástico e famoso carnavalesco brasileiro.

João Clemente Jorge Trinta era filho de Júlia Jorge Trinta, operária maranhense de origem árabe. Viúva e com três filhas de 13, 14 e 15 anos, sua mãe o concebeu com um homem desconhecido no carnaval de 1933. Até os 17 anos de idade viveu em casarões ocupados por diversas famílias em São Luís, onde trabalhou na mercearia de seu cunhado, o bem sucedido português Carlos Allen. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, tendo viajado a bordo do navio ITA. Por ter apenas 17 anos de idade quando embarcou, foi realocado do porão para um quarto especial que ficava ao lado dos aposentos do comandante. Chegou na terça feira de carnaval, enfrentando certa dificuldade financeira e hospedando-se em uma pensão na rua São Clemente, em botafogo. Empregou-se em uma compania no RJ, porém conseguia conciliar o tempo e estudar dança clássica no Teatro Municipal. Durante 30 anos, fez parte do Corpo de Baile do Teatro Municipal e apresentou duas óperas - O Guarani, de Carlos Gomes; e Aida, de Giuseppe Verdi.

Começou sua carreira carnavalesca no Salgueiro, em 1961, como segurança, dois anos depois, a escola foi campeã do carnaval, com o enredo Xica da Silva de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Sempre como segurança, viu sua escola ser campeã também nos anos de 1965, 1969 e 1971.

Após a saída dos carnavalescos Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, foi promovido a carnavalesco da escola onde fez carreira solo com a artista plástica Maria Augusta no carnaval de 1973, com o enredo Eneida: Amor e Fantasia.

Já como carnavalesco-solo ganhou o bicampeonato em 1974 com "O Rei de França na Ilha da Assombração" e em 1975 com "O Segredo das minas do Rei Salomão".

Após divergências com a diretoria salgueirense, transferiu-se para a escola de samba Beija-Flor, onde criou enredos ousados e luxuosos que deram à agremiação de Nilópolis os títulos de 1976, 1977, 1978, 1980 e 1983, além de vários vice-campeonatos, entre eles os de 1986 com O mundo é uma bola e o de 1989 com Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia gerando controvérsias com a Igreja Católica, ao tentar levar ao desfile uma imagem do Cristo Redentor caracterizado como mendigo. A imagem foi censurada e passou pela Avenida Marquês de Sapucaí coberta. “Estando à frente de uma escola sem maior expressão e apoiado em uma direção ávida pelos dividendos a serem colhidos com o sucesso no concurso entre as escolas”, Trinta promoveu uma “modernização” dos desfiles da Beija-Flor, tornando-os um espetáculo audiovisual.

Uma das marcas do carnavalesco era o luxo e a riqueza na avenida. Criticado por ter essa postura, é dele a célebre frase:

O sociólogo Edson Farias argumenta que houve uma influência dos financiadores no comando estético do carnavalesco, com a intenção de ostentar e exibir riqueza das classes emergentes do Rio de Janeiro, especialmente os bicheiros. “O ofício se vê pressionado a equilibrar o compromisso de materializar a beleza com o requisito de apreender o gosto popular.”

Trinta também foi campeão no Grupo de Acesso com as escolas Império da Tijuca e Acadêmicos da Rocinha, além de ter feito carnavais para escolas de São Paulo. No ano de 1984 foi responsável pelos figurinos da E.S. Turunas do Riachuelo, de Juiz de Fora-MG, que completava 50 anos de fundação, ficando em 3.º lugar no carnaval da cidade.

Em 1993, depois de permanecer 17 anos na Beija-Flor, Joãosinho Trinta transfere-se para a escola de samba Unidos do Viradouro. Em 1996, sofre uma isquemia, que paralisa um dos lados de seu corpo.

Mesmo assim, continuou seu trabalho na escola, que foi campeã em 1997, com o impactante enredo Trevas! Luz! A explosão do Universo.

Teve passagem marcante na escola de samba Grande Rio, que obteve o 3.º lugar em 2003 - uma classificação inédita na história da escola.

Em 2002, entrevistado pelo Museu da Pessoa, compartilhou um pouco da sua história de vida, desde sua relação com a mãe, a irmã e o cunhado ao dia em que desembarcou no Rio de Janeiro, no ano de 1951. Também revelou a importância da meditação em sua vida, assim como os anos iniciais da carreira, as primeiras escolas de samba e, em especial, o desejo que possuía de ajudar as comunidades que habitava na época, através da arte carnavalesca, afirmando:

“Eu quero ir para uma escola bem pequena, eu não quero levar glória de ganhar carnaval, de fazer festa em cima de escombros humanos, em cima de carências humanas, eu não quero fazer festa em cima de crianças abandonadas, em cima da miséria humana. Não, eu quero fazer a menor das escolas, onde eu possa fazer aquilo que a minha mente e meu coração estão mandando. Eu quero fazer festa, mas uma festa também da comunidade, eu quero fazer um carnaval de 365 dias, onde as crianças tenham orientação, educação, onde o povo possa viver mais humanamente”.

Em novembro de 2004, Joãosinho sofre um derrame e, no ano seguinte, decide afastar-se da Sapucaí, passando a atuar apenas como consultor durante os preparativos para o Carnaval.

Em 11 de julho de 2006, após sofrer dois AVCs, é internado no Rio de Janeiro e, vinte dias depois, transferido para o Hospital Sarah Kubitschek, de Brasília, de onde teve alta em 19 de outubro. Todavia, em consequência dos AVCs, o artista teve parte do cérebro paralisada, e passou a se locomover com cadeira de rodas.

Recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília e em 2010, Joãosinho concorre a deputado distrital, não conseguindo se eleger.

Faleceu no ano seguinte, em 17 de dezembro. O Hospital UDI, de São Luís, informou que o carnavalesco morreu às 9h55, horário local (10h55 de Brasília), em razão de choque séptico, infecção generalizada, e que apresentava um quadro de pneumonia e infecção urinária. Anteriormente, segundo o hospital, o paciente apresentava "insuficiência respiratória e sepse, evoluindo com instabilidade hemodinâmica".

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