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João Pessoa

Município brasileiro e a capital do estado brasileiro da Paraíba

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João Pessoa é um município brasileiro, capital do estado da Paraíba. Com população de mais de 830 mil habitantes no censo de 2022, a capital paraibana é o município mais populoso de seu estado, o sétimo da Região Nordeste e o 20º do Brasil. A Região Metropolitana de João Pessoa, formada pela capital e mais onze municípios, tinha uma população de aproximadamente 1,4 milhão de pessoas.

Fundada em 1585 com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, logo passou a se chamar de Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1588 em homenagem ao rei Filipe II que, na época, acumulava as coroas da Espanha e de Portugal. Posteriormente chamada Frederikstad, foi uma das duas principais cidades da Nova Holanda, junto com Mauritsstadt (a atual Recife), na segunda metade do século XVII. Possui um antigo e vasto patrimônio histórico, similar ao de Olinda. Somente em 1930 tomou sua denominação atual.

Uma das capitais de melhor qualidade de vida do Nordeste, é conhecida como "Porta do Sol", devido ao fato de, no município, estar localizada a Ponta do Seixas, que é o ponto mais oriental da América, o que faz a cidade ser conhecida como o lugar "onde o sol nasce primeiro no continente americano". Atualmente, é a 55.ª cidade mais rica do país em PIB nominal e a 9ª mais rica do Nordeste, com um PIB de cerca de 22 bilhões de reais. Conta com a Mata do Buraquinho, com 515 hectares de Mata Atlântica preservada, constituindo a maior floresta semiequatorial nativa plana densamente cercada por área urbana do mundo.

Sua denominação atual, "João Pessoa", é uma homenagem ao político paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado em 1930 na cidade do Recife, quando era presidente do estado (na época, denominação para o cargo de governador) e concorria, como candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas. O fato causou grande comoção popular, sendo o estopim da Revolução de 1930, embora se discuta se realmente houve motivação política no ato, que foi executado por João Duarte Dantas, advogado cujo escritório fora invadido por tropas governamentais, tendo sido suas cartas à professora Anayde Beiriz trazidas a público.

Acrescenta-se ainda que não há consenso sobre as virtudes de João Pessoa e de gestor público as quais confeririam o mérito ao ex-presidente da Paraíba para tal homenagem. Por um lado, durante seu período como presidente da Paraíba, João Pessoa foi um combatente do cangaço e das oligarquias locais, embora ele mesmo proviesse de família de oligarcas, e se contrapunha a interesses de grupos tradicionais. Em contrapartida, alega-se que a mudança de nome da cidade, assim como a alteração da bandeira estadual em 1930, foi realizada em um momento de comoção e de instabilidade social.

Antecedentes, fundação e primeiros anos

Em 1534, o rei português D. João III divide a colônia em capitanias hereditárias, sendo a Paraíba subordinada à Capitania de Itamaracá, desde o rio Guaju até o rio Goiana. A Capitania da Paraíba foi criada somente em 1574, após o ataque de Tracunhaém, um engenho da capitania de Itamaracá. A nova capitania, porém, só seria ocupada onze anos depois após cinco expedições que tinham o objetivo de conquistá-la, sendo as quatro primeiras terminadas em fracasso.

A fim de repelir os invasores, em 1 de maio de 1584, em terras do atual distrito de Forte Velho, em Santa Rita, foi erguido o Forte de São Filipe na margem esquerda do Rio Paraíba, habitado pelos índios potiguaras. O forte, porém, sofreu ataques constantes de corsários franceses e dos potiguaras e foi abandonado menos de um ano depois, sendo incendiado em junho de 1585. Antes, em fevereiro daquele ano, chegaram à Paraíba os tabajaras, chefiados por Piragibe, instalando-se na margem esquerda do rio. Inicialmente aliados, os tabajaras logo se tornaram rivais dos potiguaras e entraram em conflito com estes e também com os colonizadores portugueses.

Um acordo de paz entre os portugueses e os tabajaras, representados por Piragibe, foi selado em 5 de agosto de 1585, concretizando assim a conquista da Paraíba. Tal acordo possibilitou o início do povoamento da região a partir de 31 de outubro de 1585, em uma área na foz do rio Sanhauá, que foi batizada de Porto do Capim, na parte baixa do atual bairro do Varadouro. Já em 4 de novembro, começa a ser edificado o "forte da cidade". Este dia é considerado por alguns historiadores como a data real de fundação de João Pessoa, inicialmente "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves", ao invés de 5 de agosto. Tal forte, que muitas vezes é confundido com o forte do Varadouro (construído somente nos anos 1630), durou poucos anos e, no final dos anos 1600, já se encontrava em ruínas.

Entre 1585 e 1586, no alto de uma colina, começa a ser construída uma capela dedicada a Nossa Senhora das Neves, que rapidamente se tornou matriz de uma freguesia, cujo primeiro vigário foi o Padre João Vas Sallem, nomeado em 30 de outubro de 1586. A fim de possibilitar a conexão entre essa colina (Cidade Alta) e a foz do Sanhauá (Cidade Baixa), foi aberta uma via, apontada por alguns historiadores como a Ladeira de São Francisco e por outros como Ladeira da Borborema. Em 1588 a cidade passou a se chamar Filipeia de Nossa Senhora das Neves em referência ao Filipe II que, na época, acumulava os tronos de Portugal e Espanha, a chamada União Ibérica (1580-1640). Em 1599, é firmado um acordo de paz com os potiguaras e a Filipeia de Nossa Senhora das Neves passa a se chamar Parahyba.

Os primeiros anos após a fundação da cidade também foram marcados pela chegada de ordens religiosas, sendo elas os franciscanos, carmelitas e beneditinos. Em 1589 chega à cidade o Frei Melchior de Santa Catarina, custódio dos franciscanos, com o intuito de instalar uma missão. O governo da capitania ofereceu um terreno para a construção de um convento, que fora aprovado pelo frei. O projeto foi elaborado pelo Frei Francisco dos Santos e sua construção teve início em 1590, sendo, porém, paralisada em data incerta, entre 1592 e 1596. A obra foi retomada somente em 1602 e finalizada em 1608.

Acredita-se que ainda em 1591 chegaram os carmelitas, que somente a partir de 1600 começaram a erguer o seu convento. Em 1595, o Frei Damião da Fonseca, representante dos beneditinos, chegou à Filipeia e solicitou ao governador da capitania, Feliciano Coelho de Carvalho, um terreno para a construção de um mosteiro, que também teve início por volta de 1600. As terras para a construção desse mosteiro, a poucos metros da Igreja Matriz, pertenciam ao vigário Sallem.

Da ocupação holandesa ao século XVIII

A primeira tentativa holandesa de conquistar a Capitania da Paraíba ocorreu em dezembro de 1631, entre os dias 5 e 10, terminando em fracasso. A fim de evitar novas invasões e garantir a segurança da capitania, foram erguidos dois fortes, Santo Antônio e Restinga. Uma nova tentativa ocorreria somente em fevereiro de 1634, novamente sem êxito. Somente na terceira tentativa, em 24 de dezembro de 1634, os holandeses conseguiram entrar sem qualquer resistência, levando a população local a migrar para áreas rurais e abandonar a cidade, que passa a se chamar Frederica, Frederikstad no idioma holandês, uma referência a Frederico Henrique, príncipe de Orange.

Na época, a cidade possuía aproximadamente 1 500 habitantes e um total de dezenove engenhos de açúcar, boa parte deles confiscados pelos invasores. Os franciscanos foram expulsos do seu convento, que foi transformado em fortificação (1636). Somente em 1637 os portugueses reconhecem o domínio holandês na chamada Nova Holanda, em uma faixa compreendida entre o Rio São Francisco e o atual Ceará.

Elias Herckmans, que administrou a capitania entre 1636 e 1639, descreveu a cidade como:

Ella está circumdada pelo bosque, e não pôde ser vista por quem se approxima, senão quando se está nella, excepto si se sobe ou desce o rio, porque em se chegando á bocca ou entrada da Bahia chamada Varadouro, se pode avistar perfeitamente o convento de S. Francisco e alguns edifficios do lado septentrional.

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